Sociedade

Negócio do código – “Pode ser 5 ou mais milhões de dólares…”

Foi com esta declaração que Cândido Frota(na foto em baixo), antigo chefe de uma das divisões da empresa CST, deu explicações a segunda comissão especializada da Assembleia Nacional, sobre o polémico caso do negócio que é feito há vários anos através do código indicativo de São Tomé e Príncipe, o 239.

Um negócio em que segundo o denunciante, o jurista Hamilton Vaz, lesa o Estado são-tomense(os cofres do Estado) na ordem de 5 milhões de dólares por mês. Um negócio lesivo ao Estado, feito segundo o denunciante pela empresa a que o Governo santomense concedeu o direito de gestão do código nacional. Trata-se da CST, empresa de capital misto Estado santomense(49%) e a PT(51%).

Cândido Frota, compareceu na sala de audiências da segunda comissão especializada da Assembleia Nacional, na qualidade de antigo Presidente do Conselho de Administração da Autoridade Geral de Regulação de São Tomé e Príncipe, (AGER).

No ano 2017, Cândido Frota deixou de ser chefe de uma das divisões da CST, e foi nomeado Presidente do Conselho de Administração da AGER.

O quadro santomense formado na área das telecomunicações descreveu para a segunda comissão especializada da Assembleia Nacional, as acções que desenvolveu enquanto Presidente do Conselho de Administração da AGER, para travar o negócio do sexline, desenvolvido há vários anos, pela CST, através do uso do código nacional o 239.  Um negócio que segundo Cândido Frota, é fraudulento.

«Quando estive na administração da AGER nós assinamos um contrato com uma empresa com sede em Suíça no sentido de dar um primeiro passo para poder eliminar este serviço fraudulento, que hoje as operadoras internacionais estão a utilizar o nosso código 239».

O ex-Presidente do Conselho de Administração da AGER, considera que o assunto em causa é de Estado. «Como sabem, até hoje há muita dificuldade em comunicar alguns países do mundo com São Tomé e Príncipe. Portanto, isto é uma questão de Estado, e o Estado tem que zelar por isso e ter com certeza uma forma de resolver esta questão», frisou, Cândido Frota.

O ex-chefe de divisão da CST, e ex-Presidente da AGER, pede mais investigação, porque há informações comprometedoras.  « Temos que investigar isso mais. Espero que o Governo aproprie-se disso e faça investigações para apurar a veracidade desse facto…. Portanto, temos algumas informações que são um pouco comprometedoras…..Pode ser 5 ou mais milhões de dólares. Mas essa questão é uma questão que ainda tem-se que investigar, solicitar informações à CST… O Estado santomense é que tem que determinar se pode seguir este processo adiante ou não», concluiu.

Abel Veiga

    10 comentários

10 comentários

  1. Dr. Joaquim Costa

    21 de Setembro de 2020 as 7:38

    Isso é uma grande verdade.
    Eu vivo na ucrânia e anos atrás tentei telefonar para São Tome para meus familires e sempre me atendia sexo portelefone e fiqui muito admirado e até zanguei com Os operadores da Ucrânia pensando que o sistema aqui estava a funcionar mal. Mas depois deter acontecido isso varias vezes e por muito tempo deixei de ligar porque eficava caro.

  2. Manuel Aragão

    21 de Setembro de 2020 as 7:50

    Enquanto os sucessivos governos encontrarem na CST uma empresa para nomearem os seus militantes ociosos como membros do Conselho de Administração, estes negócios que prejudicam o Estado e o Povo Santomense não vai parar.
    As reuniões do Conselho de Administração da empresa CST são feitas em Portugal, onde os ditos políticos ociosos vão assistir, ocupando a primeira classe de avião da TAP, bom Hotel em Lisboa, bom bacalhau com vinho verde, boas notas de euros no bolso, na reunião não abrem a boca e só estão lá para assinar o relatório final, que muitas vezes nem sequer leem.
    Por isso mesmo este negócio de sex line que já foi denunciado a mais de 30 anos continua a prejudicar os santomenses e nenhum governo foi ou é capaz de travá-lo.
    Senhor como Presidente do Conselho de Administração de AGER pode perfeitamente mandar suspender esta porcaria de negócio, ou então o senhor não é nem deve ser considerado Presidente do Conselho de Administração de uma instituição tão importante como AGER.
    Andamos nas brincadeiras neste país.
    O Estado Santomense tem 49% de uma empresa em que o proprio Estado não sabe nada que passa dentro dela
    Que tenham vergonha na cara
    Assim vai o nosso STP

    • arroz podre

      22 de Setembro de 2020 as 9:50

      Para minimizar esses assuntos entre outros que ainda não saíram à superfície, deve-se reformular o organigrama da CST. Lá na CST só existe um Administrador Delegado e é estrangeiro nomeado pelo outro acionista. Então proponho que seja nomeado um Administrador Nacional com funções executivas. Porque o conselho de administração existente é não executiva e só vai assinar os papeis e nem leiam os documentos como deve ser. E é isso que dá. Temos que mudar muita coisa.
      Espero que seja uma boa contribuição.

  3. Sem assunto

    21 de Setembro de 2020 as 9:35

    Não queremos que isto tome rumo de “tirar corpo”. Assunção deste esquema terá que ser feita por alguém ou alguma entidade. Sabe-se de que nesta terra selvagem e barbara os casos morrem sem que se apure a verdade.
    É imperativos a mudança deste paradigma.

  4. Pedro Costa

    21 de Setembro de 2020 as 10:58

    Muito bem meu caro Manuel Aragão.
    O que disseste é uma verdade. Muitos responsáveis de S.Tomé e Príncipe assinam documentos de olhos fechados. Também não têm olhos abertos! DENTCHÍ BÉTU TAN
    É por estas e outras que penso que este país não deveria ter um Presidente e um Primeiro Ministro com vários ministros. Deveria sim ter um Presidente da República e vários Ministros (talvez uns 5 ou 6), porque muitos gente que ali estão não fazem nada neste país. Só andam a sugar o país.

  5. Fuba cu bixo

    21 de Setembro de 2020 as 14:52

    É de tirar chapéu o advogado que denunciou isto é realmente um verdadeiro ativista do povo e fez um grande trabalho de investigação que poderia ser feito por jornalistas mas infelizmente os nossos jornalistas estatais só servem para fazer propaganda para o governo.

  6. mesada

    21 de Setembro de 2020 as 17:02

    Os membros de governo de então ou pelo menos o ministro que propôs a assinatura da referido acordo é que devia ser acusado criminalmente. Muita brincadeira numa terra que nada se passa e ninguém é condenado por prejudicar o Estado.

  7. Tomas Mendonça

    21 de Setembro de 2020 as 17:33

    Mais uma vez, isso prova de que nós (Santomenses) estudamos só para dizer ao vizinho de que somos “Doutores e Engenheiros”.(Melhor os Cambistas e as palaiês, esses pelo menos têm as suas contas organizadas). Como é possível, termos 49% da CST, fazermos parte do conselho da Administração, assinarmos actas de Assembleia Geral, mas não sabemos o que se passa lá dentro! Como estarão outras empresas na mesma situação, como BISTP,…
    Mesmo com os nossos 91,1% de Alfabetização não tem nos ajudado!? Passa-se alguma coisa de fundo. O que será?
    Quem sabe um dia descobriremos.

  8. Adalio Araujo

    21 de Setembro de 2020 as 19:44

    Ha uns anos atrás também tivemos esse problema aqui nas Ilhas Virgens. Por causa do uso do nosso indicativo para fins sexuais a ATT, o Sprint e as outras companhias cancelaram todas e quaisquer chamadas pra STP. Esse é um problema que deve ser resolvido. Até diria que esta é uma situação vergonhosa que está a enriquecer alguém e não STP.

  9. Ralph

    22 de Setembro de 2020 as 6:53

    Não percebo como as pessoas que fazem este tipo de coisa conseguem dormir à noite. Mostra que alguma gente realmente não tem uma bússola moral.

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