Sociedade

Crianças de Monte Mário ainda não tiveram acesso ao novo ano lectivo

A denúncia e reclamação foram feitas pelos pais e encarregados de educação de Monte Mário, localizado na zona sul da ilha de São Tomé, a cerca de 70 quilómetros da cidade capital.

Também os habitantes da Ponta Baleia localizada mais ao sul e nos arredores de Porto Alegre denunciaram a situação difícil que vivem as crianças de Monte Mário.

Segundo os pais e encarregados de educação de Monte Mário são cerca de 150 crianças que estão fora do sistema nacional de ensino. Desde o início do ano lectivo 2023/2024 que não vão à escola localizada mais ao sul em Porto Alegre.

«Desde o início do ano lectivo que as crianças não vão a escola. É muito triste. Fazem 24 quilómetros diários. As crianças tiveram que desistir do ano lectivo, fazem 12 quilómetros a pé para ida a escola e outros 12 quilómetros para vinda», afirmou José Bragança, Presidente da Associação dos pais e encarregados de educação de Monte Mário.

As crianças de Monte Mário podem perder o ano lectivo, porque o transporte escolar avariou e nunca mais teve solução. Segundo a associação dos pais e encarregados de educação diligências foram feitas junto a Câmara Distrital de Caué e no Ministério da Educação, mas sem sucesso.

As crianças que frequentavam o ensino secundário, ou seja, da sétima à décima primeira classes, procuram o futuro na estrada de Monte Mário.

Antes de deixar o país no último fim de semana rumo a Nova Iorque, o Primeiro-ministro Patrice Trovoada disse que estava a recolher informações sobre a situação das crianças de Monte Mário.

«Pedi para me dizerem de facto o que se passa. Mas não podemos deixar as crianças perderem o ano lectivo. Perderam o primeiro período. É um direito que não pode ser negado às crianças», declarou o chefe do governo.

José Bragança, em nome dos pais e encarregados de educação reforçou a contestação.

«Não há futuro. As crianças estão todas em casa sentadas. Houve um dia em que foram à escola e apanharam chuva. Os cadernos estragaram. O próprio professor decidiu que regressassem a casa, pois tudo estava molhado. Esta região chove muito. Na qualidade de presidente da associação dos pais, apelo o governo a dar uma mão para resolver esta situação», frisou.

O Primeiro-ministro Patrice Trovoada explicou que o parque dos transportes escolares está degradado. A maioria dos autocarros está avariada. Para resolver o problema de transportes escolares, o executivo conseguiu uma ajuda financeira para aquisição de novos autocarros. Mas, segundo Patrice Trovoada, está difícil a chegada dos autocarros ao país.

«Ainda há algumas semanas a ministra da educação manifestou preocupação, porque os autocarros que foram encomendados por um país amigo, se confrontam com dificuldades logísticas para chegar a São Tomé», pontuou o primeiro-ministro.

Nesta terça-feira o Téla Nón apurou que o ministério da educação já reparou o autocarro escolar de Monte Mário, e foi enviado de urgência na segunda-feira para iniciar o transporte das crianças para a escola.

O Téla Nón apurou também que o autocarro tinha uma avaria na cabeça do motor. Uma avaria que demorou cerca de 3 meses a ser tratada.

No entanto, constantemente o Estado são-tomense disponibiliza meios financeiros para compra de viaturas modernas, avaliadas em mais de 40 mil euros, para satisfazer as necessidades de membros do governo, dos juízes e magistrados do ministério público, e dos directores dos diferentes departamentos da administração do Estado.

A reparação da cabeça de motor do autocarro escolar de Monte Mário, demorou muito tempo, e prejudicou dezenas de crianças que perderam o primeiro trimestre do ano lectivo 2023/2024.

Abel Veiga 

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