Depois de 1 ano a chefiar o segundo governo da ADI nesta legislatura, Américo Ramos, é recebido em Angola para a primeira visita oficial.
As relações entre os dois países, que partilham história, cultura e vínculo sanguíneo, se degradaram muito mais a partir de 2022 durante a vigência do anterior governo da ADI liderado por Patrice Trovoada.
Numa entrevista exclusiva ao Téla Nón em julho de 2025 o embaixador de Angola em São Tomé e Príncipe, Fidelino Peliganga denunciou as perturbações que passaram a marcar as relações bilaterais.
«As alternâncias têm trazido perturbações nas relações entre São Tomé e Príncipe e Angola, nos aspectos da cooperação bilateral, cooperação económica etc, tudo em função dos interesses», afirmou o embaixador de Angola em julho de 2025.

A decisão dos juízes conselheiros do Tribunal Constitucional eleitos e investidos através da Lei Interpretativa em retirar a cervejeira Rosema do seu proprietário original, a empresa angolana RIDUX e entregar ao grupo privado são-tomense SOLIVAN, foi indicado pelo embaixador de Angola como um dos exemplos.
«Há 2 anos, aconteceu este problema com a Rosema. Foi de facto uma situação que exigiu da parte da embaixada de Angola, enquanto representante do Estado angolano cá, algum exercício junto às autoridades para tentar perceber o porquê das coisas, e tentar conseguir que houvesse uma reposição da legalidade, que no fundo é o que está aqui em jogo», declarou em 2025.
Com as relações bilaterais perturbadas, o embaixador de Angola lançou um repto ao Estado são-tomense. «Esta situação de ilegalidade não pode continuar por muito mais tempo… porque afecta a credibilidade do Estado santomense. Mancha a credibilidade e a imagem de São Tomé e Príncipe perante o mundo», disse Fidelino Peliganga em julho de 2025.
A degradação do relacionamento bilateral ficou mais evidente com o facto de Angola não ter dado agrement ou permissão para acreditação de um novo embaixador de São Tomé e Príncipe.
No ano passado o Téla Nón apurou que o Estado são-tomense propôs uma segunda figura para ser acreditada como embaixadora em Angola. Trata-se da deputada Alda Ramos da bancada parlamentar da ADI. Após uma visita ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, o Presidente da República Carlos Vila Nova foi interpelado pelo Téla Nón sobre a ausência desde 2023 de um novo embaixador de São Tomé e Príncipe em Angola. O chefe de Estado disse que dependia do Estado angolano a aceitação ou não da individualidade nacional proposta para exercer o cargo de embaixador em Angola.

Perto do final do seu mandato como primeiro-ministro do segundo governo da ADI, Américo Ramos realiza a primeira visita oficial a Angola. Exactamente numa altura, em que um dos casos, que perturbou as relações bilaterais parece estar à beira da resolução final, a Cervejeira Rosema.
Esta quinta-feira o Presidente da República de Angola João Lourenço recebe pela primeira vez no palácio presidencial em Luanda, o primeiro-ministro e Chefe do Governo de São Tomé e Príncipe, Américo Ramos.
Abel Veiga
Antigo Camarada
26 de Fevereiro de 2026 at 14:24
O tempo leva e põe cada coisa no seu lugar.
Seja bem vindo a Angola senhor primeiro ministro Américo Ramos, a diáspora Santomense em Angola foi abandonada pelo Patrice Trovoada.
Esperemos que o senhor faça diferente, nós acreditamos…