Sociedade

Empresa de construção civil do Príncipe constrange ministra da educação que diz ser um caso de Polícia

A escola Paula Lavres é o centro de ensino emblemático da ilha do Príncipe. A maioria dos habitantes da ilha, aprendeu o alfabeto português na Paula Lavres.

Antiga e degradada pelo tempo, a reabilitação da escola passou a ser uma das principais prioridades do Governo regional do Príncipe. No quadro da prospecção do petróleo na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe a empresa francesa Total atribuiu um fundo de 1 milhão de dólares para financiar projectos no sector da educação.

Para além de outros centros de ensino na ilha de São Tomé, a escola Paula Lavres da ilha do Príncipe foi contemplada com o financiamento da Total para reabilitação da infraestrutura escolar.

A Empresa SolMaior ST LDA, com sede na cidade capital do Príncipe, Santo António, foi a vencedora do concurso para reabilitar a escola.

As obras no valor de 491 mil 471 euros foram lançadas no passado mês de março e deveriam segundo o contrato estarem concluídas em 6 meses , ou seja, no mês de setembro.

Na última semana, a Ministra da Educação Isabel Abreu, acompanhada pela direcção da Agência Nacional de Petróleo, e pelo Presidente do Governo Regional do Príncipe Filipe Nascimento, visitaram a escola Paula Lavres.

«É uma visita constrangedora», afirmou a ministra da educação. Isabel Abreu avisou que pelas explicações dadas pelo encarregado da obra de reabilitação da escola, e face aos documentos que tem em mãos que reflectem o financiamento disponibilizado pela empresa Total, a financiadora da obra, assim como as informações recolhidas da equipa de fiscalização da obra e da empresa executora, «eu não entendi nada…Só sei que quem tem estado a sofrer são as crianças e os professores que estão a trabalhar em péssimas condições», frisou a Ministra da Educação.

9 meses depois do lançamento, a obra nem sequer começou de facto.

«O nível de execução é de apenas 15%. Mas o nível de pagamento ronda os 45%. Isso para mim é um caso jurídico», pontuou Isabel Abreu.

Um caso de polícia, que, no entanto, não foi accionada pela ministra da educação na cidade de Santo António. O comando da polícia do Príncipe localiza-se perto da escola Paula Lavres.

«Se fosse uma obra financiada pelo Orçamento Geral do Estado, entendia-se o atraso. Mas é uma obra financiada por uma empresa petrolífera que tem condições», reclamou a ministra.

A escola emblemática da ilha do Príncipe tem 6 salas de aulas. Segundo a ministra da educação a Empresa executora, SolMaior, « não dá satisfação a ninguém».

O Téla Nón apurou que individualidades políticas do Príncipe, que militam em coligações partidárias com projecção a nível nacional fazem parte da administração da empresa Sol Maior.

O governo regional do Príncipe está de mãos atadas. «O contrato não foi cumprido porque já ultrapassaram os 6 meses. Todo esforço que fizemos para conseguir o financiamento e hoje é a empresa executora que não cumpre com as suas responsabilidades, pondo em causa uma das prioridades da governação que é oferecer condições dignas para a educação de qualidade para as nossas crianças», declarou o Presidente do Governo regional Filipe Nascimento.

 Obras inconclusivas parecem ser a sina da ilha do Príncipe. Há 20 anos que Príncipe está a construir o primeiro bloco operatório da ilha, mas sem conclusão à vista.

Abel Veiga

8 Comments

8 Comments

  1. José António

    17 de Dezembro de 2023 at 8:17

    Caso da policia. E depois. Fica por aí? Porque é que não se chamou a policia na hora. Esta obra que está mesmo na barba dos governantes do Príncipe. O que é que fizeram par acompanhar as obras, exigir da empresa e fazer as coisas andar. É necessário que a Ministra saia de S.Tomé para ir fazer as coisas andarem no Príncipe? Uma obrinha de reabilitação de uma escola o Governo Regional não consegue fazer?
    E a empresa fiscalizadora. Está a dormir? O Príncipe tem meia dúzia de obras e o governo Regional não consegue dar resultados. O Governo tem um Presidente, tem vários secretários regionais, o Príncipe tem uma Assembleia com os deputados Regionais até tem deputados nacionais e não conseguem fazer uma obra no coração da cidade de reabilitação de uma escola? Isto é um REGABOFE total.
    Para quando a finalização das obras do Hospital do Príncipe???????????????????

    • Miguel Martín

      18 de Dezembro de 2023 at 20:57

      Antes de acusar a empresa de fiscalização de não fazer o seu trabalho, acho que você poderia ter-se dado ao trabalho de verificar do que está a falar. Eu, como Diretor da empresa de fiscalização, posso garantir-lhe que estamos a fazer o trabalho para o qual fomos contratados. Peço-lhe, por favor, que antes de acusar impunemente, se informe bem e não tente prejudicar o trabalho das empresas que tentamos trabalhar com rigor e profissionalismo

  2. Jorge Semedo

    17 de Dezembro de 2023 at 11:25

    Há nitidamente (a olhos nus) bloqueio das classes politica e governativa neste atraso inexplicável. Não querem que o Principe em particular e STP em geral avance. 20 anos para construir um bloco operatório para um “quintal” de aproximadamente seis mil almas, enquanto outro está a passar mais horas nas poltronas dos aviões (privados e fretados) do que no cadeirao do seu gabinete? Como pode o FMI confiar num País onde 4 sucessivos governos não conseguem construir um bloco operatório para apenas 6,000 almas? E recursos, doações, empréstimos, nunca faltaram nestes 20 anos. Agora todos (partidos políticos, governantes, médicos, economistas, administradores, PCAs, todos nós) estamos a receber o troco por parte do De FMI, pela governação escandalosa, do nosso país nestes últimos 30 anos baseada em ódios, vinganças politicas, em compadrios. Toda a “banga” governativa dos ultimos 30 anos foi da inteira responsabilidade dos parceiros internacionais que sempre canalizaram os parcos recursos dos seus contribuintes para sucessivos governos de vaidosos, preguiçosos mentais e vingativos. Ainda bem que as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente despertaram o FMI e outros parceiro de STP do sono profundo. Mais vale tarde do que nunca. STP está a colher o que sempre plantou. A culpa e de todos nós, sem excepção por termos andado a pensar com o segundo cérebro que são os intestinos nestes últimos 30 anos da nossa democracia vingativa.

  3. Abc

    17 de Dezembro de 2023 at 16:46

    A empresa Sol Maior é de um grupo de Portugal com representantes em São Tomé…

  4. Verdade

    18 de Dezembro de 2023 at 0:37

    Telanon falta com verdade. Empresa é de Portugal e não tem sede no príncipe. Unico político ligado a obra Paula lavres é Nestor Umbelina. Tem subempreitada de carpintaria através do sócio dele Caetano, Tem contrato de Aluguer de carro pra Solmaior e tem contrato de alojamento pra trabhadores de Solmaior… obra foi entregue através da petrolífera total… no mês passado vi no telejornal presidente Filipe a fazer visita e disse que ia chamar ANP, total e ministério pk empresa estava a fugir responsabilidade…

    • sol

      18 de Dezembro de 2023 at 16:39

      Senhor Verdade, fala o que sabe. Pelo facto de alugar um carro e ou casa, é ser sócio da empresa?

  5. Carlos Mendonca

    18 de Dezembro de 2023 at 14:19

    Se os naturais e nacionais passam a vida a brincar com e/ou a roubar o erário público e nada fazem para o desenvolvimento do país, os estrangeiros seguem as suas pegadas. Por outras palavras, se os nacionais não são sérios, o que esperar dos estrangeiros? Contas feitas, meio milhão de dólares para reconstruir 6 salas de aulas? Ou seja: oitenta mil dólares para reconstruir uma sala de aulas no planeta terra? Os portugueses concluíram que esses gajos não entendem nada de números. Só pensam com o segundo cérebro ou seja, com os intestinos. Ladrões. Merecem cadeia? Não. Todos comprovadamente envolvidos neste “roubo” merecem ter as suas mãos direitas cortadas, com direito a televisão e tratamentos condignos e gratuitos até à cicatrização das feridas, para dar exemplo aos demais. De outro modo, de nada valerá vir ao público choramingar, nos distrair com lágrimas de crocodilos, quando todos nós, cada um ao seu geito, tem dilapidado os bens do estado ou públicos ou privados (da empresa onde trabalhamos, dos nossos vizinhos ou dos nossos familiares e amigos). Cortem as mãos dos envolvidos se quiserem erradicar os roubos em STP.

  6. Toni

    18 de Dezembro de 2023 at 18:59

    Quando é que Stp vai conseguir pagar uma obra????
    Quase 50 anos de independência e nem conseguem pagar um tijolo!!!!

    Tenham vergonha!!! Procurem ser uma autonomia de um país digno!!

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