O jornalista David Borges, com semba e quizomba dos finais do século passado e início do atual, através de gingar dos quintais de Luanda, enviava desde Lisboa aos PALOP, à exceção de Angola, contentores contendo as garrafas do vinho do Porto com aquele cheiro de encubação antiga para o inaugural aperitivo democrático. A sua retirada do convívio público da RDP África, deixou ondas de saudades e também fato e gravata para a perseveração da elegância radiofónica.
Os são-tomenses, visionários, pela insularidade e pequenez das ilhas, nem sempre antecipam represálias às suas ações, aproveitaram-se de boa-nova da chuva de abril, se rebelaram da qualidade duvidosa dos vários vinhos, em pacotes de um e cinco litros que passaram a inundar a praça, a ponto de trovejarem e correrem água-mato que inevitavelmente tomou a santa cidade.
«Afinal Angola teve razão de não aceitar a emissão no seu território. É um grupo pago por Patrice Trovoada para controlar toda a informação que sai de STP. Fazem parte os seguintes senhores: Carlos Menezes, Abílio Neto, Gete Moniz, Óscar Medeiros, Ambrósio Quaresma.
Quem é do ADI goza de um tratamento privilegiado e, desde logo, aceitável e confortável para não falar de outras vantagens. Empoleira-se no poder, para viver a sua vida, vendendo São Tomé e Príncipe e o seu povo a qualquer preço. A RDP África tinha um propósito que foi desviado. Confesso que três semanas depois da queda do Governo de STP, deixei de ouvir os debates políticos na RDP África sobre STP. Os portugueses têm os seus problemas e querem transferi-los para os outros países.»
No gozo da liberdade tropical, em sequência, ardeu um sol que secou o lamaçal em que entretinham os homens com os cartazes do contraditório, de nada diferentes da audácia de mais de três dezenas de jovens estudantes são-tomenses que ajudaram os bombeiros a apagar os incêndios deste verão, em Portugal, na notória ausência dos filhos dos governantes e políticos portugueses da direita e extrema direita.
«Cobarde… O Man Pat vos faz xinguilar assim? Viva Rádio Difusão Portuguesa! Viva todos aqueles que trabalham nessa prestigiosa rádio! E assim vai a nossa TVS. São-tomenses são bandos de invejosos, não vejo o pq de tanto imbróglio a volta da transmissão da RDP África em São Tomé.»
A partir dos hediondos crimes de 25 de Novembro de 2022, investigados pela polícia judiciária são-tomense com a assessoria policial e científica portuguesa e a consequente acusação do Ministério Público contra as chefias militares de mãos manchadas de sangue humano de quatro civis sequestrados, torturados e executados na parada militar, a RDP África, desatenta aos relâmpagos de há mais de uma década e embarcada em excessivo ilusionismo, minimizou as evidências factuais, jogando a sorte por um dos lados da verdade, ou seja, foi levada por uma estratégia aventureira de fragmentação da sociedade são-tomense, em contraste à unidade da nação de 1975.
Com tanto lixo pela Baía de Ana Chaves, os novos muros de vedação em construção, bêbados à correnteza tropical e pilares completamente fedorentos visuais ao projetado mercado do pescado, contrariamente; do Índico português, é quotidiano chegarem notícias pertinentes do antigo candidato presidencial, Venâncio Mondlane, a ponto deste expulsar de Lisboa, o eleito presidente Daniel Chapo, na sua primeira visita a Portugal. Pela temperatura, os moçambicanos não devem ter motivos de queixas da qualidade de bebida espirituosa que chega até Maputo ou talvez gozem de sabor do cocktail das bebidas inglesas da África do Sul, ainda que os comediantes da lusofonia (Portugal, Angola e Brasil), eventualmente, portadores de garrafas do vinho do Porto, na bagagem, terem sido barrados no aeroporto e corridos de volta para bem longe da democracia moçambicana que em defesa do resultado eleitoral do ano passado, contestado, a polícia para pôr ordem, atirou a matar mais de uma centena de manifestantes, incluindo, em direto, um jovem influencer digital.
As saudáveis orelhas, por seu turno, parecem surdas ao correspondente são-tomense da RDP África, o jornalista Óscar Medeiros, de que há um prisioneiro político debaixo do seu farejo. Alguém, o também antigo candidato presidencial, que ganhou elevado mediatismo para lá das fronteiras das ilhas, está entregue à bebedeira dos poderes são-tomenses, presidencial, legislativo, governamental, militar e judicial. Desprovido de pacotes de vinho, nem copos de Rosema, o jovem advogado – daqui a solidariedade, coragem e melhoras para a débil saúde – investigava e buzinava nas redes sociais, os meandros políticos dos bárbaros crimes cometidos pelas chefias militares, que à margem da lei, também sequestraram e torturaram o sobrevivente Lucas, “candrezado”, inchado de sangue vomitado e defecado durante longos três meses, iniciais de excessiva preventiva e, preso por 15 anos pela decisão do juiz Edmar Teixeira, para apagar o último arquivo do Massacre de Morro, perante o fechar de olhos das Nações Unidas e de Portugal, aos crimes humanitários.
A jornalista da antena lisboeta, pisou a terra de rumba e fez a recente cobertura dos festejos de 12 de Julho, mas nem um copo de vinho de palma fresco, ousou partilhar com o prisioneiro político que lhe pudesse granjear troféu jornalístico internacional dos Direitos Humanos. Não ouviu o clamor da parceira do advogado, a doutora Adjamila, advogada desempregada pelo repto do marido, nem o seu mandatário de defesa para dar a notícia mais mediática das ilhas do Equador, oferecendo até os microfones às antigas comandantes da OA, mudas e surdas, Celiza Deus Lima e Célia Pósser, mulheres e mães que sentem profunda, a dor da desumanização contra os filhos. Lamentável!
A aparição pública e humilhante na segunda-feira, fardado penitencial, debilitado – prova irrefutável – e a andar com o vento, finalmente, para os novos desfiles à instrução contraditória, fora de prazo preventivo para, contra o direito penal, a juíza decidir pela prorrogação da medida de coação, com golpe emocional à esposa abatida, aos familiares e presentes, em desespero, que lhe viram sentir mal e cair inanimado no chão do Tribunal de 1ª Instância, por mais de uma hora, contribuem para o coração arder de dor pela ilegalidade judicial e desonestidade intelectual.
Sem direito à assistência médica, familiar ou dos oficiais da justiça presentes, foi necessário esperar por dois reclusos, incrédulos, intimados dos serviços prisionais que lhe transportaram à viatura para o centro de saúde, de onde de visita médica, saiu logo de cadeira de rodas, deixam a nítida sensação de que, mesmo mascarada, a RDP África silencia e atesta a incúria do XVIII Governo que, para ofensa familiar e atentado à tradição e ao sentimento humano, profanou quatro cadáveres de civis e promoveu o grupo sanguinário, contra a acusação do Ministério Público. É de cair lágrimas à alma humana.
Há sinais evidentes de cumplicidade da Ordem dos Advogados no silenciamento do seu membro, publicamente humilhado, a quem para a submissão política, já havia retirado a carteira profissional, em clara violação à dignidade humana e aos princípios dos Direitos Humanos e das Convenções Internacionais. Porquê de maldade, rancor, ajuste de conta, perseguição e subserviência política do bastonário Hérman Costa e da sua direção, em fazerem calar o colega Miques Bonfim, invés de confrontarem a maquiavelice dos juízes?
I. Detenção arbitrária no domicílio, do advogado Miques João de Jesus Bonfim que incomodava os XVIII e XIX Governos com a busca da verdade jurídica, por uma frota policial fortemente armada, sem mandado judicial e fora de flagrante delito; II. apreensão injustificada do PC, Pen Drive e telemóvel do ativista social por outra frota policial na única presença, a mãe doentia; III. desfile violento, algemado pela cadeia policial e pelos corredores do tribunal; IV. manutenção demorada para o primeiro interrogatório no cubículo do Tribunal de 1ª Instância, completamente escuro, sem banco; V. medida de coação mais gravosa, a prisão preventiva, decretada pela juíza Ludmila, apesar do crime sexual rejeitado pela parte queixosa; VI – greve de fome do arguido da assombração do crime cibernético; VII. excessiva prisão preventiva, sem a acusação do Ministério Público; VIII. requerimentos do mandatário de defesa, indeferidos pela juíza; IX. dois pedidos de habeas corpus de defesa, silenciados pelo Tribunal Supremo; X. captura criminal pela direção prisional do segredo judicial com 60 páginas dirigidas pelo prisioneiro e aos seus advogados; XI. queixa das injustiças ao Conselho Superior dos Magistrados Judiciais, sem resposta; XII. notícia de envenenamento e morte.
Há mais. O estado doentio e o desmentido do Ministério da Justiça, através da penitenciária que o colega jurídico da ministra Vera Cravid, goza de boa e recomendável saúde, reafirmado pela vergonhosa comunicação da Associação Sindical dos Magistrados Judiciais, na TVS – sem direito ao contraditório – que em momento algum, deu nota à apreensão do telemóvel do irmão do advogado, o Manuel, que gravava o testemunho físico do arguido, apoiado pelos guardas prisionais, à saída da audiência desta semana para a presumível assistência hospitalar. Lastimável!
Toda a rede contra o direito, incluindo a não apreciação da inviabilidade do Tribunal Militar pelo Tribunal Constitucional para julgar crime comum e a conivência do 1º ministro, Américo Ramos e do mais alto magistrado e Comandante Supremo das Forças Armadas, o presidente Carlos Vila Nova, não passam de maquinação política à inventona militar? Foi notícia na RDP África a fofoca da violação de uma menor por Silva Cravid, que custou a jubilação do então presidente do Supremo Tribunal de Justiça, quem também em relação aos anteriores pedidos de habeas corpus para a libertação do Lucas, ainda sem tratamento especializado à saúde precária, a resistir na época contra a morte pré-anunciada, demonstrou outra peça de atropelo jurídico e má-fé humana.
No início da semana, Óscar Medeiros deu a não notícia e só comprou quem quis ter olho-leve de que o presidente de ADI, através de carta de 1 de agosto, endereçada à PR da Assembleia Nacional e reforçada no dia 25, pelo líder parlamentar, solicitou a reintegração na sua cadeira do deputado do distrito de Lobata, a contar de 1º de setembro, quase oito meses após a queda do seu governo que se seguiu da habitual debandada para Lisboa. Trata-se de um dispositivo normativo no Regimento Interno e de rotina, para os faltosos, segundo a Lei nº 8/2008, no artigo 5º, nº 2, alínea b), do Estatuto dos Deputados, não percam o mandato, mesmo invisíveis no assento durante toda a legislatura. Duas semanas depois de 1 de setembro, a cadeira do parlamento, precisamente de férias até 15 de outubro, ficará automaticamente vazia e ocupada pelo deputado da lista até ao novo folclore, se necessário, a atormentar à faminta esperança partidária.
Em súmula, exposta no fogo cruzado dos festivais de verão de Lisboa, a garrafa de vinho do Porto para encher dois copos, um de Moçambique e o outro de Santomé, tranquiliza os moçambicanos com os aperitivos da democracia, cheia na taça, desproporcional aos olhos são-tomenses, pestanejantes de ciúmes pela sua vazia e, lamentavelmente, incomodados com o não engajamento do investimento estrangeiro para o desenvolvimento das ilhas, mas sim, pela venda de nacionalidade a qualquer aventureiro, pelo XIX Governo, para angariar mais logística aos bolsos individuais e de grupos.
Enquanto isso, o presidente da República, Carlos Vila Nova -, apanhado no meio de copos do vinho de cartões e garrafas da apetitosa Rosema, batizadas pelos legalistas partidários do Tribunal Constitucional que tchinguilaram a diplomacia angolana -, sem trocar pés na rua, mas visivelmente irritado, caiu na baixeza. Esbofeteou ao público, o jovem Josimar Afonso, o jornalista distinguido pela deontologia da carteira que similar ao colega Abel Veiga, esforça em imprimir equilíbrio apetecível à democracia, ao contraditório democrático e à liberdade de expressão, apesar da bebedeira a subir cabeça de alguns apostadores que vêm fantasmas por detrás do rigor e profissionalismo do seu serviço público.
Sem manipular o tempo, é melhor puxar cadeira; na sexta-feira da semana passada, após a presidência da república, eventualmente, ter oferecido sapatos finos e calças de linho aos jornalistas que acedessem ao palácio cor de rosa; o magro salário não permite luxo aos seus bolsos; o jornalista, apesar de vincado, foi barrado à entrada do Palácio do Povo, por uma funcionária e um segurança que cumpriam as censuráveis ordens superiores.
Sem água de pacotes portugueses, nem garrafas de Tlachá, Josimar Afonso, apesar de não convencer a rececionista presidencial, fez o necessário corta-mato até ao assessor de comunicação do presidente Vila Nova. Somente com o encerramento do banquete presidencial com a moribunda direção do MLSTP -, o repórter de imagem da RSTP que acompanhava o jornalista, deve confirmar se na cerimónia houve brinde com o vinho do Porto – o chefe da imprensa presidencial, recusou ter caído ordens do chefe do Estado e pediu desculpas do mais alto magistrado pelo incidente. Sua Excelência, à margem dos olhos claros da proteção presidencial, prometeu um bate-papo, em privado, com o jornalista. Não! O pedido oficial de desculpa presidencial ao ataque à imprensa livre, já deveria correr o mundo.
No teatro da bagunça, sem que fosse notícia de cópia são-tomense que os contentores de vinho do Porto foram trocados pelos cartões de vinhos batizados, o presidente Sissoco – é muçulmano, não deve tomar copos – desde 2020, rege o país com as mãos militares duras. Não faltam ameaças à expressão livre; perseguições políticas e aniquilação da oposição; manipulação política; conluio com espancamentos aos jornalistas, incluindo Waldir Araújo, jornalista e delegado da RTP, agredido violentamente no último domingo de julho, em Bissau, por assaltantes e debaixo de fogo de «denegrir a imagem da Guiné Bissau»; destruição da imprensa privada que se preocupava e denunciava o tráfico de droga. No somatório, na semana passada, o Estado, em colapso total com a democracia, deu ultimato de quarenta e oito horas para que os jornalistas da Lusa, RDP África e RTP África corressem para lá da fronteira territorial como garantia dos guineenses jamais acederem à informação livre, transparente, equilibrada e ao contraditório no Estado de Direito democrático. Que ingratidão!?
O presidente Marcelo Rebelo, a União Europeia e a CPLP, contra a lei guineense e as Convenções Internacionais, estiveram na tomada de posse e coroaram o vencedor auto imposto que reivindicou vitória nas presidenciais, de há mais de cinco anos. Em julho último, ofereceram banquete e presidência da CPLP ao autocrata, já antes brindado em Lisboa. Assim, cúmplices da maldição contra o povo guineense, a ética, moral e boa convivência democrática, obrigam o regresso à Bissau para darem um golpe de misericórdia à falsa democracia. Até lá, resta aos guineenses o bom uso da Internet; enquanto não for golpeada por Umaro Sissoco Embaló; a cortar matos e fazer fé num dia de luz democrática no Estado de Direito democrático.
Para fechar, é compreensível que Abel Bom Jesus, mísero, traidor, intriguista, olho-cheio e, sobretudo, covarde de coração de pedra e dívidas políticas a pagar por ter apanhado boleia governamental inimaginável, se viu no direito de exibir o seu mau carácter. O antigo ministro do XVIII Governo, há dias, encadeado pela escuridão da Tesla e por repetência, desde a encomendada prisão do advogado; invés de calado como faz Carlos Stock, o novo PGR, empenhado nos processos judiciais; ao espelho dos apetecíveis copos do seu restaurante, indecorosamente, oportunista e no uso das máscaras de falsos profetas, surgiu na praça pública com o machado de guerra apontado, praguejando e crucificando vivo, o prisioneiro Miques João, quem reconheceu ser político, daí ter contas antigas por saldar consigo.
Condimentos suficientes para a manifestação desta tarde, ordeira, pacífica e sob cartazes «Libertem Miques João!» e «Justiça contra os assassinos de 25 de Novembro!», na capital do país, mobilizar famílias, familiares e amigos de todos quantos se sintam injustiçados pela justiça corrupta e submissa ao poder político desumano e violador à vida humana e aos Direitos Humanos, como demonstração da multidão à comunicação social seletiva de que o mundo se movimenta rapidíssimo, mais que políticos e até historiadores, mas o homem determinado, continua a ser o motor das transformações sociais e não, o contrário.
A RDP África, pela dinâmica original de bom vinho do Porto, também faz homens e mulheres de Embaixadores de boa-vontade, como no início da semana e na área da cultura e música, brindara em alta com o Secretariado da CPLP e a Missão Permanente de São Tomé e Príncipe junto da organização lusófona, a dupla diplomática são-tomense. Parabéns aos irmãos Calema!
Renascer São Tomé e Príncipe!
José Maria Cardoso
29.08.2025
Gato das botas
1 de Setembro de 2025 at 15:41
Mais um lençol de texto mal escrito e quase impossível de ser traduzido. O autor continua a querer escrever como se tivesse conhecimentos e sensibilidade para isso, mas não.
Estava na hora de alguém dizer a este senhor que escreve mal, redige mal, comunica mal e, por isso, devia parar com estas patranhas.