Sociedade

 “São Tomé, COP26 e Óleo de Palma”

É o título de um artigo de opinião publicado no último fim-de-semana no Jornal português, “Expresso”. De autoria de Manuel Ennes Ferreira – Professor do ISEG / ULisboa, o artigo destaca a problemática ambiental relacionada com a produção do óleo de palma.

Uma cultura que exige a desflorestação de milhares de hectares de terra. «O que contribui para as alterações climáticas e faz perigar os ecossistemas de fauna e flora» refere o professor Manuel Ennes Ferreira.

O artigo explica que por causa do grande impacto sobre os ecossistemas florestais, a questão de plantio de palmeiras esteve em debate na COP26 que terminou em Glasgow-Escócia. O continente africano que produz apenas 3,5% de óleo de palma a nível mundial, também esteve envolvido no debate.

É que segundo o artigo, um grupo de 9 países africanos assinou na COP22 realizada em Marrocos no ano 2016, um acordo regional africano, sobre o desenvolvimento sustentado no sector do óleo de palma.

Enquanto países africanos de grande dimensão territorial, estudam medidas para evitar o impacto da cultura do palmar sobre o ecossistema florestal, São Tomé e Príncipe que não subscreveu o acordo africano na COP22, devastou 5000 hectares de floresta, apenas na ilha de São Tomé, para plantio de palmeiras.

No artigo publicado no semanário português “Expresso”, o autor destaca a ilha do Príncipe, onde as autoridades locais, mais concretamente o ex-Presidente do Governo Regional José Cassandra recusou a introdução da cultura do palmar no Príncipe, contrariando o acordo assinado pelo Governo Central com o grupo privado Belga. Acordo que atribuía ao grupo privado Belga SOCFINCO, 1272 hectares da ilha do Príncipe, que deveriam ser desbravados (desflorestação) para plantio de palmeiras.

Príncipe contestou e resistiu até ao fim contra o projecto do governo central que poderia destruir grande parte do seu ecossistema florestal. Hoje Príncipe faz parte da rede mundial das reservas da biosfera da UNESCO. É referência nacional em turismo ecológico e sustentável.

Por sua vez a ilha de São Tomé é hoje grande produtora de óleo de palma. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas, divulgados pelo jornal Téla Nón indicam que no ano 2020, São Tomé e Príncipe exportou mais de 4882 toneladas de óleo de palma. O óleo de palma que é produzido apenas no sul da ilha de São Tomé é actualmente, o maior produto de exportação do país tendo pela primeira vez suplantado a exportação do cacau, que no ano 2020 só registou 2734 toneladas.

O impacto da desflorestação dos 5000 hectares de terras da Ribeira Peixe e seus arredores, sobre o ecossistema da região, ainda é desconhecido.

O leitor tem acesso a uma cópia do jornal “Expresso”, com o artigo “São Tomé, COP26 e Óleo de Palma”. – Ennes Ferreira, São Tomé, COP26 e óleo de palma

Abel Veiga

 

1 Comment

1 Comment

  1. Santo

    16 de Novembro de 2021 at 9:44

    A região autónoma do Príncipe não aceitou a desflorestação de terras para o cultivo de palmeiras, mas hoje o óleo da palma é fabricado em S. Tomé e no Príncipe esse produto compra-se a bom preço.

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