Quinze anos de missões médicas de otorrinolaringologia em São Tomé e Príncipe deixaram centenas de histórias de recuperação. Entre elas, destaca-se a de Sílvio Félix, cuja infância foi marcada por um grave problema nos ouvidos.
“Deitava pus e cheirava muito mal. O tímpano estava furado e não se sabia”, recorda Félix.
Após várias consultas sem solução, a mãe, desesperada com o sofrimento do filho, chegou a recorrer à medicina tradicional.
“A minha mãe levou-me a vários curandeiros para tentar perceber o que se passava. Sofria bullying na escola. Os colegas provocavam-me e isolavam-me porque o meu ouvido cheirava mal”, acrescentou.
A gravidade da situação era tal que Sílvio não conseguia ouvir nem falar. “Pensavam que eu era mudo”, sublinhou.
A mudança começou com a chegada da missão médica de otorrinolaringologia ao Hospital Dr. Ayres de Menezes. Informada da presença dos especialistas, a mãe levou o filho ao hospital.
“Foi a primeira vez que os médicos portugueses vieram. Fiz a consulta e depois realizaram a primeira cirurgia na garganta, nariz e audição. Em 2014 voltei a ser submetido a uma nova cirurgia”, descreveu Félix.
As intervenções transformaram-lhe a vida.
“Hoje estou bem. Consigo fazer de tudo um pouco. Agora sou dançarino, jogo futebol, faço tudo. Agradeço muito a esses médicos”, afirmou.
Tal como Sílvio, muitos outros doentes recuperaram qualidade de vida graças às missões regulares de otorrinolaringologia realizadas em São Tomé e Príncipe, no âmbito do projeto Saúde para Todos, financiado pela Cooperação Portuguesa e implementado pelo Instituto Marquês de Vale Flôr.
José Bouças