Sociedade

Celulite Necrotizante: Fundação Calouste Gulbenkian investiga a causa da doença

Várias dezenas de cidadãos são-tomenses foram afectados pela doença de origem desconhecida que foi reconhecida como problema de saúde pública pelas autoridades são-tomenses, nos finais do ano 2016.

A doença que ataca sobretudo os membros inferiores, é actualmente alvo de um projecto de intervenção coordenado pela Fundação Calouste Gulbenkian. «Este projeto, pretende identificar a causa para o surgimento anormal desta infeção dos tecidos moles (geralmente nos membros inferiores) por agentes microbianos, que pode causar lesões irreversíveis e debilitantes se não for rapidamente diagnosticada e tratada», refere a Fundação Calouste Gulbenkian, num comunicado enviado à redacção do Téla Nón.

Segundo o comunicado o projecto tem a duração prevista de quatro meses de Março a Junho de 2018.

O diagnóstico, cura e prevenção da doença são os grandes objectivos do projecto. « vai consolidar protocolos ao nível do diagnóstico, intervenção clínica e terapêutica, fazer a formação especializada de profissionais de saúde, bem como desenvolver um plano de prevenção e controlo da doença».

Porque a doença continua presente no território são-tomense, com o registo de cerca de 3 dezenas de casos por semana, o projecto de intervenção dá atenção especial à sensibilização da população. «O projeto tem como grupo-alvo toda a população são-tomense e, em particular, os doentes diagnosticados com celulite necrotizante (os dados epidemiológicos atuais apontam para 20 a 30 casos por semana), bem como os profissionais de saúde, designadamente do Hospital Ayres de Menezes e dos serviços distritais que venham a estar envolvidos», explica a Fundação Calouste Gulbenkian.

A intervenção para diagnosticar e tratar a celulite necrotizante em São Tomé e Príncipe, conta com uma equipa multidisciplinar que integra elementos do Instituto Gulbenkian de Ciência, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, do Hospital Egas Moniz e do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge e conta também com o apoio da Cooperação Portuguesa, da Direcção Geral de Saúde e do Ministério da Saúde de Portugal.

A Fundação Calouste Gulbenkian, acrescenta que o projecto tem o apoio «da indústria farmacêutica portuguesa que, através de articulação com o INFARMED, se associou à iniciativa com a doação de medicamentos, nomeadamente antibióticos. Também o Exército Português cedeu consumíveis laboratoriais e disponibilizou dois efetivos para reforço das equipas de pesquisa no terreno».

Abel Veiga

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