O único hospital central do país, o Ayres de Menezes, não tem uma unidade de cuidados intensivos de cardiologia. No entanto o sistema nacional de saúde regista significativo aumento de doenças cardiovasculares no país. Um problema de saúde que normalmente resulta em morte do paciente tendo em conta as limitações técnicas e materiais do hospital central Ayres de Menezes. Os vários casos mortais de acidente vascular cerebral, (AVC), são prova disso.
No entanto a 18ª equipa médica da China em São Tomé e Príncipe em parceria com o Ministério da Saúde está a implementar um plano de formação dos médicos de clínica geral, e de alguns especialistas santomenses em cardiologia sobre o diagnóstico e tratamento de cardiopatias graves.

O plano de formação já vai na segunda sessão, realizada no dia 1 de Agosto no Hospital Ayres de Menezes.
Segundo Zhang Ming, médico especialista e chefe da 18ª misssão médica da China, o objectivo principal do treino do pessoal clínico do hospital Ayres de Menezes e dos centros de saúde dos distritos, é a criação pela primeira vez de uma unidade de cuidos intensivos de cardiologia em São Tomé e Príncipe.
«O Hospital Central é o único hospital de São Tomé e Príncipe que conta com especialistas em medicina cardiovascular e enfermarias especializadas. No entanto, devido à falta de equipamento e de pessoal médico especializado, ainda não dispõe de uma unidade de cuidados intensivos cardiovasculares», declarou Zhang Ming.
O Chefe da 18ª missão médica chinesa, realçou as consequências da falta de uma unidade especializada para atender os problemas cardiovasculares. «Como resultado, os pacientes com doença cardiovascular grave não podem receber resgate e tratamento oportunos», frisou.
Na segunda sessão de treino do pessoal clínico santomense a equipa médica chinesa fez demonstrações da utilização do desfibrilador, e o molde de treinamento de ressuscitação cardiopulmonar inteligente. «São equipamentos que trouxemos da China para realizar demonstrações de operação padronizadas, e os colegas santomenses puderam também manusea-los no treinamento prático», explicou Zhang Ming.

30 médicos e enfermeiros santomenses aprenderam a diagnosticar e a tratar doenças cardiovasculares, principalmente os casos mais graves, num projecto da cooperação chinesa que pretende melhorar também os equipamentos de diagnóstico e de tratamento.
O projecto de cooperação chinesa para elevar as competências técnicas do sistema de saúde não se limita a São Tomé e Príncipe. Faz parte da cooperação estratégica China – África.
Segundo a 18ª equipa médica chinesa o projecto é designado de “Mecanismo de Cooperação de Hospitais Homólogos China-África”. Foi lançado no ano 2022 pelo governo chinês em 30 países africanos. O hospital central Ayres de Menezes de São Tomé e Príncipe foi seleccionado em dezembro de 2022 como membro cooperativo do hospital universitário de Sichuan, localizado na parte ocidental da China.
Abel Veiga