Sociedade

OMS lança estratégia global para acelerar eliminação do câncer do colo do útero

Vacinação, rastreamento e tratamento são pilares para executar o plano; novos casos da doença podem subir 22% para 700 mil, se nada for feito até 2030; em relação às mortes na próxima década, alta poderia ser de 311 mil para 400 mil a cada ano.

Para promover a vacinação, o rastreamento e o tratamento, a Organização Mundial da Saúde apresenta esta terça-feira a Estratégia Global para Eliminar o Câncer Cervical, também conhecido como câncer do colo do útero.

Em nota divulgada em Genebra, a agência defende que a implementação bem-sucedida dessas três etapas poderia reduzir mais de 40% dos novos casos e 5 milhões de mortes relacionadas à doença até 2050.

Foto: Organização Pan-Americana de Saúde
OMS: o câncer de colo de útero é uma das maiores ameaças para a saúde das mulheres.

“Marco histórico”

Para a OMS, a Estratégia Global para Acelerar a Eliminação do Câncer Cervical é um marco histórico. Pela primeira vez, 194 países se comprometem acabar com a doença após adotarem uma resolução na Assembleia Mundial da Saúde deste ano.

A agência defende que todas as nações estarão em vias de eliminar a doença se cumprirem as metas definidas até 2030, que priorizam que 90% das meninas sejam totalmente imunizadas com a vacina contra o HPV aos 15 anos de idade.

Com base nessas metas, 70% das mulheres devem ser avaliadas por meio de um teste de alto desempenho primeiro aos 35 e depois aos 45 anos. Prevê-se ainda que 90% das mulheres diagnosticadas com doença cervical recebam tratamento.

A agência da ONU sublinha que a estratégia realça como “investir nas intervenções para cumprir essas metas pode gerar retornos econômicos e sociais substanciais”.

Pandemia impede que mulheres de áreas rurais viajem para centros de referência para tratamento e os fechamentos de escolas interrompem os programas de vacinação nas escolas.

Trabalho

Pelas estimativas da agência, cerca de US$ 3,20 devem retornar à economia para cada dólar investido até 2050 e além devido à maior participação feminina na força de trabalho. Esse valor pode subir para US$ 26 considerando os benefícios da melhoria da saúde das mulheres em famílias, comunidades e sociedades.

Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, eliminar qualquer câncer “seria como um sonho impossível”, mas agora existem ferramentas econômicas e comprovadas para realizar esse sonho.

O chefe da agência observa que o mundo só pode acabar com o câncer cervical como um problema de saúde pública se combinar o poder das ferramentas já existentes “com determinação implacável para expandir o uso em nível global.”

O câncer cervical é a quarta doença cancerígena mais comum entre as mulheres em todo o mundo, apesar de ser evitável e curável quando detectado cedo e tratado de forma adequada.  Sem novas medidas, o número de novos casos deve aumentar de 570 mil para 700 mil entre 2018 e 2030. Já as mortes deverão subir de 311 mil para 400 mil a cada ano.

Mortalidade

A agência realça que em países de renda média, a incidência da doença é quase duas vezes mais alta e as taxas de mortalidade são três vezes maiores do que em economias de alto rendimento.

Para a diretora-geral assistente da OMS, Princess Nono Simelela, a enorme mortalidade associada ao câncer cervical reflete “décadas de negligência por parte da comunidade global de saúde”. Ela defende, no entanto, que isso pode ser mudado.

A representante aponta atividades essenciais como “a disponibilidade de vacinas profiláticas, abordagens de baixo custo para rastrear e tratar os precursores do câncer cervical e novas abordagens para o treinamento cirúrgico”.

Simelela aponta ainda que por meio de um compromisso global compartilhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e sem deixar ninguém para trás, o mundo traça “um novo rumo para acabar com o câncer cervical.”

Pandemia

A realidade da Covid-19 é um “momento desafiador” no lançamento da estratégia. A OMS aponta desafios para a prevenção de mortes por câncer, incluindo a interrupção dos serviços de vacinação, triagem e tratamento.

A agência frisa dificuldades com o fechamento de fronteiras, que reduziu a disponibilidade de suprimentos e impediu o trânsito de técnicos qualificados para manter o equipamento.

As novas restrições também impedem que mulheres de áreas rurais viajem para centros de referência para tratamento e os fechamentos de escolas interrompem os programas de vacinação nas escolas.

O apelo feito aos países é que na medida do possível, “possam garantir que a vacinação, a triagem e o tratamento possam continuar com segurança, com todas as precauções necessárias.”

Futuro

Princess Nono Simelela disse que o combate ao câncer do colo do útero também é uma luta pelos direitos das mulheres, sendo que “o sofrimento desnecessário causado por esta doença evitável reflete as injustiças que afetam de forma particular a saúde das mulheres em todo o mundo”.

A representante ressalta que com união “pode se fazer história para garantir um futuro sem câncer cervical.”

Para acompanhar o lançamento, a OMS apoia o dia de ação com atividades de ministérios da saúde, parceiros e ativistas contra o câncer para um melhor acesso à prevenção e ao tratamento de meninas e mulheres.

Vários monumentos icônicos são iluminados na cor verde-azulado desde as Cataratas do Niágara na América do Norte até o Dubai Frame e o horizonte de cidades em toda a Austrália.

PARCERIA – Téla Nón / Rádio ONU 

    1 comentário

1 comentário

  1. Como será

    19 de Novembro de 2020 as 12:43

    Vamos simpensar em vacinas para prevenir, sim mais tambem nao se deve esquecer do câncer da próstata que tambem mata muitos homens. Bem haja a iniciativa.

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