Idosos e sem pensão de reforma. Esta é a situação de grande parte dos antigos contratados que vieram construir São Tomé e Príncipe, num regime de trabalho escravo, no entanto designado de mão de obra contratada.
Os ex-contratados de Angola fazem parte do grupo social mais vulnerável do país. A troco do trabalho nas roças, os patrões coloniais não pagavam a segurança social, e mais tarde depois da independência nacional, os descontos feitos pelas administrações das empresas agrícolas estatais não foram depositados na segurança social.


Todos os anos na quadra natalícia a embaixada de Angola em São Tomé e Príncipe, promove Natal Feliz para os ex contratados. Uma forma de aliviar as carências dos idosos.
146 idosos com mais de 70 anos receberam cabazes para o Natal. A distribuição foi assegurada pela Associação dos Filhos dos Angolas. Uma associação criada pelos descendentes. Os idosos das roças Agostinho Neto, Monte Café, Água Izé, Santa Catarina, Uba Budo, e do bairro da Liberdade na capital São Tomé e do bairro popular de Santana, receberam a prenda do Natal.
«É uma Iniciativa da embaixada de Angola para os idosos com mais de 70 anos. Muitos não têm a pensão de reforma», explicou Filipe Samba, Presidente da Associação dos Filhos dos Angolas.
A mesma acção de solidariedade será desenvolvida na ilha do Príncipe. Na região autónoma do Príncipe os bens de primeira necessidade são 2 a 3 vezes mais caros do que em São Tomé. Por isso a população vulnerável no Príncipe sofre mais do que a de São Tomé.


Segundo a Associação dos Filhos dos Angolas, o exército de santomense disponibilizou o transporte para a distribuição dos cabazes e a embaixada de Angola garantiu o combustível. Uma parceria em logística que levou aos idosos espalhados pelo interior da ilha de São Tomé, um pouco de sorriso para o Natal 2024.

Por outro lado, com o apoio da embaixada em São Tomé, os angolanas começam a se organizar para preservar a sua identidade. Filipe Samba disse ao Téla Nón que o processo de inscrição de todos através do cartão consular deverá ficar concluído na ilha do Príncipe no início do ano 2025. O mesmo processo de inscrição consular vai ser realizado na ilha de São Tomé durante o ano 2025.
Abel Veiga
Renato Cardoso
23 de Dezembro de 2024 at 16:16
Triste realidade que 😢 inquieta qualquer ser humano que compreende mal a falta de atenção aos angolanos e aos cabo-verdianos e outras minorias nestas ilhas falidas!
O certo é que não são os únicos porque a maioria das pessoas vivem em pobreza crónica!
E o pintakabra está nas Ilhas de rendimento médio!
Haja paciência!!!!
Manuel do Rosário
24 de Dezembro de 2024 at 6:56
Enfim enfim enfim. Será mesmo que com este cabaz é que os levam a ter um natal feliz? Na minha opinião isto não deveria ser divulgado na rede social tratando-se da origem da oferta. É lamentável mas entretanto é um gesto de solidariedade.