Política

Angola denuncia perturbações nas relações bilaterais com São Tomé e Príncipe

«As alternâncias têm trazido perturbações nas relações entre São Tomé e Príncipe e Angola, nos aspectos da cooperação bilateral, cooperação económica etc, tudo em função dos interesses…», declaração de Fidelino Peliganga, embaixador de Angola em São Tomé e Príncipe.

A denúncia do embaixador de Angola em São Tomé e Príncipe foi feita numa entrevista exclusiva ao Téla Nón.

«São factos. Não estou a dizer nada, que não seja perceptível aos olhos dos menos atentos. Como você disse, nos primeiros anos pós-independência tivemos uma cooperação intensa, que se traduziu em benefícios mútuos, pois são povos irmãos. Era baseado no princípio da solidariedade, amizade e irmandade. Mas os tempos mudaram», sentenciou o embaixador Fidelino Peliganga.

Os ventos mudaram de direcção e a cooperação institucional entre a República de São Tomé e Príncipe e a República de Angola passou a ser ziguezagueante. O embaixador de Angola disse ao Téla Nón que teve a infelicidade de viver um dos momentos mais degradantes do relacionamento bilateral entre os dois países.

Trata-se do caso da Cervejeira Rosema, que foi retirada ilegalmente do seu proprietário, a empresa angolana Ridux e entregue à empresa santomense Solivan.

«Assim que cheguei aqui como embaixador, há 2 anos, aconteceu este problema com a Rosema. Foi de facto uma situação que exigiu da parte da embaixada de Angola enquanto representante do Estado angolano cá, algum exercício junto às autoridades para tentar perceber o porquê das coisas, e tentar conseguir que houvesse uma reposição da legalidade, que no fundo é o que está aqui em jogo», declarou o embaixador.

O representante diplomático de Angola em São Tomé e Príncipe, defende que a reposição da legalidade no caso da Cervejeira Rosema deverá acontecer a breve trecho. Caso contrário a credibilidade do Estado santomense ficará irremediavelmente em causa.

«Eu acho que não cabia a nós fazer as diligências. Caberia às autoridades santomenses. Isso é um processo que esperemos tenha o fim que todos esperamos a breve trecho. Eu quero crer, porque esta situação de ilegalidade não pode continuar por muito mais tempo… porque afecta a credibilidade do Estado santomense. Mancha a credibilidade e a imagem de São Tomé e Príncipe perante o mundo», pontuou o embaixador Fidelino Peliganga.

Angola e São Tomé e Príncipe assinaram há alguns anos um acordo de protecção de investimentos nos dois países. O representante de Angola reforçou que o caso Rosema não pode perdurar indefinidamente no tempo.

«Eu acho que as autoridades santomenses não estão interessadas que esta mancha perdure por muito mais tempo», frisou.

Negócios e interesses à margem das leis beliscam as relações bilaterais entre dois países que nasceram juntos, que desfrutavam e partilhavam uma solidariedade sincera. Por causa das perturbações que passaram a marcar as relações de São Tomé e Príncipe para com Angola, os investidores angolanos retraíram-se, também os turistas angolanos que até 2012 estavam a aumentar em São Tomé acabaram por recuar. «E é verdade. E vocês sabem porquê que desapareceram…infelizmente…», rematou Fidelino Peliganga.

O caso Rosema é considerado por Angola como o ponto alto das perturbações nas relações bilaterais com São Tomé e Príncipe.

«As situações menos boas nas nossas relações, e que criaram atritos, vêm de trás. São situações recorrentes, mas não é só a Rosema. Quando as alternâncias políticas acontecem trazem perturbações, por causa dos interesses em jogo», concluiu.

Abel Veiga

11 Comments

11 Comments

  1. Comportamento Errático

    24 de Julho de 2025 at 1:47

    Devolvam a fábrica de cerveja ROSEMA aos angolanos, Mário Mello Xavier e LDA. Ponto final.

    Meu povo! Por favor, mudem de mentalidade negativa, vossa gula, parem com a corrupção, concentrem as vossas energias em algo mais produtivo na vida, mantenham o foco e tenham disciplina.
    Estamos cá em São Tomé a fabricar “In—justiça para agradar o ladrão Patrice e os vigaristas corruptos “Monteiros” (Irmãos).
    Precisamos de reparar e manter boas relações com Angola.
    Ingratos!
    Acabem já com toda esta parvoíce, de uma vez por todas!

    O tribunal são-tomense obrigou o Ridux de Mello Xavier a vender ROSEMA aos Monteiros, mas em 2018 o Tribunal Supremo decidiu que o Mello Xavier era o proprietário de Rosema. Se o Mello Xavier não quiz vender, então ele foi forçado a vender. Esta transação deve ser inválida.

    Cambalachos e esquemas inconstitucionais são expidientes ilegais e errados. Até podem ser qualificados como coerção ou coação, que é crime. A coerção ou coação é considerada ilegal quando não há justa causa para o ato. Este crime está previsto no Código Penal e consiste em constranger a vítima, Mello Xavier. Porquê fazer isto? Pecado!

    O empresário angolano Mello Xavier, cuja empresa Ridux comprou a cervejaria quando ROSEMA foi privatizada em 1995, e não os, Domingos ‘Nino’ Monteiro e o seu irmão António Monteiro.

    Já chega!

  2. santomé cu plixinpe

    24 de Julho de 2025 at 7:03

    VIVA ANGOLA…….abaixo, gatunas gananciosos,,,,vadios…

  3. Leopoldo Mariano

    24 de Julho de 2025 at 8:17

    Acho que o que esta em causa aqui nao sao interesses politicos mas sim pessoais. As instituicoes do estado so estao a ser usadas para a manutencao dos interesses. E sabe-se perfeitamente quem sao os elementos por detras desta situacao. Ora vejamos, como e possivel uma empresa que e a maior devedora de impostos do pais e nunca foi chamada a razao. Se o pais vive de impostos dos contribuintes, como se compreende o maior devedor nunca ser chamado?

  4. Ramos de flores

    24 de Julho de 2025 at 8:44

    Errado o embaixador não está, mas vindo de um executivo angolano, chega a ser uma hipocrisia!!

  5. José Pereira

    24 de Julho de 2025 at 11:50

    Por causa da cerveja …

  6. Açoreano Boa Morte

    24 de Julho de 2025 at 18:49

    Porque é que as autoridades angolanas na altura de contendas entre duas empresas angolanas lá em Angolas carregaram este problema para S.Tomé. Se o Melo Xavier tinha tido uma contenda com outra empresa angolana em Angola, porque é que o Tribunal angolano não utilizou as empresas que o Melo Xavier tinha em Angola, ou obrigou o Melo a pagar os seu problema lá em Angola e troxeram esta porcaria para o país.
    Porque é que o tal de Nino Monteiro não constroi outra fábrica, com tanto dinheiro que tem arrecadado da Rosema e continua a meter o país nesta encrenca. Porque é que os politicos têm que meter em questões da justiça e depois venhem com lágrimas de corcodilo a reclamar au a justiça não funciona.
    O que é que os sucessivos governos aguardam para trazerem juízes de outros países para melhorar a justiça no país, ja que todos concluímos que com os juizes existentes nunca teremos a justiça a funcionar. São todos uma corja de juizes candongueiros de justiça e a decisão é feita no leilão de quem dá mais.
    Os investidores angolanos também não são sérios. O próprio Melo Xavier não parece sê-lo- Outros com aquele que tomou a pousada Boavista lá para Monte Café. O que é que ele fez. Outro tomou o Clube Nautico, o que é que ele fez. Empresas angolanas vieram construir a embaixada do seu próprio país em S.Tomé, o que é que fizeram. Por isso não acreito neste tipo de investidores. Somos irmãos e vamos continuar a nossa amizade como irmãos, pois existem muitos santomenses em Angola e também existem muitos angolanos e descendentes em S.Tomé e vamos a continuar a darmos bem, comermos a nossa banana e o nosso fungi e a vida vai passando.

  7. Jorge Semeado

    24 de Julho de 2025 at 22:09

    Empresários angolanos não são de confiar. O Melo Xavier atraves da Ridux, tinha uma dívida fiscal de 3 milhões de Dolares e quem saldou a divida foi Monteiro. O Melo Xavier devia ao estado santomense 3 milhões de dólares do fisco
    Vigaristas. Porque razão as duas empresas angolanas não resolveram os seus litígios dentro dos limites territoriais de Angola? E agora querem sujar STP internacionalmente? O culpado disso tudo é o nosso PR que foi choramingar para os mangolóides. Agora, a moeda de troca é a Rosema. O nosso PR tem essa batata quente nas mãos. Ninguém lhe mandou ir meter-se com esees mafiosos e vigaristas. Agora, o Sr. ferrou-se. Eu sabia que essas condecorações todas a toa, tinham algo escondido. O que tem um estrangeiro a ver com a credibilidade internacional de STP? Isto só cheira a chantagem e vigarice. Obriguem a JAR a devolver os milhões de EUROs pagos pelos Irmãos Monteiros na compra de ROSEMA e com juros. Se o estrangeiro defende o seu conterrâneo pela devolução da Rosema a RIDUX, então os santomenses têm que defender (todos unidos) os seus conterrâneos Monteiros pela devolução/reembolso dos milhões pagos a JAR pela compra da Rosema. Meus senhores este assunto da Rosema foi uma burla bem estudada e estruturada pelos mangolóides, porque o Tribunal angolano só mandou revogar o pedido de carta rogatória após a burla aos irmaos monteiro ter sido consumada. Bando de burlões “wê lisu”. Burlões e vigaristas. Isso sim.

  8. OSVALDO XAVIER

    25 de Julho de 2025 at 0:21

    Pessoal,esta questão com Angola 🇦🇴 tem muito a ver com o caso da corrupção da cervejaria ROSEMA, cujos responsáveis foram no 1° dossiê um grupinho de delinquentes com falsos diplômas e estatutos jurídicos, na cabecilha o alcóolotra-drogado AUGÉRIO AMADO VAZ, o desonrientado, frustrado depressivo manipulador, que só sabe criar polémicas e problemas na sociedade são-tomense…assim como uns tantos militantes puxa-saco ADI militantes fanáticos do Patrice Trovoada.
    Na 2a e 3a etapas(também fez parte da 1a mas discretamente )tem-se o anãozinho
    Afonso da Graça Varela. O senhor Varela é um individuo maquiavélico, que tem sido “le maître à penser” do Patrice Trovoada, ele é tão culpado e responsável da situação política decadente de STP assim como é o PT…o Varela é ruim e perverso. Cuidado com esse homem, atira a pedra e esconde a mão, deixando que seja o seu patrão mafioso Patrice Trovoada acarretar sózinho a culpa.
    Também sobre a parte dele junto da justiça são-tomense e no TPI/HAYA,merece!

  9. Jorge Semeado

    25 de Julho de 2025 at 11:08

    Os culpados disso tudo são os dirigentes mangolóides. Sempre nos trataram de decima nona provincia de Angola, até o surgimento do Trovoada pai que resgatou a nossa dignidade perante os mangoloides. Uma irmandade falsa. Querem nos controlar em tudo. A Airluxor foi barrada de fazer STP/LAD/STP, para que a TAAG nao tivesse concorrente nesse destino e a irmandade foi atirada para o lixo.
    Têm os seus descendentes em STP, mas lhes deixam às escuras por STP ter a dívida para com a Sonangol. Que irmandade é essa? Há uns analfabetos que culpam Trovoada, Varela, Augerio e outros santomenses. Mas os verdadeiros culpados sao os tribunais angolanos que mandaram retirar a cervejeira ROSEMA da tutela da RIDUX. E mais, estando a RIDUX em divida fiscal para com o Estado Santomense, em mais de 3 milhões de dolares, porque razão a Rosema não foi confiscada pelo estado santomense?
    O estado angolano ao perceber-se da avultada divida do Melo Xavier ao STP, engendrou esta carta rogatória de penhora da Rosema como forma de salvar o Melo da pressão para o pagamento da divida ao estado santomense. A partir dai, mais ninguém fala dessa dívida, anterior a essa penhora que o o estado santomense nunca devia ter aceite, pois a ROSEMA estava em divida para com o estado santomense. Deveria ser o estado santomense a confiscar a Rosema e nao o tribunal penhorar a Rosema a favor de outra empresa angola JAR. Abram a mente, meus conterrâneos. Abram a mente. Este sr. Embaixador está a atirar areia aos nossos olhos e nós ainda estamos a condecorá-los. Começou devagarinho na ilha do Principe e agora está a atacar o todo estado santomense. Ganhou asas. O único que consegue por esses mangolóides nos seus devidos lugares é o Patrice Trovoada, apesar de todos seus defeitos. Qual foi a escola construída por mangoloides em STP para os seus descendente? Qual foi a mini central fotovoltaica construída pelos mangoloides em STP? Mas para vender os seus combustíveis têm a ENCO que suga grande parte das divisas do pais. A isto se chama irmandade? Continuamos sempre a alimentarmos das poesias do Agostinho Neto e da Alda do Espirito Santo e a drenar fortunas para os cofres da Sonangol pela compra dos combustiveis. E isto que se chama irmandade? Se Angola esta a viajar para os 4 cantos do mundo para pedir ajuda estrangeira, porque razão temos nos que continuar no “suvaco” dos mangoloides? Chega de humilhação estrangeira. Defendamos a nossa dignidade pelo custo que for necessário acarretar, sem humilhações nem ameaças. Avarentos, burlões e vigaristas.

  10. Madiba

    28 de Julho de 2025 at 11:59

    Pois é. Caros compatriotas. O problema da ROSEMA e da RIDUX, do pouco que entendo desta palhaçada, parece-me da inteira responsabilidade dos angolanos. Se existe problemas da dívida de uma empresa angolana à outra empresa angolana, logo, o problema é angolano. Lamento muito como o problema caiu sobra a cabeça do Estado santomense e com interferências de todo o género. Quanto a relação estado a estado, S. Tomé e Príncipe tem estado a virar-se sozinho. E não vi nenhum santomente em seu perfeito juízo a catar lixos para sobreviver. E sobre investimentos angolanos em S. Tomé e Príncipe, eu como santomense a viver em S. Tomé, eu dispenso na totalidade esses tipos de investimentos angolanos na minha terra. Esses investimentos angolanos não passam de ocupar espaços dos outros e nada fazer: a começar pelas bombas de combustíveis de Santana e Trindade da SONANGOL, grandes infraestruturas, para tão pouco uso. Pousada BELA VISTA em Nova Moca, CLUB NAUTICO, obras da Embaixada de Angola numa zona nobre da capital de S. Tomé, mais outros tantos que mais não passam de fileiras de negócios cujo objetivo único é mandar porrada de dinheiro para o mar. Ao nível político. Em S. Tomé e Príncipe, felizmente somos uma democracia e com alternância de poder. E devemos estar orgulhosos disto. Apesar de todas as incongruências. O Estado não se confunde com um único partido político. E já somos suficientemente adultos, depois de 50 anos de independência, para caminharmos com os nossos próprios pés. Quando temos dólares andámos de carro. E quando não temos dólares andámos a pé. Porque somos pobres e, creio que com o resto da nossa dignidade. Mas concordo que o caso ROSEMA deve ser resolvido no fórum próprio e na devida altura. Sem se misturar o Estado com o negócio privado.

  11. Mezedo

    31 de Julho de 2025 at 14:17

    O Madiba até falou de algumas coisas muito positivas.

    Mas no final falta esclarecer- O Caso Rozema tornou-se um caso de Estado sim porque o Governo de São Tomé e Príncipe, interferiu na Justiça e manipulou o caso.

    O Tribunal Constitucional não tem competências para fazer o que fez, e Governo ajudou.

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