O desaparecimento há duas semanas nas instalações do Estado Maior das Forças Armadas do processo judicial sobre os acontecimentos de 25 de novembro de 2022, que vitimaram 4 civis, levou o conselho superior de defesa nacional a exonerar o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas, o brigadeiro João Pedro Cravid.
Semblantes carregados fizeram a expressão facial do Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Carlos Vila Nova e de alguns comandantes militares. «O conselho debateu a falta de esclarecimento sobre o desaparecimento do processo judicial de 25 de novembro nas instalações do Estado maior das forças armadas situação que motivou a exoneração do Chefe de Estado Maior João Pedro Cravid», afirmou o secretário do conselho superior de defesa, Virgílio Mandinga.

Exonerado no salão nobre do Palácio do Povo, o Brigadeiro João Pedro Cravid foi a primeira pessoa a descer as escadas do palácio presidencial. Acompanhado pelo chefe de protocolo do Presidente da República, o então chefe de estado maior das forças armadas dirigiu-se ao portão de saída do palácio à procura da sua viatura.
No entanto, os conselheiros do Presidente da República para questões de defesa e segurança prosseguiram com a reunião, e decidiram pela nomeação do novo Chefe de Estado Maior das Forças Armadas.
O comandante do exército, o coronel Virgilio Pontes, foi nomeado cumulativamente Chefe de Estado Maior Interino das Forças Armadas de São Tomé e Príncipe.
«Para a continuidade dos serviços foi aprovada a nomeação em acumulação temporária de funções do comandante do exército, o coronel Virgilio Pontes para o desempenho das funções de Chefe de Estado Maior das Forças Armadas», confirmou o secretário do conselho superior de defesa.

Virgilio Pontes, que também é membro do conselho superior de defesa nacional, desceu as escadas do palácio presidencial em diálogo com o inspector geral das Forças Armadas, o coronel José Maria, e o ministro da defesa e ordem interna, o brigadeiro Horácio Sousa.
O novo chefe de Estado Maior das FASTP, tem uma missão importante nos próximos dias, que é a realização do inquérito sobre o desaparecimento do processo judicial de 25 de novembro.
«Foi aprovado que fosse realizado um único inquérito, num prazo de 15 dias, sobre a alçada do ministério da defesa com o objectivo de apurar definitivamente os detalhes do desaparecimento do processo do caso 25 de novembro», concluiu o comunicado do conselho superior de defesa.
Mais um momento de tensão e de viragem na chefia das forças armadas de São Tomé e Príncipe.
Abel Veiga