Política

Uma noite para celebrar os 77 anos da China e os laços com São Tomé e Príncipe

A celebração dos 77 anos da fundação da República Popular da China ganhou, em São Tomé, um significado que foi além da simples passagem de mais um aniversário nacional.

Na quinta-feira, 17 de setembro, o Hotel Pestana recebeu uma cerimónia que juntou representantes do Estado são-tomense, corpo diplomático, partidos políticos, organizações internacionais, comunidade chinesa e outros convidados, num ambiente marcado por música, dança, brindes e uma exposição fotográfica dedicada a diferentes momentos da relação entre os dois países.

Entre os presentes estiveram a Primeira-Dama, Fátima Vila Nova, a Ministra de Estado dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Ilza Amado Vaz, o Presidente do Tribunal Constitucional, Artur Vera Cruz, membros do Governo, representantes diplomáticos e outras individualidades nacionais e estrangeiras.

A noite serviu também para recordar uma relação diplomática que nasceu praticamente no mesmo momento em que São Tomé e Príncipe entrou para a comunidade internacional como Estado independente.

Segundo a embaixadora chinesa, Xu Yingzhen, as relações diplomáticas entre os dois países foram estabelecidas em 12 de julho de 1975, data da independência nacional de São Tomé e Príncipe.

“Tal como vimos no documentário apresentado no início da receção, em 12 de julho de 1975, no mesmo dia em que São Tomé e Príncipe declarou a sua independência nacional, foram estabelecidas relações diplomáticas entre a China e São Tomé e Príncipe”.

Em setembro de 2024, São Tomé e Príncipe e a China decidiram elevar as relações bilaterais ao nível de parceria estratégica, durante a participação são-tomense no Fórum de Cooperação China-África, em Pequim. A decisão foi formalizada numa declaração conjunta que prevê o aprofundamento da cooperação em áreas como agricultura, saúde, infraestruturas, educação, cultura, economia e novas áreas de desenvolvimento.

As imagens apresentadas durante a cerimónia funcionaram como uma espécie de memória visual de uma cooperação que, segundo a embaixadora Xu Yingzhen, se materializou em diferentes sectores.

Na saúde, a diplomata destacou a presença de equipas médicas chinesas. Na agricultura, referiu a cooperação através de equipas técnicas. Acrescentou projetos de habitação social, reabilitação de estradas, drenagem comunitária, fornecimento de veículos, arroz e sistemas domésticos de iluminação fotovoltaica. A lista apresentada pela embaixadora inclui ainda assistência técnica nos sectores da energia, agricultura e combate ao paludismo.

Xu Yingzhen apontou novos avanços na reabilitação de estradas e na construção de centrais fotovoltaicas e anunciou a chegada de equipamentos de inspeção não intrusiva destinados ao aeroporto e ao porto de São Tomé e Príncipe. “Estes projetos, materiais e equipas técnicas constituem expressões concretas da amizade entre os dois países”.

A programação cultural mostrou uma dimensão menos formal da relação bilateral, precisamente aquela que a ministra Ilza Amado Vaz destacou no seu discurso ao defender que a amizade entre os povos não se constrói apenas através de acordos entre governos.

Ilza Amado Vaz apontou o intercâmbio cultural, a educação e o contacto entre pessoas como instrumentos para aproximar as duas sociedades.  “Neste domínio, saudamos o crescimento dos intercâmbios entre São Tomé e Príncipe e a China e encorajamos a criação de novas pontes entre as nossas sociedades”.                  

A embaixadora Xu Yingzhen também fez referência ao recente concurso de canções chinesas “Som em São Tomé e Príncipe”, realizado pela primeira vez pela Embaixada da China no âmbito do Ano China-África de Intercâmbio entre os Povos, com participação de são-tomenses interessados na língua e na cultura chinesas.

A ministra Ilza Amado Vaz reafirmou a disponibilidade de São Tomé e Príncipe para continuar a trabalhar com a China no quadro da parceria estratégica, defendendo uma cooperação orientada para resultados concretos e para o desenvolvimento sustentável. “Desejamos igualmente que a amizade entre São Tomé e Príncipe e a República Popular da China continue a fortalecer-se e a produzir frutos em benefício das gerações do presente e do futuro”.

A ministra, Ilza Amado Vaz chamou ainda a atenção para desafios que ultrapassam as fronteiras nacionais, alterações climáticas, segurança alimentar e energética, saúde pública, transformação digital e desenvolvimento sustentável, e defendeu maior diálogo e cooperação internacional, particularmente em benefício dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. “Para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, como São Tomé e Príncipe, estes desafios assumem uma dimensão particularmente importante”.

Do lado chinês, Xu Yingzhen apontou igualmente para uma nova fase da relação, defendendo o aprofundamento da parceria estratégica e da cooperação prática.

Entre imagens, música, dança e brindes, a recepção dos 77 anos da República Popular da China acabou por funcionar como uma fotografia do presente de uma relação com mais de cinco décadas, uma relação que começou no ano da independência de São Tomé e Príncipe e que, desde 2024, procura dar um novo significado à palavra parceria.

“A China está disposta a trabalhar em conjunto com São Tomé e Príncipe para prolongar a nossa amizade tradicional, aproveitando a oportunidade proporcionada pela implementação dos resultados alcançados na 6.ª Cimeira do Fórum de Cooperação China-África, em Pequim, e pelo tratamento de tarifas zero”.

A recepção dos 77 anos da República Popular da China, realizada em São Tomé, reuniu autoridades, diplomatas, representantes políticos, comunidade chinesa e convidados numa noite marcada por memória, cultura e referências ao aprofundamento da cooperação bilateral.

Waley Quaresma

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