Política

Três anos depois do massacre de 25 de novembro o MLSTP exige justiça imediata

Três anos após os violentos acontecimentos de 25 de novembro de 2022, que resultaram na morte brutal de quatro cidadãos dentro do Quartel do Morro, o MLSTP voltou hoje, 25 de novembro, a pressionar o Estado e as instituições judiciais, acusando-as de permitir que o caso permanecesse “enterrado” e sem qualquer responsabilização.

Num comunicado carregado de críticas severas e palavras contundentes, o partido afirma que o país vive há três anos “uma ferida aberta”, sem explicações credíveis e sem transparência sobre o que realmente aconteceu naquela madrugada que chocou o país e a comunidade internacional.

O MLSTP denuncia que, em vez de avançar, o processo judicial tem sido empurrado entre a justiça militar e a justiça civil, sem decisões concretas. Para o partido, essa indecisão não é inocente; trata-se, segundo afirma, de “um desvio premeditado para impedir que os responsáveis pela tortura e morte de quatro inocentes enfrentem a justiça”.
O comunicado recorda que vídeos, relatórios oficiais incluindo o da CEEAC, Comunidade dos Estados Económico da África Central, e outros elementos recolhidos após a tragédia não sustentam a versão inicial de uma tentativa de golpe de Estado. A tese do golpe, apresentada nos primeiros dias, teria caído por terra, mas, apesar disso, o caso estagnou.

Para o partido, o silêncio institucional e a falta de progresso constituem “uma afronta às vítimas, às suas famílias e ao povo santomense”, que, segundo defende, tem o direito de conhecer toda a verdade sobre “o crime mais grave ocorrido em plena democracia santomense desde a abertura constitucional”.
O MLSTP exige prioridade absoluta ao processo e apela diretamente ao Ministério Público, ao Conselho Superior da Magistratura Judicial e aos Tribunais, pedindo que assumam as suas responsabilidades e ponham fim ao que descreve como “ambiguidade, ocultações e manobras dilatórias”.

O comunicado exige ainda que o Estado indemnize as famílias dos quatro cidadãos mortos, alegando responsabilidade direta pelos atos cometidos dentro das suas próprias instituições.
O partido afirma que não aceitará que o caso seja esquecido:

Assim, o MLSTP anuncia ao povo de São Tomé e Príncipe que não descansará até que a justiça seja feita sobre o massacre de 25 de novembro de 2022 .”

Este novo pronunciamento reacende tensões num cenário político já marcado por acusações mútuas, desconfiança institucional e exigências de responsabilização. A pressão sobre o sistema judicial aumenta, enquanto as famílias das vítimas continuam a aguardar, sem respostas, pelo dia em que poderão finalmente ver os culpados sentados no banco dos réus.

Waley Quaresma

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