Sociedade

Melhorar o ensino público das Artes Visuais em São Tomé e Príncipe

E se o ensino público das Artes Visuais em São Tomé e Príncipe pudesse ser melhorado? Foi este o desafio que me propus ao desenvolver um projeto em contexto escolar e envolvendo duas realidades tão distintas, como a portuguesa e a santomense.

Aterrei pela primeira vez em São Tomé e Príncipe em Setembro de 2011, para dar aulas de Artes Visuais aqui, no Liceu Nacional, na cidade de São Tomé.

Já foi há praticamente 10 anos que cheguei às ilhas e durante toda esta década nunca nos perdemos de vista! Naquela altura, vim integrada num projeto de cooperação, com o apoio oficial das entidades envolvidas.

Da minha experiência no terreno, pude rapidamente concluir que havia vários desafios pela frente. Os professores precisavam de adquirir ferramentas e metodologias de ensino e de receber um salário mais digno e justo que os motivasse a exercer a profissão. Os alunos precisavam de uma escola com salas em melhor estado de conservação e mais bem equipadas, para receber um número tão elevado de estudantes. Mas foi nas Artes Visuais que encontrei mais carências, sobretudo de instalações adequadas à prática artística e de materiais e suportes.

Para dar uma ideia, os alunos do curso de Artes Visuais trabalham numa sala muito pequena, muito quente, sem espaço para se movimentarem, com mesas e cadeiras partidas, sem cavaletes. Nem sequer têm um armário para guardar materiais e trabalhos em segurança. Já para não falar da falta de capacidade para comprar materiais com os seus próprios meios.

Esta realidade impressionou-me e senti que tinha de fazer o que estivesse ao meu alcance pela educação artística deste país. Decidi desenvolver um projeto em contexto escolar que envolvesse os dois países: Portugal e São Tomé e Príncipe. Este projeto está enquadrado no Mestrado em Ensino de Artes Visuais da Universidade de Lisboa e foi pensado para trabalhar em simultâneo com duas turmas de 12.º ano, na disciplina de Oficina de Artes: uma em Lisboa, na Escola Secundária Vergílio Ferreira; outra em São Tomé, no Liceu Nacional.

A ideia era cada aluno fazer uma pintura a partir de uma descrição gravada em áudio por outro aluno. Cada aluno escolheu uma paisagem do seu país e escreveu um texto a descrevê-la detalhadamente. De seguida, gravou o texto em voz alta e esse registo áudio viajou até ao outro país. Outro aluno, de forma aleatória, pegou nele e representou a paisagem através da pintura, sem nunca a ter visto antes.

Comecei o projeto com os alunos de Lisboa. Depois vim até São Tomé, trazendo na mala materiais e suportes para os alunos do Liceu, que todos os dias carrego comigo para as aulas. Comigo vieram também os trabalhos dos alunos de Portugal, para organizarmos uma exposição de todas as pinturas no final deste projeto.

O meu nome é Ana Luísa e gostava muito que apoiasses esta campanha! Os fundos angariados vão servir para cobrir os custos deste projeto, para comprar ainda mais materiais para os alunos de São Tomé e um armário para os guardar. Vão ainda contribuir para a atualização da sala de artes e para a montagem das exposições dos alunos.

Sei que o pouco que faço é uma ínfima parte daquilo que ainda falta fazer pelo ensino público das artes neste país, mas acredito que qualquer contributo pode e irá fazer a diferença. Vou pôr-te a par de todas as notícias sobre este projeto, as melhorias feitas na escola, o trabalho realizado com e pelos alunos.

Ah, e teremos todo o gosto em ver-te na inauguração da exposição em São Tomé ou em Lisboa, sob o tema “Paisagens faladas: uma correspondência entre Portugal e São Tomé e Príncipe”!

Muito obrigada e zawo non ka bé! (“até breve” em forro, uma das línguas nacionais)

Ana Luísa Pinheiro Antunes. Licenciada em Artes Plásticas pela Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha e finalista no Mestrado em Ensino de Artes Visuais da Universidade de Lisboa.

Foi em Setembro de 2011 que tomei contacto com a realidade educativa santomense, integrada num projeto de cooperação que ambicionava melhorar a qualidade do ensino no país, de forma sustentável e adaptada à realidade de São Tomé e Príncipe.

Acompanhe mais pormenores no site seguinte – https://ppl.pt/causas/arte

    1 comentário

1 comentário

  1. Lima

    21 de Junho de 2021 as 14:51

    Como es professora de artes podes atravez das caixas,dos velhos armarios ,de materiais recuperados deixados ao abandono fabricar armarios ,fabricar o que serve para instalacao das pinturas,dos desenhos etc.Muitas vezes com pouco faz-se muito e devagar se vai a longe.Isso nao quer dizer que nao se deve lutar para comprar materiais adequados para esse ensino.Nenhuma ave voa logo que nasce.O facto de virem a STP com projetos sem fazer o estudo da capacidade,dos meios que o pais tem para por na pratica esses projetos faz com que o pouco de fundo financeiro desapa rece e o projeto tambem.Pensem bem o crime a quem serve.Falsos ou verdadeiros esses projetos?

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