O mundo não está a cumprir com as metas definidas no acordo de Paris para combater as alterações climáticas. Os dados sobre a neutralidade carbónica não batem certo.
A revelação foi feita por Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral das Nações Unidas. Principal orador no painel de debates que abriu o Festival do Fim do Mundo, que decorre em São Tomé, e mais tarde palestrante numa conferência sobre as consequências das alterações climáticas, organizada pelo Centro Cultural Português, o responsável da ONU abriu o livro dos incumprimentos.
«Os dados não batem certo. Hoje os dados dizem o seguinte: Ao invés de estarmos na trajectória de redução das emissões globais de 42%, até 2030, estamos sim numa trajectória de redução de 4%. Portanto, em 2030 teremos 4% da redução das emissões dos gases de efeito estufa e não 42%. Portanto, pouco serve estarmos com conversas eloquentes sobre a neutralidade carbónica em 2050, quando em 2030 as coisas não baterem certo», declarou.
Revelações que prenderam a atenção do público. Segundo o subsecretário-geral das Nações Unidas, a COP-30 que vai ser realizada no Brasil no final deste ano, deve servir para corrigir os incumprimentos do mundo em relação ao clima.
«Aquilo que estamos a financiar anualmente para as alterações climáticas no mundo é de 1,2 trilhões de dólares quando precisaríamos anualmente de 6 trilhões» , pontuou.
Os países do sul são os mais prejudicados, principalmente os pequenos estados insulares como São Tomé e Príncipe. Segundo os dados divulgados pelo subsecretário-geral da ONU, os cerca de 40 estados insulares que existem no mundo, emitem apenas 1% de gases para a atmosfera.
No entanto, sofrem 66% dos danos causados pelas alterações climáticas no mundo. Ou seja, praticamente não poluem a atmosfera, mas pagam caro pelos impactos das mudanças climáticas geradas pelos países desenvolvidos, os principais poluidores do planeta terra.
As declarações de Jorge Moreira da Silva prenunciam que o mundo está de costas voltadas com a paz, o bem-estar e o desenvolvimento dos países mais pobres. Pois, nem os objectivos de desenvolvimento sustentado definidos em 2015 estão a ser cumpridos.
«Estão neste momento fora de pista. Só 17% das 169 metas estão em fase de cumprimento, em fase de cumprimento não quer dizer que estão cumpridas. Temos 2/3 das metas em que estamos em retrocesso. Ora, isto era para 2030, e 2030 é amanhã. Não vale a pena olharmos para isto com complacência. Nós globalmente estamos em incumprimento, face a essa aspiração que tínhamos de proteger o planeta, as pessoas, a prosperidade e as parcerias», frisou.
Para agravar a situação, os cerca de 200 países que habitam o planeta terra, não conseguem prevenir, nem resolver as guerras.
«Porquê que ninguém fala do Sudão? Porquê que se fazem filas de visitas a vários países, que eu não vou citar, e porquê que não se vai ao Sudão?», interrogou.
Sudão é um país africanos dilacerado pela guerra civil. «Sudão tem 13 milhões de deslocados. Tem 4 milhões de refugiados. E esta é a verdade inconveniente, que é a verdade do duplo critério…», denunciou o subsecretário-geral das Nações Unidas.
Jorge Moreira da Silva também esteve em Gaza. O que viu diz que jamais esquecerá. «Hoje temos uma guerra que é uma crise de humanidade, em Gaza. Aquilo que eu vi em Gaza nunca vou esquecer. Nunca vou esquecer do sofrimento que vi em Gaza com as crianças amputadas, com as crianças órfãs, uma crise de humanidade que é uma vergonha no século XXI», reclamou.
Paz e prevenção dos conflitos são a principal agenda das Nações Unidas.
Abel Veiga
GANDU@STP
10 de Julho de 2025 at 8:08
Bom dia STP!
O Imperialistas e os seus malabarismos!!! A Guerra no Sudão é simplesmente por causa do Petroleo.
O Sudão tem algo que eles querem, mas não estão dispostos a comprar pelo preço justo. O mesmo se aplica ao Irão, Venezuela, ou Ucrania.
A Estrategia é simples, antiga e eficaz: “killin n Lootin”.