Artigo extraído do jornal francês – Le Figaro
Centenas de jornalistas e funcionários da Rádio Free Asia, Radio Free Europa e outras organizações receberam um e-mail este fim-de-semana informando que seriam proibidos de entrar em seus escritórios.
A administração Trump dispensou no sábado os funcionários das rádios Voz da América (VOA), Radio Free Asia e outros meios de comunicação financiados pelos EUA, atraindo a ira dos defensores da liberdade de imprensa que os veem como contrapesos democráticos no mundo.
Centenas de jornalistas e outros funcionários da VOA, a «Voz da América», Radio Free Asia, Radio Free Europe e outras organizações receberam um e-mail este fim-de-semana informando que seriam proibidos de entrar nos seus escritórios. Eles também são obrigados a devolver seus cartões de imprensa, telefones profissionais e outros equipamentos.
O anúncio, severamente criticado pelas organizações de defesa da liberdade de imprensa, vem no dia seguinte a um decreto do presidente republicano Donald Trump que classifica a agência governamental que encabeça esses meios (USAGM) entre os «elementos desnecessários da burocracia federal».
Na sequência, Kari Lake, um apoiador fervoroso de Donald Trump, que a nomeou para uma posição de conselheiro no USAGM após sua derrota nos senatoriais no Arizona, escreveu em um e-mail que os subsídios federais para esses meios «não são mais uma prioridade» da agência.
Os meios de comunicação como a Voz da América ou a Radio Free Asia são há muito considerados «vozes da América» em países onde o acesso à informação independente é considerado mais difícil, na Europa Oriental, no Médio Oriente ou na Ásia.
«É escandaloso que a Casa Branca tente esvaziar de sua substância uma agência financiada pelo Congresso que apoia um jornalismo independente pondo em causa a palavra de regimes autoritários em todo o mundo», respondeu o responsável do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), Carlos Martínez de la Serna.
Para repórteres sem fronteiras (RSF), esta decisão «ameaça a liberdade de imprensa no mundo e anula 80 anos de história americana em favor da livre circulação da informação». Um «presente maciço aos inimigos da América», lamentou também o presidente da Radio Free Europe/Radio Liberty, Stephen Capuz, num comunicado.
Donald Trump e seu aliado número um Elon Musk, que dirige as empresas Tesla, SpaceX ou X, empreenderam cortes brutais em todo o serviço público americano, atingindo muitos departamentos como a Educação, Saúde e agências como a USAID que comanda a ajuda ao desenvolvimento. O Presidente dos Estados Unidos manifesta aberta e regularmente a sua hostilidade aos meios de comunicação social, que ele qualifica para alguns como «inimigos do povo».
O desmantelamento dos meios de comunicação públicos que operam no exterior pode encontrar obstáculos, porque é o Congresso que detém o poder final, e algumas organizações, como a Rádio Free Asia, beneficiaram-se do apoio de democratas e republicanos no passado.
Um funcionário da Voz da América, que pediu anonimato, descreveu à AFP nas últimas semanas como «terrível, com ansiedade constante». Para ele, a mensagem recebida no sábado é apenas mais um «exemplo perfeito do caos e da improvisação do processo».
«Todos estão ansiosos», acrescentou um funcionário da Radio Free Asia. «Temos repórteres que trabalham sob vigilância em países autoritários na Ásia. Temos funcionários nos EUA que temem ser deportados se o visto de trabalho não for mais válido», explicou.
FONTE : Jornal Le Figaro/França