Política

Tributo de Angola pelos 50 anos de STP tem cumplicidade, irmandade e consanguinidade

A história diz que São Tomé e Príncipe foi povoado e construído inicialmente pelos escravos oriundos do continente africano. Os colonizadores portugueses compravam boa parte dos escravos no Reino do Congo. Um reino africano que englobava os territórios da actual República de Angola.

«Naquela altura o território que hoje constitui Angola tinha uma geografia diferente. Por exemplo, o reino do Congo, cuja capital se situava no local onde hoje é a cidade de Mbanza Congo, que é a capital de uma das províncias do norte de Angola, estendia-se até o Gabão. Portanto abarcava o território de Angola, os dois Congos e o território do Gabão. Isso era o reino do Congo», explicou o embaixador de Angola em São Tomé e Príncipe, Fedelino Peliganga.

O reino do Congo, foi uma das antigas civilizações africanas, e pode estar na génese da nação africana edificada em São Tomé e Príncipe.

«E no sul do reino do Congo, havia outro reino, por exemplo o reino Cuanhama que se estendia até o norte da Namíbia. Portanto as fronteiras que existem hoje em África foram talhadas pelas potências coloniais», acrescentou o diplomata angolano.

A história de África, reflecte a origem dos povos angolano e santomense. Ambos de raiz africana, a mesma origem. Mais tarde os escravos alforriados que constituíram a nação santomense, passaram a ser designados na ilha de forros (alforriados).

«Obviamente e sem sombras de dúvidas, que é o resultado da vinda dos escravos. Os santomenses são uma fusão de várias origens africanas incluindo também os portugueses», destacou Fidelino Peliganga.

O vai e vem dos navios negreiros, e mais tarde dos barcos com a mão de obra dita contratada alimentou o fluxo migratório entre os dois países e consolidou a consanguinidade. «Temos famílias de santomenses que têm extensão em Angola e vice-versa. E são famílias muito influentes nos nossos dois países com participação muito activa na vida política e social», revelou o embaixador de Angola.

Fidelino Peliganda deu o exemplo da sua própria experiência enquanto criança.

«Eu tenho amigos de infância santomenses, ou seja, de pais santomenses, mas nasceram e cresceram em Angola, e estão inseridos na sociedade como angolanos, mas têm parentes aqui em São Tomé. Os seus pais saíram daqui para lá. No fundo é um regresso permanente, os que saíram daqui para lá, se calhar saíram antes de lá para cá. Pois essa travessia do oceano nos dois sentidos sempre existiu», explicou.

A irmandade entre os dois povos, é sentida até nos apelidos. «Por exemplo os “Pereira”, há aqui e há em Angola. Os “Bragança”, há aqui e há em Angola. Há muitos “Lima” também…»

Laços de irmandade e consanguinidade entre dois povos, que se despertaram juntos, para combater o colonialismo português.

«Nós éramos colonizados e subjugados pelo mesmo colonizador. Por isso tínhamos de agir de forma concertada. Como nações colonizadas e subjugadas, alimentamos sentimentos iguais. Todos estavam animados pelo mesmo espírito de autodeterminação», sublinhou Fidelino Peliganga.

Alda do Espírito Santo de São Tomé e Príncipe e Agostinho Neto de Angola. Dois poetas que denunciaram as agruras da colonização dos dois povos. Juntaram-se a Amilcar Cabral da Guiné e Cabo Verde, e a outros estudantes dos países africanos na Casa do Império em Lisboa- Portugal, para incentivar a luta pela liberdade e independência.

«Faziam denúncias através da imprensa escrita, sempre para denunciar e consciencializar os povos para a necessidade de conquista da independência. Muitos deles publicaram poesias que foram utilizadas como armas de luta»

Ao longo da entrevista concedida ao Téla Nón, o embaixador de Angola em São Tomé e Príncipe narrou vários outros factos para demonstrar que os santomenses e os angolanos sempre estiveram juntos, nos desafios mais importantes da sua história.

«A relação entre os povos, entre angolanos e santomenses continua viva e vibrante», pontuou o embaixador de Angola.

50 anos depois da independência, os dois povos partilham a mesma cumplicidade, simpatia, e sentimento de pertença.

Abel Veiga 

3 Comments

3 Comments

  1. GANDU@STP

    25 de Julho de 2025 at 15:20

    Boa tarde STP!

    Não nos esqueçamos dos “Africanos” expulsos de Portugal, e enviados para as recém descobertas colónias!

    Muitos dos escravos enviados para as ex colónias eram provenientes de Portugal!!!
    A nossa história tem sido manipulada e contada pelo INIMIGO.

  2. Ilídio Nobre

    26 de Julho de 2025 at 13:55

    Num país sério, com instituições sérias, esse Embaixador seria declarado persona non grata

  3. Sotavento

    26 de Julho de 2025 at 17:29

    Esse senhor não tem pergaminho de embaixador.Em Africa tudo vale…burros ignorantes , incultos todos podem desempenhar posições de relevo.O presidente João Lourenço devia mandar lo de imediato a papeleira.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top