Sociedade

Danijoy Pontes – Jovem são-tomense, morto, não fala à justiça portuguesa

Ligaram para mim no trabalho… Eu estou no trabalho, onze e quinze, onze e vinte. O telefone quando tocou, eu atendi contente. Oi amor! O que se passa?

Depois ela disse. Não é o Dani. Sou eu, a doutora. Esqueci-me do nome dela. Porquê doutora? 

… Eu disse. Boas notícias, doutora!? Ela disse, não! Porquê? O meu filho está doente? Não! O meu filho foi agredido? Não, dona Alice! Pior. O quê?

O teu Dani, morreu!”

Assim!? Foi a mensagem dura e nua transmitida por uma responsável prisional à mae africana de um jovem, prisioneiro, a cumprir a pena de seis anos no Estabelecimento Prisional de Lisboa pelo que consta, assalto de telemóvel.

“Assim! Do nada. Assim! Eu só sei, quando eu despertei, eu estou dentro da ambulância.

Não procuraram de saber, se eu tenho problema de tensão, de saúde. Não! …Só me ligaram e deram a informação. Nunca mais ninguém entrou em contacto comigo.”

Embora na prisão, nada de temível direcionava ao desfecho tão armadilhado, a bomba-relógio, quase, a perigar uma segunda vítima humana.

Na terça-feira(14.09.2021) de manhã, ele me disse que ele saiu de castigo e, a noite, ele morre!? Não sei! Isso é estranho! Estranhíssimo!” 

Tardiamente, chegou-me a dolorosa notícia com a reação de Alice Costa, a mãe de Danijoy Pontes, de 23 anos, o jovem falecido no passado dia 15 de Setembro corrente, à custódia da Polícia do Estabelecimento Penitenciário de Lisboa, na entrevista concedida à Solange Salvaterra da RSTP. “Masantes!

Como estimula as boas práticas, há toda a necessidade em ir lá atrás vasculhar um pouco de testemunho são-tomense e ouvir de quem de direito, antes de prosseguir com o depoimento e desespero da mãe do jovem malogrado.

… Nós estamos a acompanhar pelos canais diplomáticos e através da justiça. Vamos acompanhar, vamos acompanhar. Vou pedir-lhe que terminemos…!

Embebido do tempo de candeeiro, em que o problema do vizinho, na Trindade, contagiava-se ao complicado mil e um problemas da “siora” Mosa e, na compreensão da mais pura lição da vida “Suba ku monha Damion, Lixandê pôtê di ceto”, em tradução praguejada, a pesada cruz do vizinho, há-de cruzar o teu caminho e, não só, recentemente, entendi pedalar atrás da tragédia de 24 de Maio de 2020.

Na passagem do 1o aniversário do assassinato, de um jovem, filho da terra, no solo português, fui junto ao sobrevivente de Seixal, saber da saúde e do processo-crime, mas a recomendação da advogada do caso e o sacro segredo da justiça, não me acenderam a luz. Sustento-mena promessa, de quase um ano, assumida pelo Chefe do XVII Governo são-tomense.

“… Em relação a todos esses casos e sobretudo, tratando-se de um país como Portugal, um Estado de Direito em que a justiça, acredito eu, estar, deve estar muito mais rotinizada, muito mais avançada do que nós, eu espero bem que a justiça seja feita, seja em relação aos cidadãos são-tomenses como em relação a qualquer outro cidadão. Portanto que, eu espero bem, que esse processo se faça, até porque não se pode estar a assassinar barbaramente pessoas indefesas.

Jorge Bom Jesus, no dia 6 de Agosto de 2020, na Grande Entrevista (reconhecimento pela disponibilidade e exposição pública, sem covardia) concedida à RSTP de Solange Salvaterra e Josimar Afonso, garantiu de que o Estado africano e da lusofonia, finalmente, iria reagir ao assassinato por fuzilamento, à luz do dia, na praça pública (como a antiga moda dos talibãs) e vídeo partilhado nas redes sociais, de um jovem e ferimento grave de dois outros familiares, na diáspora.

Não havia matéria para incidente diplomático, o absurdo, mais de dois meses após ao assassinato de Wiston Rodrigues, o Primeiro-ministro da Nova Maioria e a corja da praça, incluindo da oposição, na altura, à deriva pelo silêncio ensurdecedor, JBJ em confissão de fraqueza, subordinação cega e mãos estendidas aos parceiros, cingia “on line” na RSTP e aos olhos incrédulos dos cibernautas, o compromisso das autoridades.

Eu penso que sim. Eu vou pedir pelos canais próprios, nós temos estado a acompanhar, mas eu depois, vamos acompanhar o processo, até porque cabe ao governo defender todos os são-tomenses, dentro e fora do país.

No último fim-de-semana, calhou-me desta vez, ao atualizar os vídeos partilhados até mim, surpreendentemente, embaterem mais um demolidor grito, triste, pesaroso e de morte de um outro jovem são-tomense também na diáspora portuguesa.

Na terça-feira (14.09.2021) o meu filho, nunca, não me tocou que ele está doente, está com dores. Nada. Falou comigo, inclusive alegre. Alegre! Eu não acredito de que é uma morte natural.

Não cheguei à mãe enlutada – a quem apresento as sentidas condolências, extensivas à família enlutada – a segurança profissional que, em busca de pão e caderno, longe do pai dos filhos, Justo Pontes, residente em São Tomé, deixa a casa de manhã e só regressa, noite cobrida, por completa, a semana de trabalho.

Visualizei os vídeos da família, enlutada e em cólera, incluindo a entrevista da RSTP, agradecimentos especiais à Solange Salvaterra por ter dado a voz de consternação, reclamação e, no fundo, consolo à mãe do jovem morto à guarda policialeuropeia. Nada melhor que replicar excertos da entrevista.

Oh mãe! Me dão  um medicamento aqui, que eu durmo muito. Isso tá a dar cabo de mim!”

No direito democrático, as famílias sem recurso financeiro, recorrem à Segurança Social, que lhes coloca à disposição a proteção jurídica, de borla, em regra geral, exercida por diplomados, frescos de advocacia.

Havia uma advogada oficiosa. Parecia ser uma boa pessoa que ia fazer de tudo para ele sair de pena suspensa ou com a pulseira eletrónica. Isso não chegou a acontecer…

Contratei uma outra advogada, já me fez o valor de mil euros. Já comecei a pagar ela e tudo mais. Ela foi para cadeia visitar o meu filho, conversaram e ela entrou em contacto com a outra advogada para pedir os processos

Só que aquela outra, nunca mostrou a vontade de boa-fé para trocar. O rapaz já é maior de idade, tinha de ser ele a assinar para trocar de advogada, mas para isso, tinha de ser a advogada a ir para lá para trocar e, a advogada não ia. ”

No cumprimento de pena, está universalmente inscrito, a recuperação e reintegração social do prisioneiro, o que para tal, conta bastante o aconchego e a merenda familiar.

Ele pôs (visitantes) o meu nome e o do irmão (mais velho e amigo). O irmão, nunca deixaram entrar.”

Não será que as apertadas medidas sanitárias e afastamento social, estabelecidas no quadro de controlo à Covid-19, obrigaram ao ajuste prisional?

Há muitos reclusos que lá estão e entram mãe, pai e a esposa… O meu filho não tinha esse privilégio. Quando eu não tenho tempo de visitar, ele não tem visita

Ele fez marcação na terça-feira, para ir ver ele, na quinta-feira. Na quinta-feira, eu não acreditei que ele morreu. Eu fui para ver se eu conseguia ver ele na visita.”

O jovem pecador, sentenciado no dia 12 de Julho, após onze meses de detenção provisória, não terá sido um refilão, desrespeitador de normas prisionais para lhe ser aplicado medidas duras e excecionais?

Eu falei com alguém, um comissário lá (na quinta-feira, em que ela não acreditou na morte do filho). Ele me disse que o meu filho Dani, é muito respeitado. Não mete, é um rapaz sempre no lugar dele. Ele morreu uma morte natural, morreu a dormir…

As lágrimas das dores de mãe, sem fim, não se contam pelos dedos de qualquer cantiga, pior, uma morte por esclarecer, a autópsia deveria ser feita na ausência de representação familiar? Foi concluída a cirurgia plástica de compor os eventuais danos físicos no defunto!? Mil e uma dúvidas.

O meu filho era estreito. Ele ficou (na cadeia) inchado.

… Se eu não contratava o advogado, nem sabia que ele foi autopsiado. Ninguém fez questão de me ligar para avisar. Ninguém!

Eu fui para o Instituto da Medicina Legal, na quinta-feira, dia 16, disseram-me que eu não posso entrar sem ordem do Tribunal para ir ver o rapaz. Isso é muito triste…

Porque, quando o meu filho foi detido, me chamaram para ir confirmar, se era o meu filho. E quando é a morte, não me chamam para confirmar…

Não consegui reconhecer até a data presente (dez dias depois da informante  prisional).Um desespero que eu tenho muito grande.

A mãe de um afro-descendente, cumpridor de pena criminal, em Portugal, também é criminosa, ao ponto das mães africanas, constantemente, relatarem o abuso, o desrespeito e a humilhação por que são vítimas nas visitas aos seus filhos, prisioneiros, em dupla pena. A violência psicológica não se resume à porta de cadeia.

Nenhuma instância portuguesa mais, me ligou para falar comigo… Ninguém mesmo. Ninguém. Isto é muito triste. Muito revoltante e muito triste.

… Apoio psicológico!? Apoio psicológico que eu tenho, é eu mesma a me acalmar e a tentar acalmar aos meus filhos. Apoio psicológico, de ninguém!

Só Deus, é que sabe como eu estou a passar. Desde quarta-feira que eu não durmo. Eu não durmo mais…E é isso!”

De São Tomé e Príncipe, espera-se a solidariedade, ao mais alto nível e dos políticos, em geral, como decorre dos países em que os dirigentes, são capazes dar um passo em frente e o outro atrás, caso haja excesso, no que toca a vida da sua diáspora.

O embaixador (António Quintas) falou comigo… Ele me disse que já entrou com o pedido para Ministério Público e está a aguardar a resposta… O mesmo que o meu advogado me disse, é o mesmo que a embaixada também me disse. E assim, eu estou aí nesse impasse.

O funeral do jovem que chegou a Portugal, aos dezasseis anos de idade, fez o seu percurso estudantil e iniciou a vida profissional, ficará ao cargo do Estado português ou são-tomense?

Eu é que tenho de fazer o funeral. Eu mesma é que tenho de contratar uma agência funerária para fazer o funeral.

Quer dizer, é uma coesa inacreditável. Uma coesa para o governo de São Tomé e Príncipe entrar, porque é filho da nossa terra, filho de STP que foi assassinado.

Hoje sou eu, amanhã pode ser outra pessoa. Eu não quero que isso chega ao pé de ninguém.

“Finta” do mundo

Apoie à Família do Danyjoy / NIB: 0035 0209 0001 6066 8306 9

IBAN: PT50 0035 0209 0001 6066 8306 9 /

MB WAY: 925016881

São Tomé e Príncipe  – Conta: 111 20 55 100 01 – Adilson Santo

No quintal de morte, os são-tomenses fazem “finta”, a solidariedade de familiares, amigos, vizinhos, conhecidos e não conhecidos, para ajudarnas despesas do enterro e de tudo quanto envolve a fatalidade. Daí que, no rodapé e insistentemente a entrevistadora, Solange Salvaterra Pinto, rogou ao mundo que juntasse as mãos à dona Alice Costa, através de depósitos nos dados bancários expostos.

Década Internacional de Afro-descendentes, 2015/2024

Tentei a SIC, TVI, Canal CMTV, fui para toda a parte, pessoalmente para lá …

Liguei para a RTP África. Nada! Liguei para todos os canais, nada. Liguei, liguei, fui pessoalmente. Não me deixaram…

O que mais me toca, é o meu filho foi morto ao cuidado do Estado. E o Estado abafou o caso como que ele fosse um cão.”

Não haveria de desperdiçar, o que é ser afro-descendente europeu, com Portugal na continuada, primeira linha de mãos duras dos seus juízes contra os africanos, na década Internacional de Afro-descendentes, 2015/2024, declarada pela Assembleia Geral da ONU, sob o lema “Povos Afro-descendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento.”

Sem despistar por detrás dos afro-descendentes surdos, mudos ou desconhecedores da disponibilidade da ONU, podia perder aqui, em dezenas e dezenas de páginas de noticiários continuados, em toda a comunicação social portuguesa,nos relatos e na justiça pública, acerca do comovente homicídio na mesma circunstância, à custódia do Estado português,do ucraniano Ihor Homeniuk, o Igor. Inicialmente, o SEF apressou-se a informar à embaixada ucraniana de que o cidadão barrado, algemado e castigado no aeroporto de Lisboa, faleceu por “problemas epiléticos”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi fustigado por não ter reagido, em público, contra o excesso que vitimou um europeu. A Provedora da Justiça ficou incrédula com o “tratamento cruel, desumano e degradante” do Igor. O governo do Primeiro-ministro, António Costa, indemnizou a família ucraniana em quase um milhão de euros, sem que o Ministério Público homologasse a culpa do Estado. Aimprensa portuguesa foi ouvir a esposa e a cidade do defunto. O Tribunal condenou os inspetores do SEF, a diretora saiu pela porta traseira e o ministério da Administração Interna, para lá do inquérito célere, virou a instituição cabeça para baixo. Pediu-se a cabeça do ministro Eduardo Cabrita.

O corpo foi transladado para o funeral na terra natal do defunto, a Ucrânia. Há mais. O juiz-conselheiro são-tomense, Hilário Garrido, recentemente, deu “afabal”  no Téla Nón, aulas de Direito, “Crime de homicídio simples ou qualificado – Caso Igor / SEF-Portugal” à reação do Estado português e mais por aí fora, para as mãos no queixo dos afro-descendentes na Europa, sem esticar a negra lista às Américas.

O Estado português, a imprensa e a sociedade, em geral, uma vez mais e em comunhão com a desonestidade parlamentar das afro-descendentes, estas a não cuspir no prato, as três estreantes deputadas, Joacine Katar Moreira, independente, Beatriz Gomes Dias, do Bloco de Esquerda e Romualda Fernandes, do Partido Socialista, lavaram, sem qualquer modéstia, as mãos de Pilatos e foram todos surdos à recomendação de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, para “enterrar os mortos e cuidar dos vivos”.

Eu perdi o meu filho como um ovo que cae das mãos e parte. Muito triste!

Eu vim aqui com os meus filhos (quatro) à busca do melhor, porque se São Tomé  tivesse um bom governo… Que não rouba, rouba só…

O que aconteceu lá (prisão) é a responsabilidade do Estado. O governo português tem que assumir a responsabilidade do meu filho…

Deixar-me ver o corpo do meu filho, antes de ser enterrado… A causa da morte do meu filho!? E a justiça na morte do meu filho!? E levar o corpo do meu filho enterrar na minha terra natal.

O meu filho não tem ninguém cá, em Portugal…

Muito triste deixar o meu filho aqui e ir para a minha terra. Praticamente, eu estou a abandonar ele aqui. Muito triste. Revoltante.

… Eu quero a justiça!

Que a pesada terra, seja leve ao jovem Danijoy Pontes! Descanse em Paz!

José Maria Cardoso

28.09.2021

    8 comentários

8 comentários

  1. Sem+assunto

    30 de Setembro de 2021 as 17:32

    Hilario Garrido é um bobo da corte que carrega ,por piraça, o nome do juiz nas costas.
    No caso Igor aquele ser pronunciou, será que também o fara no caso deste malogrado?
    O problema do juizinho Garrido, é o complexo de inferioridade, acha se e senti se português,esta sensação faz lhe sentir gente honrada, daí a sua insistência em trazer aqui matérias relacionadas com portugal. Coitado!
    O nosso país, os nossos diregentes, a nossa diplomacia é o refugo que é, por isso ninguém nos leva assério.

  2. wilson Bonaparte

    1 de Outubro de 2021 as 0:15

    Essa mulher é boa peça! Gostosonaaaaa passem o contacto vou sacudi-la que nem um pé de côco!

    • Engenheiro

      1 de Outubro de 2021 as 14:19

      Doentio…agora é que viste pra dizer isso?
      Vai passear!

  3. N/A

    1 de Outubro de 2021 as 4:08

    Título confuso, noticia mal escrita. Texto complicado de seguir. História triste.

  4. SANTOMÉ+CU+PLIXIMPE

    1 de Outubro de 2021 as 7:33

    Hoje sou eu, amanhã pode ser outra pessoa. Eu não quero que isso chega ao pé de ninguém.”

    “Finta” do mundo

    Apoie à Família do Danyjoy / NIB: 0035 0209 0001 6066 8306 9

    IBAN: PT50 0035 0209 0001 6066 8306 9 /

    MB WAY: 925016881

    São Tomé e Príncipe – Conta: 111 20 55 100 01 – Adilson Santo,,, NEGÓCIO OU DOR..

  5. EX

    1 de Outubro de 2021 as 9:18

    Meus pêsames a familiares e amigos do malogrado.

  6. Rapaz de riboque

    1 de Outubro de 2021 as 15:29

    Primeiro de tudo os meus sentimentos a mãe, e a toda família do jovem que foi morto, é uma dor perder um filho mesmo que tenha muitos defeitos, mas as pessoas agora falam nrste caso que infelizmente aconteceu, na cadeia em Portugal esquecem que ja aconteceu cá também lembram do caso do indivíduo que andava fugido por ter dado umas catanadas noa mulher, que se entregou tempos depois com ajuda do senhor Lázaro Afonso, que apareceu morto nas instalações da polícia antes de ser presente ao tribunal? O povo tem memoria curta, porque quando acontece uma coisa fora do país todos falam e parece que nunca acontece o mesmo cá então se for em Portugal ou algum pais europeu muito falam, e muitos herois aparecem

  7. Rapaz de reboque

    4 de Outubro de 2021 as 19:39

    Falam tanto mal de Portugal e vive lá tantos sãotomenses e alguns são parasitas vivem as custas dos que trabalham tenham vergonha antes de falar mal de Portugal queria ver se Portugal mandasse todos que estão lá para as suas terras como fizeram cá e nas outras ex colonias por isso que estamos nesta miséria tenham vergonha, quem sabe se foi um africano que matou o rapaz tipo ajustos de conta?

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