Sociedade

Clima a mudar, país a reagir: São Tomé e Príncipe valida planos para enfrentar a seca e proteger o futuro

O clima já não é o mesmo, e São Tomé e Príncipe está a sentir isso na pele: secas mais longas, chuvas imprevisíveis, colheitas ameaçadas, rios a secar lentamente. Mas esta terça-feira, o país respondeu com acção concreta num ateliê organizado pela UN HABITAT que decorreu na Biblioteca Nacional. Foram oficialmente validados os Planos Locais e o Plano Regional de Adaptação às Alterações Climáticas, instrumentos que traçam o caminho para proteger vidas, comunidades e ecossistemas frente aos impactos do aquecimento global.

A directora do Ambiente e Acção Climática, Sulisa Quaresma, foi directa ao falar da urgência do momento:

O período de seca prolongado é um dos problemas mais graves que enfrentamos. Estes planos dão-nos ferramentas para agir antes que seja tarde demais. São documentos consistentes, construídos com base na realidade das comunidades e com foco na acção local.”

Não se trata apenas de burocracia climática — trata-se de estratégias concretas para garantir água potável, proteger as zonas costeiras, adaptar a agricultura e preparar infraestruturas resilientes. Os planos foram desenvolvidos com a participação dos distritos e da Região Autónoma do Príncipe, com diagnósticos detalhados e soluções sob medida.

Agora, cada distrito tem o seu plano de adaptação. A RAP também. Isso significa que deixamos de falar apenas em soluções nacionais e passamos a ter respostas locais, específicas e integradas”, explicou com entusiasmo Victor Bomfim, coordenador nacional do Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas.

Para muitas comunidades rurais, esta validação representa esperança: esperança de não ver mais campos secos, de não depender de caminhadas longas por água, de saber que há um plano para proteger o amanhã.

O processo de elaboração dos planos envolveu técnicos ambientais, líderes comunitários, ONGs e parceiros internacionais. Foram meses de diagnósticos, projecções climáticas, identificação de riscos e definição de prioridades – tudo isto com o objetivo de proteger os mais vulneráveis e garantir a resiliência ecológica e económica do país.

Este marco insere-se num esforço nacional mais amplo para alinhar São Tomé e Príncipe com os compromissos internacionais do Acordo de Paris, e transformar o país num exemplo regional de adaptação climática liderada por comunidades.

O clima está a mudar, e São Tomé e Príncipe também. Para resistir, proteger e prosperar.

Waley Quaresma

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