Sociedade

Gémeos simbolizam luta contra a “Giba” em São Tomé e Príncipe

Nelson e Nilton, gémeos de 44 anos, convivem há quase três décadas com as consequências da filaríase linfática, conhecida em São Tomé e Príncipe como “Giba”, que afetou uma das pernas de cada um e marcou profundamente as suas vidas.

Com esse problema que temos, ficamos em casa com muitas dores, mas temos de sair para procurar qualquer coisa que nos permita garantir o jantar”, relata Nelson Nascimento.

Além das limitações físicas, os irmãos enfrentam o estigma social associado à doença, realidade que dificulta a integração e o acesso a meios de subsistência.

Não conseguimos trabalho, não conseguimos nada. Somos descriminados pela sociedade. Andamos para cima e para baixo, graças a alguns amigos que nos ajudam no dia-a-dia”, acrescenta Nilton Nascimento.

Os dois chegaram a receber tratamento em Portugal, mas a doença voltou a manifestar-se pouco tempo depois.

O tratamento é complexo, porque o parasita lesa os vasos linfáticos e a reversão torna-se difícil”, explica Jéssica Vicente, coordenadora do programa nacional de luta contra doenças tropicais negligenciadas.

Apesar destes casos, os indicadores revelam uma redução significativa da filaríase linfática em São Tomé e Príncipe, fruto das campanhas de tratamento em massa realizadas nos últimos anos.

A prevalência neste momento varia entre 0,0 e 0,20 por cento”, detalha Jéssica Vicente.

O desafio agora é consolidar os resultados alcançados e garantir a eliminação da doença como problema de saúde pública.

Primeiro é preciso interromper a transmissão, depois gerir os casos existentes com tratamento e acompanhamento, reduzir o estigma social e a discriminação, e manter os ganhos já conquistados”, sublinha a coordenadora.

O novo projeto, apoiado tecnicamente pela Organização Mundial da Saúde e financiado pelo Governo do Japão em cerca de 185 mil euros, com duração prevista de um ano, visa reforçar as ações de vigilância, prevenção e controlo da filaríase linfática.

A filaríase linfática é uma doença tropical negligenciada transmitida pela picada de mosquitos infetados, que pode provocar aumento anormal dos membros, incapacidade física e exclusão social.

José Bouças

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