O avançado estado de degradação da estrada nacional número 2, mais concretamente entre a Ribeira Peixe e Porto Alegre continua a provocar protestos da população e dos taxistas.
Desde as 3 horas da madrugada de quinta-feira que os taxistas e motoqueiros da região sul da ilha de São Tomé bloquearam a ponte sobre o rio Iô Grande. Exigem que o governo cumpra com a promessa de reparar as zonas mais críticas do troço de estrada.
Segundo Alcides Tavares, porta-voz dos taxistas, a chuva torrencial na região lavou o pavimento e escavou o troço perto de Porto Alegre. «Agora, a estrada tem valas profundas. Eu posso deitar-me nelas e um carro passar por cima sem me ofender», explicou.

O porta-voz dos taxistas disse ao Téla Nón que o enviado do governo ao local prometeu que as obras de reabilitação da estrada deveriam iniciar ainda na quinta-feira. «Nós vamos ficar aqui até que a máquina chegue para tratar da estrada. Caso a máquina não venha, vamos dormir aqui até amanhã», garantiu Alcides Tavares.
Marisa Diogo, que é presidente da cooperativa dos agricultores da Ribeira Peixe também interveio para denunciar que toda mercadoria que deveria ser colocada no mercado da capital, acabou por ser distribuída gratuitamente. O bloqueio da ponte não permitiu o escoamento para o mercado.

A líder comunitária da Ribeira Peixe solidarizou-se com os taxistas e motoqueiros. Pois o mau estado da estrada tem provocado muitos problemas a população do distrito de Caué. «Recentemente uma mulher em serviço de parto acabou por perder o bebé, por causa dos solavancos do carro provocados pelo mau estado da estrada», afirmou Marisa Diogo.
A mulher que se manifestou revoltada com a situação da estrada recordou o acidente ocorrido no ano passado no mesmo troço de estrada degradado, e que causou a morte de uma turista de nacionalidade portuguesa.


O sul de São Tomé, principalmente a partir da Ribeira Peixe, tornou-se numa região especial para turismo de natureza e praia. Várias unidades hoteleiras foram erguidas no meio do verde exuberante que cobre o distrito de Caué. No entanto, o avançado estado de degradação da estrada tem comprometido a actividade turística.
Na quinta – feira, por causa do bloqueio a ponte Yo Grande, um casal de turistas que veio da Alemanha para desfrutar do turismo verde do Sul teve de atravessar a ponte Yo Grande com as bagagens, para assim apanhar, na outra margem do rio a viatura do hotel, e prosseguir a viagem rumo a Porto Alegre.
Um percalço que, no entanto, não provocou irritação do casal de turistas. Aliás considerou a situação como normal, e como parte da descoberta de um destino antes desconhecido.
Abel Veiga