Jorge Bom Jesus, ex-Presidente do MLSTP, e candidato às eleições presidenciais de 19 de julho, Américo Barros, actual Presidente do MLSTP, e Carlos Vila Nova Presidente da República. Três actores políticos envolvidos em despiques persistentes desde 2022.
Em junho de 2026, o país assistiu ao desentendimento entre o Presidente do MLSTP Américo Barros, e o seu antecessor Jorge Bom Jesus, por causa da decisão do MLSTP de apoiar a recandidatura de Carlos Vila Nova ao cargo de Presidente da República nas eleições presidenciais marcadas para 19 de julho. Decisão em consequência, segundo a direcção do partido, da desistência do candidato Bom Jesus.
Jorge Bom Jesus desmentiu a liderança do seu partido, no que concerne a sua desistência como candidato presidencial, e acto contínuo Américo Barros, o presidente do MLSTP veio ao público desmentir o desmentido de Jorge Bom Jesus.
Um episódio de clivagem política que não é novo, no seio do maior partido da oposição envolvendo Jorge Bom Jesus e Américo Barros, com Vila Nova o Presidente da República, como o ponto da discórdia interna no MLSTP.
Em abril do ano 2022, Carlos Vila Nova ainda no início do seu mandato como Presidente da República desferiu a Jorge Bom Jesus, então primeiro-ministro e Chefe do Governo, a maior derrota política durante a legislatura. E foi por causa de Américo Barros, na altura governador do Banco Central de São Tomé e Príncipe.
O então primeiro-ministro Jorge Bom Jesus reuniu o conselho de ministros e decidiu exonerar Américo Barros do cargo de Governador do Banco Central. O Presidente da República Carlos Vila Nova reprovou a decisão do primeiro-ministro, e ordenou que Américo Barros continuasse a governar o Banco Central.
«Não há fundamentos legais para a sua exoneração. A decisão está tomada. O governador do Banco Central não foi exonerado, por considerar que não estavam reunidas todas as condições legais para o fazer», declarou o Presidente da República Carlos Vila Nova em abril de 2022.
Politicamente o então Chefe do Governo, Bom Jesus ficou fragilizado. Américo Barros, militante do MLSTP, que disputou a liderança do partido com Jorge Bom Jesus no congresso extraordinário realizado em março de 2022, tendo sido o segundo candidato mais votado, acabou por ser o “protegido” do Chefe de Estado Carlos Vila Nova. Aliás, a decisão do então primeiro-ministro Jorge Bom Jesus de exoneração do governador do Banco Central, foi justificada pelo facto de Américo Barros ter sido candidato à liderança do MLSTP, e o principal adversário político de Jorge Bom Jesus, que foi reeleito no congresso, como presidente do partido.
Em 2026, fim do primeiro mandato de 5 anos do Presidente Vila Nova, a presidência do MLSTP já não é de Jorge Bom Jesus. Passou para Américo Barros. Mais uma vez, os três actores políticos colidem. Bom Jesus não desiste da Cruz. Américo Barros garante que Jorge desistiu, e Carlos Vila Nova é o protegido do MLSTP.
Abel Veiga