Potência económica emergente, a Índia registou um crescimento económico anual na ordem de 6%. É actualmente a maior cifra de crescimento do Produto Interno Bruto a nível mundial. Desde 2025 que o país asiático se posiciona como a quarta maior economia do mundo.
Membro fundador do Movimento dos países Não Alinhados na década de 60 do século XX, a Índia não se envolveu na luta de influência entre os dois blocos rivais que marcaram a história do mundo, até a a queda do muro de Berlim em 1989. Trata-se do bloco capitalista liderado pelos Estados Unidos da América e o Socialista liderado pela ex-União Soviética.
A antiga colónia da Grã-Bretanha, é actualmente o país mais populoso do mundo, com mais de 1 bilhão e 400 milhões de habitantes. Membro fundador dos BRICS, a organização que integra as economias emergentes dos países do Sul, a Índia prossegue com o princípio de promoção de um mundo multipolar, de desenvolvimento compartilhado e justo.

Os países que formam o sul global, onde se inclui também São Tomé e Príncipe, representam a maioria da população do mundo. É o berço da maior parte dos recursos naturais do planeta terra, no entanto, carrega o maior fardo da pobreza, e é vítima do sistema de governação mundial bipolar e mais tarde unipolar que dominou o mundo.
Com o apoio da Índia e de outros países membros dos BRICS, o mundo multipolar nasceu e cresceu para incentivar o desenvolvimento económico sustentado da grande maioria mundial, ou seja, do Sul Global.
É neste cenário de promoção do multilateralismo no sul global, que 47 jornalistas em representação dos órgãos de comunicação social da África Central e Ocidental, e das ilhas do oceano pacífico participam numa visita de estudo e de familiarização com a Índia.
Em Nova Deli, capital da Índia, os órgãos de comunicação social africanos informaram-se sobre a criação pelo país asiático de um centro de investigação e informação que trata das questões de desenvolvimento económico internacional, comércio, investimento e tecnologia para os países menos desenvolvidos (sul global).
O centro garante assessoria aos governos, promove a diplomacia do conhecimento, e realiza investigações de ponta nos domínios do comércio, tecnologia, investimentos, captação de financiamentos, agricultura, e economia azul.
Para beneficiar todos os países do sul Global, o centro de investigação e informação criou uma plataforma designada DAKSHIN, que realiza programas de reforço das capacidades dos técnicos dos países do sul global.
Sachim Kumar Sharma, Director Geral do Centro de Investigação e Informação, disse na reunião com os jornalistas do sul global, que a instituição «partilha conhecimentos e as melhores práticas para o reforço da cooperação entre a Índia e os países do sul Global. Juntos poderemos resolver todos os problemas de forma global e equitativa», afirmou.

Por outro lado, a ONU, as instituições financeiras internacionais, as universidades, o sector privado e os governos dos países menos desenvolvidos estabeleceram uma parceria com a Índia que resultou na criação da Coligação Internacional para Infraestruturas resilientes à catástrofes naturais. A instituição também baseada em Nova Deli, trabalha na promoção da resiliência das antigas e novas infraestruturas dos países menos avançados, para conter os impactos das mudanças climáticas e catástrofes naturais.
«Os sistemas de alerta precoce constituem domínios em que se deve investir tomando medidas que previnam tais situações», declarou Ramesh Subramaniam, director de programas e estratégia da Coligação Internacional para Infraestruturas resilientes às catástrofes naturais.


Oportunidades de formação e de capacitação dos quadros técnicos dos países do sul global abertas pelo governo da Índia para atender as necessidades dos países do sul, como é o caso de São Tomé e Príncipe.
A formação profissional dos jovens, é outra valência. Segundo Debashree Mukherjee, secretária do ministério do desenvolvimento de competências e do empreendedorismo, a Índia definiu uma estratégia global e descentralizada para transformar a população jovem em mão de obra qualificada, para o mercado mundial de trabalho.
Uma das provas da potencialidade indiana na promoção do mundo multipolar, é a decisão recentemente anunciada pela União Europeia de avançar com um acordo de comércio livre com o governo do primeiro ministro Narendra Modi. O acordo deverá ser assinado ainda no primeiro trimestre de 2026.
Abel Veiga / Téla Nón em Nova Deli – Índia