Sociedade

Especialistas chineses intensificam acção para Príncipe ser declarado livre do paludismo em 2027

A ilha do Príncipe está na linha da frente do plano estratégico nacional para a eliminação do paludismo. Com apoio da OMS, da cooperação chinesa, do fundo global e do programa nacional para eliminação da doença, 2027 é o ano indicado para a ilha do Príncipe e o distrito de Caué no sul da ilha de São Tomé serem declarados como regiões livres do paludismo.

Uma tarefa no entanto difícil, tendo em conta que para ser declarada a eliminação do paludismo nas duas regiões do país em 2027, é preciso garantir a inexistência de casos da nos 3 ou 2 anos anteriores.  

Dados recolhidos pelo Téla Nón junto ao programa nacional para eliminação indicam que de janeiro a março de 2024, Príncipe registou 9 casos de paludismo. Número residual numa população de cerca de 8 mil habitantes. No entanto, é um indicador de que a doença está presente na ilha.

«Temos uma média de 1 caso por 1000 habitantes na ilha do Príncipe. Já no distrito de Caué estamos a registar zero casos de paludismo», explicou João Alcântara, director do programa nacional de eliminação do paludismo.

É neste cenário que especialistas chineses de luta contra o paludismo decidiram intensificar as acções de controlo e fiscalização do paludismo na região autónoma do Príncipe.

Em parceria com os técnicos do programa nacional de eliminação da doença foram realizadas visitas técnicas ao território do Príncipe para recolha de informações sobre os meios técnicos e materiais existentes e realizada a capacitação dos recursos humanos do sector da saúde da ilha.

Huang Xinan, chefe dos especialistas chineses de combate ao paludismo disse ao Téla Nón que os especialistas estão atentos à situação de prevalência do paludismo no Príncipe e que a cooperação chinesa «planeia investir na assistência à prevenção e controlo do paludismo na região autónoma».

Durante a visita aos centros de saúde do Príncipe com destaque para o hospital Manuel Quaresma Dias da Graça, a equipa de especialistas chineses partilhou com os profissionais da saúde e membros da sociedade civil do Príncipe, a experiência chinesa na eliminação da doença.

«A experiência bem-sucedida da China na prevenção e controlo do paludismo já está a ser implementada em São Tomé e Príncipe, nomeadamente o tratamento em massa dos grupos-alvos da doença, o uso do mosquiteiro impregnado de longa duração», assegurou Huang Xinan.

O modelo chinês de combate ao paludismo é reconhecido pela OMS. Os casos são notificados no prazo máximo de 1 dia após o diagnóstico, a investigação epidemiológica é realizada no prazo de 3 dias e a investigação e tratamento dos focos da doença são solucionados no prazo máximo de 7 dias.

Os técnicos de análises da região do Príncipe que realizam a busca activa, ou seja, a realização de testes de paludismo de porta a porta, foram formados pelo director do programa nacional para eliminação do paludismo João Alcântara.

 A busca activa de casos de paludismo no Príncipe conta com meios mais modernos de registo. Os dados recolhidos são registados em tablets. Huang Xinan, chefe da equipa de especialistas chineses foi orador de uma palestra sobre o “Sistema de Vigilância e Alerta Precoce da Malária em São Tomé e Príncipe” «e formou elementos da equipa de busca ativa sobre como inserir dados por meio de tablets».

Para além da formação dos agentes locais de luta contra o paludismo, a equipa de especialistas chineses entregou aos centros de saúde do Príncipe tablets para registo e monitorização dos dados epidemiológicos, assim como bonés e t-shirts para uniformizar a equipa de busca activa do paludismo.

Os poucos casos de paludismo que são registados na ilha são imediatamente tratados. Daí a importância dos medicamentos antipalúdicos que a China ofertou aos centros de saúde do Príncipe como a artemisinina-piperaquina.

Reagentes e consumíveis de laboratório (lâminas, corantes, giemsa etc), também foram ofertados ao Hospital Manuel Quaresma Dias da Graça.

Para garantir um combate mais cerrado contra o paludismo e para que Príncipe seja declarado em 2027 região livre da doença, Huang Xinan anunciou que a cooperação chinesa no domínio da luta contra o paludismo vai criar uma célula permanente  de especialistas chineses no território do Príncipe.

Abel Veiga 

3 Comments

3 Comments

  1. ANCA

    5 de Abril de 2024 at 12:51

    Sendo o país, território de pluviosidade média elevada, seria também um bonus aposta na prevenção, modulos medidas de fumigação dos campos,(as nossas arvores são de copa larga, logo sua folhas quando secas, podem constituir depositos de agua, como temperatura é também elevada, podem constituir fonte de propagação de mosquitos), limpeza constante, alias devia o governo impor aos proprietários, dos terrenos urbanos e agrícolas,…eliminação dos charcos e outros habitat e meio de desenvolvimento dos mosquitos, formação/informação a populações em São Tomé e no Príncipe.

    Medidas de salubridade publica, onde todos agente e instituições devem se envolver, nomedamente as autarqias locais, o governo regional, lavar/limpeza das vias publicas, pelos bombeiros,desentupimento de esgotos, canais de drenagens de águas, atenção aos contentores de lixos, fumigacão de pragas,mosquitos, ratos, baratas, pulgas,caraças, etc,…-vectores de doenças,…controlo de animais soltos e vadios, cães, gatos, porcos, galinhas, patos, pombos, etc,…construção de passeios, jardinagem, pinturas das fachadas das casas, de lembrar um problema/risco eminente de erosão/desmoronamento-as construções da era colonial, tem mais de 40/50/60 anos, quase nunca sofreram intervenção de requalificação/obras, pondo assim em risco vidas humanas,…

    Necessidade de planos directores municipal, e planos de pormenor, onde deviam constar estes problemas e soluções, bem como apontar de caminhos em varias areas sectores,…saúde, educação, comercio, turismo, administração, desporto, agricultura, pescas, agropecuária, urbanização, construção civil, parques empresariais, etc, etc…de intervenção no territorio/população/administração,…

    É necessário pensar e efectivar estas reformulação e modernização administrativas de competências e fins, instituições e trabalhar em sinergias e parcerias internas, de modo captar investimentos tantos internos como externos, no fundo melhor organização do território, da população, da administração e do mar.

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Principe

    Bem haja

  2. ANCA

    5 de Abril de 2024 at 13:17

    Necessecario disseminar antigas escolas de artes e oficios, hoje escolas profissionais, no território/população/administração,…formação profissional,…no comércio, carpintaria, serralharia, electrónica, electricidade, mecânica, electromecânica, construção civil, auxiliar de saúde, auxiliar de educação, tecnicos de administração, tecnicos de gestão ambiental, contabilidade, apoio social, tecnologias de informação e comunicação, línguas, agropecuária,agricultura,aquicultura, pescas, turismo, hotelaria, culinaria, tecnicos de saúde, etc, etc…

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

  3. ANCA

    5 de Abril de 2024 at 15:54

    Apesar das varias parcerias e cooperação que existe, temos que liderar, esta problemática da extinção do paludismo, malaria, no nosso solo.

    Deveras urgente, deveras premente, deveras importante.

    Jamais te sobrepõe ao teu irmão, é tão São Tomense como tu, ajuda-o a crescer a ser mais, somos de São Tomé e do Príncipe

    Pratiquemos o bem

    Pois o bem

    Fica nos bem

    Deus abençoe São Tomé e Príncipe

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