Sociedade

OMS faz alerta sobre medicamentos falsos e de baixa qualidade  

 

Em comunicado, agência da ONU relata situação em vários países em desenvolvimento incluindo Angola e Guiné-Bissau; estimativa é que comércio de falsificados movimente mais de US$ 30 bilhões em nações de baixa e média rendas.

Foto: OMS

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que um cada 10 medicamentos vendidos nos países em desenvolvimento é falso ou de qualidade inferior.

Um relatório da agência foi lançado esta terça-feira, em Genebra, intitulado “sistema de vigilância e monitoramento global da OMS para produtos médicos de qualidade inferior e falsificados.”

Estudos

De acordo com o documento, é difícil quantificar com precisão a dimensão do problema. Entretanto, uma análise a 100 estudos cobrindo mais de 48 mil amostras realizadas entre 2007 a 2016 mostrou que as falhas de produtos nessa situação chegam a 10,5%.

Angola é citada no documento pela apreensão de 33 milhões de doses do medicamento Coartem, para tratar a malária, em 2012. Metade dos casos da doença no país podia ser tratada pelos remédios que tinham selo de qualidade e aprovação de agência da Nigéria.

Numa entrevista após assumir o posto na OMS de diretora-geral assistente, também responsável pela área de medicamentos e vacinas, a médica brasileira Mariângela Simão falou sobre o desafio dos remédios falsificados em países de língua portuguesa e como a cooperação entre as nações lusófonas pode ajudar.

Agência regulatória

“A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem que retomar algumas relações na troca de experiências na produção local. Já tem algumas experiências em alguns países, mas mais do que isso, provavelmente, é relacionado aos mecanimos de regulação de qualidade de medicamentos. Alguns países de língua portuguesa têm agência regulatórias mais fortes. Por agência regulatória, estou dizendo aquela agência que controla a qualidade do produto que está entrando no país.”

O Brasil é mencionado pela OMS por ter liderado um grupo de trabalho de países que desenvolveu orientações para ajudar a fortalecer a estrutura institucional e os procedimentos para baixar a produção e a venda de produtos falsificados e de baixa qualidade.

Renda

Em 2013, a Guiné-Bissau importou o medicamento fenobarbital contra convulsões ou ataques epiléticos. Nas pessoas que tomaram o remédio a condição se agravou. Assim que autoridades investigaram o caso, constataram que o endereço fornecido nos folhetos não existia.

A estimativa é que o comércio de medicamentos falsos esteja em torno de US$ 30,5 bilhões nos países de media e baixa rendas.

Os medicamentos de baixa qualidade também aumentam o perigo de resistência aos antibióticos, ameaçando minar o poder de medicamentos que salvam vidas.

O problema provoca a morte de dezenas de milhares de pessoas, sendo a maioria delas crianças que recebem tratamentos pouco para pneumonia e malária em África.

Internet

A agência declarou que a falsificação de remédios é uma ameaça crescente com o aumento do comércio farmacêutico, que inclui vendas na Internet de remédios não obedecem aos padrões de qualidade.

O relatório cita vários farmacêuticos em África que contaram que são obrigados a comprar de fornecedores mais baratos mas não necessariamente os mais seguros, para competir com comerciantes de rua ilegais.

As drogas falsas podem conter doses incorretas, ingredientes errados ou nenhum ingrediente ativo. Existe um número preocupante de medicamentos autorizados que não atende aos padrões de qualidade devido ao armazenamento impróprio e outras questões.

*Apresentação: Monica Grayley.

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