Sociedade

O papel do Director de Turma na Mediação do Conflito Escolar

Ondina Afonso Viegas Dias

Mestre em Ciências da Educação, especialização em Administração, Regulação e Políticas Educativas, pela Universidade de Évora

 

SOBRE…….O PAPEL do Director de Turma na Mediação do Conflito Escolar: Um estudo feito no 2º Ciclo do Ensino Secundário no Liceu Nacional….

Foi desenvolvida uma investigação sob orientação daProf. Doutora Marília Favinha, da Universidade de Évora.

 

A investigação abordou o papel do Director de Turma (DT) no âmbito das suas funções no 2º ciclo do ensino secundário, no Liceu Nacional em São Tomé e Príncipe. Tendo como principal objectivoestudar e reflectir sobre as concepções e as representações que os Professores e os DT possuem relativamente ao seu perfil e às funções como mediador do conflito escolar, trouxe ao debate e à reflexão o papel do DTcomo agente de gestão curricular e líder de equipas pedagógicas, consolidado na sua ação de mediação na escola e entre a escola e a família.

O estudo utilizou uma metodologia de investigação mista, com base num estudo de caso de natureza exploratória, analítica e propositiva. Foi aplicado um inquérito por questionário, a quarenta e quatro DT, do 2º ciclo do Ensino Secundário e um inquérito por entrevista a seis professores previamente selecionados.

O propósito foi o de produzir conhecimento que possa contribuir para reforçar a importância do papel do DT na mediação de conflitos em contexto educativo, no 2º ciclo do ensino secundário em São Tomé e Príncipe.

Em São Tomé e Príncipe, a função do DTresulta de uma mudança estrutural e organizacional do sistema de ensino, numa figura que tem estado a ser colocada, nas reformas educativas, como uma peça fundamental de coordenação pedagógica que se preocupa com o desenvolvimento e a promoção do sucesso educativo dos alunos.As suas competências foram alargadas com a entrada em vigor do Decreto-lei nº: 38 (2010), no artigo 41º, onde se faz referência às competências atribuídas ao DT. A análise dessa mudança é de extrema importância, pois apresenta o ajustamento sócio-cultural dos últimos anos em São Tomé e Príncipe. Saliente-se que no sistema educativo, a nomeação desta figura é feita através do Director da Escola, sendo privilegiado o senso de responsabilidade dos professores e também a disponibilidade no horário do mesmo. O que nem sempre possibilita que sejam os professores com maiores capacidades para o exercício do cargo, que o possam aceitar.

Considera-se que o DT é a base da relação educativa, pelo facto de ser o docente que acompanha, apoia e coordena os processos de aprendizagens e maturação, estabelecendo a comunicação entre os professores, alunos, pais, encarregados da educação e os restantes agentes educativo.

Destacam-se algumas das competências do DT contidas no documento legislativo santomense (Decreto-lei nº: 38, no artigo 41º):

  1. Presidir aos conselhos de turma; b)Proceder eleição dos delegados e subdelegados da turma e destituir os mesmos das funções, sempre que para tal, haja fundamentos; c) Reunir com os alunos, para apreciar matérias relacionadas com o funcionamento da turma, no horário semanal estipulado para o efeito;
  2. d) Controlar as faltas e os atrasos dos alunos, exigindo as respectivas justificações; e) Deferir ou indeferir as justificações de faltas apresentadas pelos alunos ou pelos pais e ou encarregados da educação, em conformidade com o disposto no regime-disciplinar e com os critérios para o efeito, adoptados pelo conselho de DT; f) Registar nos livros de termo, pautas, fichas destinadas aos pais e ou encarregados da educação e na folha do dossier de turma, as informações decorrentes da avaliação do aluno; g) Promover a divulgação das normas regulamentadoras da escola e do sistema educativo junto aos alunos; h) Cumprir e fazer cumprir as orientações da Direcção da escola.

Com base nos dados recolhidos concluiu-se que o papel do DT ainda não se encontra bem detalhado na legislação Santomense, verificando-se que, de forma implícita, estes já estão a exercer funções de liderança intermédia, essencialmente, estabelecendo uma boa relação entre a escola, a família e o aluno.

No questionário feito aos DT constatou-se que, o desenvolvimento e sucesso da sua acção depende do perfil da pessoa escolhida para o exercício do cargo. Concluiu-se também que a maioria dos participantes considera que, para a nomeação deste líder intermédio, é necessário que o mesmo tenha: qualidades pessoais, perfil de liderança e capacidade de comunicação e de relacionamento entre a direcção, a família e o aluno. Sobre os assuntos que se tratam nas reuniões do Conselho de Turma concluiu-se que a maioria dos DT consideram muito importante os seguintes assuntos: disponibilidade para atender as preocupações dos alunos e orientá-los; sondar, averiguar e resolver os problemas de conflitos dos alunos; organização de processo individual dos alunos e registo de faltas. Em relação aos factores que dificultam o trabalho do DTos inquiridos consideram de maior relevância:  o elevado número de alunos por turma e sala pouco arejada, falta de uma sala própria para o atendimento dos pais/encarregados da educação e alunos, falta de rigor no registo das ocorrências relacionada com a indisciplina e sua conexão ao processo individual do aluno, ausência dos pais/Encarregados de Educação na participação da vida escolar dos alunos e a falta de incentivo e valorização do cargo.

Relativamente ao contributo do papel do DT no desenvolvimento pessoal e profissional de quem exerce este cargo, constatou-se que os inquiridos defendem que o desempenho deste cargo os tornou mais responsáveis pelos alunos e fez com que os DT ficassem mais próximos dos seus alunos e desenvolvessem uma relação de confiança com eles. Os DT inquiridos afirmaram ainda que o desempenho deste cargo os ajudou a conhecer outras realidades diferentes das deles, a serem bons ouvintes, mais pacientes e a reflectirem sobre os problemas dos alunos e a compreender melhor os seus comportamentos.

De acordo com a opinião dos DT é preciso que a própria escola desenvolva nos docentes o espírito de trabalho colaborativo, como também implemente algumas estratégias de valorização do trabalho colaborativo, estimulando assim momentos de debates e reflexões entre os DT; e entre DT com os professores que leccionam na mesma turma, com vista a promover o diálogo entre estes agentes noutras situações sem ser somente no momento de conselho de notas ou quando haja um conflito, pois havendo esta proximidade poder-se-ão conhecer melhor os alunos e ajudá-los a superar as dificuldades do ensino-aprendizagem e relacionais.

 

    2 comentários

2 comentários

  1. Povinho

    13 de Novembro de 2020 as 8:48

    Não metam os DT em conflitos que eles não estão preparados para tal. No meu tempo havia DT, mas coitados; por simples informação que passassem ao professor no fim das aulas já havia um grupo fora a espera para ajustes de contas. Tenham cuidado quando tomam decisões que não convém levando as consequências aos filhos dos outros. O país tem tantos problemas para
    resolver, agora veem com mais um? Se existem conflitos nas escolas, que tal se pensassem em criar algum sistema de segurança para garantir o bem estar de todos os alunos. Não fazem porque não há meios financeiros? Aí está… O Banco Mundial não vai colocar a disposição do país nos próximos anos até 100 milhões de dólares. Onde é que estão as prioridades do país? Educação, saúde, agricultura, inovação, criação de empregos, etc, etc. O governo e os senhores que vão gerir esse dinheiro, que ponham-se a trabalhar e a pensar nos problemas que mais afetam o país.
    Reflictam sobre isto.

  2. Sergio

    14 de Novembro de 2020 as 22:31

    Gostei do texto um tarefa muito importante e uma tarefa muito importante para o DT Professores Alunos e EC.

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