Opinião

“Pensando bem 3 …”

Por : Joaquim Rafael Branco 

Pensando bem, hoje não penso.

Hoje vou utilizar alguns pensamentos que moldaram e moldam quem eu sou, ou melhor, a pessoa que eu quero ser. Ser quem queremos ser não é fácil. Exige resiliência.

Eu já provei que sou uma pessoa resiliente. Resiliência é a capacidade de nos tornarmos flexíveis em situações de dificuldades ou de contratempos por meio de um conjunto de crenças que nos permitem superar os obstáculos da vida e imaginar um futuro diferente superando-nos em permanência.

Minha vida, para quem a conhece é um exemplo disso mesmo. E isso incomoda, eu sei.

Autoexame diário/autoconhecimento, um propósito para a vida, autocontrole, análise permanente do contexto, um grande optimismo, empatia, são algumas das ferramentas que uso para iluminar o meu caminho que sei, vai chegar ao fim. Não me preocupo com o destino final.

O caminho a percorrer até esse destino final é a minha permanente preocupação.

Assim, os dois pensamentos que quero lembrar hoje são os seguintes:

1º – “O ódio é um veneno que só funciona se você beber”. Não bebo esse veneno. Não odeio ninguém, mesmo aqueles que tudo fizeram e fazem para eu retribuir. O perdão é gratificante.

2º – O segundo pensamento pode ser apresentado assim: A ofensa é uma brasa que alguém atira contra uma pessoa para queimá-la. A ofensa é um fogo na mão que você utiliza para queimar outra pessoa o máximo possível.

Talvez consiga talvez não consiga. Mas em 100% dos casos este fogo queima a mão de quem atira o fogo.

Eu decido quem me ofende.

Tendo partilhado esses dois pensamentos, agradeço a contribuição do leitor que corrigiu o nome da peste negra do sec.14. Trata-se, na verdade, de Peste Bubónica e não Bucónica. Obrigado, mas não foi cópia, foi um erro de digitalização.

Uma outra reacção pareceu condenar-me (é a norma) pela referência ao papel das crenças. Devo dizer que concordo com a afirmação de que a fé é uma importante arma, é o último reduto quando tudo o mais parece falhar quer ao nível da sociedade, quer ao nível individual.

Pensei que tinha deixado isso claro. Se não deixei, as minhas desculpas.
As nossas crenças individuais são construídas através da interpretação que damos às nossas experiências. As nossas crenças limitantes são construídas a partir de um conjunto de experiências, ou de uma experiência única que tenha tido um impacto negativo em determinada área das nossas vidas.

Essas crenças moldam a forma como iremos ver, viver e interpretar os acontecimentos futuros, como também irão afectar directamente as escolhas e decisões que fazemos ou tomamos.

Ter uma mente impregnada de crenças limitantes nos impede de evoluir, de crescer, de ser pessoas melhores, de ter uma vida com significado. A forma como vivemos é uma consequência dos pensamentos e das crenças que carregamos connosco.

A crença na capacidade das pessoas mudarem, das sociedades mudarem, do mundo mudar, está no centro da minha postura como Homem, como cidadão e porque não dizê-lo, como político. Que isso não seja evidente para muitos eu compreendo e aceito.

2- O Covid-19, convida, obriga a adaptação em quase todos os aspectos das nossas vidas. No plano pessoal e familiar, por exemplo, antes da pandemia muitas pessoas viviam juntas, mas na verdade separadas. Separadas não é a palavra certa. As pessoas viviam juntas, mas partilhavam pouco. Escutavam-se pouco. Adiavam conversas.

Fugiam das questões difíceis. Encobriam diferenças. Disfarçavam desconfortos. Falavam por meias palavras ou frases enigmáticas esperando que o parceiro adivinhasse o pensamento em vez de dizer o que sentiam e sentir o que diziam. Tudo isso se passava nem sempre de maneira deliberada.

O próprio ritmo da vida diária justificava estas atitudes e comportamentos. Sobretudo, para os casais que trabalham e têm filhos, há pouco tempo para partilhas íntimas. Depois de acordar é a corrida para se preparar e sair para o trabalho.

A hora do almoço é um parêntese, para comer e pouco mais. E mesmo assim muitas vezes cada um come o que pode, onde pode. Depois do trabalho há cinquenta coisas para fazer e quando se chega a casa ao fim do dia, perto da hora do jantar, cada um mergulha nas suas tarefas. Talvez oiçam os noticiários juntos, ou um assista a uma novela enquanto o outro faz outra coisa.

Pouco mais. O cansaço e o sono fazem o resto. Antes de dormir talvez partilhem um problema do trabalho, mas muitas vezes a atenção requerida não está presente. Falar, ouvir sem verdadeiramente escutar.
Na realidade partilham-se mais problemas com colegas de trabalho, trocam-se mais intimidades e inquietações com amigos do trabalho do que com o nosso parceiro/a de casa.

Isso é revelador de muitas coisas que importa analisar profundamente. Porque no tempo de namoro, havia tempo para tudo, apesar de muitas solicitações do dia-a-dia. Havia tempo para telefonemas, bilhetes, poemas, fugas do trabalho para trocar um olhar de apenas dois minutos, conversas longas antes do sono. É questão de perguntar: o que mudou depois de começar a partilhar o mesmo tecto?

Muita coisa. Filhos, novos desafios, vontade de afirmação profissional, muita coisa mesmo. Mas creio que o que acontece fundamentalmente, é a acomodação. As pessoas criaram zonas de conforto e instalaram-se nelas; recusaram novos desafios; a dura vida castrou sonhos partilhados; muitas vezes a luta pela sobrevivência sufocou a criatividade, abafou sensibilidades.

O ser humano tem uma enorme capacidade de adaptação. Ao longo dos anos criam-se hábitos que uma vez instalados precisam de muito esforço continuado para serem alterados.

Uma coisa boa que pode surgir desta pandemia e do confinamento obrigatório é que as pessoas reaprendam a partilhar o que é importante ser partilhado, saibam recuperar hábitos saudáveis de convivência, recordar as coisas boas do passado, rirem-se dos episódios mais tristes, a reconectar-se com a vida, comendo juntos, rindo juntos, dançando, gozando as pequenas coisas da vida, respeitando os períodos de silêncio de cada um, etc.

Mas atenção! A adaptação exige paciência recíproca. Imposições arbitrárias só pioram as coisas. Tudo deve ser falado, negociado com carinho, sobretudo através do exemplo.

É que, nalguns casos, são anos consecutivos de hábitos, de comportamentos e atitudes que criaram zonas de conforto. É preciso amor, respeito, tolerância mútua, muita empatia e uma vontade renovada de começar de novo. O amor romântico pode desaparecer.

É preciso saber substituí-lo pelo afecto conjugal. Vale a pena tentar. Teremos assim tirado proveito desta pandemia que tantos danos nos tem provocado.

    7 comentários

7 comentários

  1. Sempre atento

    28 de Maio de 2020 as 10:58

    Se é que converteste em crente, que Deus seja louvado. Para criar esse discurso com palavras de fé, crença e outras que nos dá força e ânimo, nada mal. É tempo de mudarmos a nossa mentalidade, reconhecer os erros, sermos humildes e dar as mãos uns aos outros quando for necessário. Nisto falo também por mim. O exemplo da nossa vida passada é um importante instrumento para a reflexão hoje. As realidades e os desafios de hoje são tópicos supremo para toda e qualquer mudança da nossa atitude a nível geral.
    Um bem haja.

  2. J. Fernandes

    28 de Maio de 2020 as 11:58

    Burro velho jamais aprende …

    Ja fizestes o teu pe de meia …

    “…So com cristo “

  3. Pascoal Carvalho

    28 de Maio de 2020 as 12:15

    Pois é Dr.Rafael Branco!
    Hoje para além de si, já mais ninguém pensa.
    Face as circunstâncias globais, basta uma pontual reflexão e seguir de forma livre, honesta e consciente.

  4. Vanplega

    28 de Maio de 2020 as 18:50

    Pelo menos demonstra que apreender a falar palavra Deus.

    E o que falamos sempre na aflicao. Talvez, ele queira fazer mais, devolvendo o que roubou esses anos todos juntos com seus colegas

    Este senhor, chegou AP 1 Ministro, conheceu quase mundo todo. O que de bom deu ele a Sao Tome e Principe?

    Senhor Rafael Branco, a conciencia pesa,quando nao praticamos o bem.

    Os senhores comeram tudo deste pais, agora esta a mostra o que fizeram. Nao temos um hospital, capaz de tratar is doentes.
    Trataram muito mal este pais. Se houvesse justica, seriam p………. a bem deste pais e do seu povo

    Vai dar uma volta, ver se o povo esta na esquina.

  5. Inconformado

    28 de Maio de 2020 as 19:46

    Dr Rafel Branco, não ligue essas pessoas que vem aí falando mal de si.

  6. Nos

    29 de Maio de 2020 as 8:55

    Este país é uma anedota. Nunca vi tanta desgraça num país tão pequeno e com um governo tão incapaz.

    • Como será

      4 de Junho de 2020 as 9:39

      Realmente meu caro, pais muito pequeno para transformar neste palco de palhaçada. É bom que haja uma mudança de mrntalidade desta populacao de jovens, é importante os jovens começarem a se preocupar com este pais, sei que ja tem muitos formados tanto no pais como na diaspora atentos sobre situacao da sua pátria, nao sejam apáticos, ou serem indiferentes, deixar de estarem no Pacífico, dizendo sempre que este pais ja tem dono, isto nao porque somos todos donos, uma herança que foi nos dada por DEUS, somos privilegiados por ter esta ILHA linda como nossa pátria, portanto vamos nos unir levantar as nossas vozes e lutar pelo resgante de valores, dignidade, disciplina e TRABALHO, o pais precisa de apostar na formacao de homens, nao se constrói um pais com homens analfabetos, a mair requeza dum pais esta na fotmacao do homem, sem isto nao se alcançar o.desenvolvento desejado. Com esta pandemia vimos a fragelidade do nosso sistema de saúde, nao temos proficional qualificados e suficientes para dar resposta a demanda da situacao da Covid19,ate mesmo sem a Covid no pais.Vejamos nos temos um pais onde a malária é a doença de base, e em situacoes de complicacoes por malaria o paciente entra em coma com disfuncoes multiorganica precisando assim duma terapia intensiva ate mesmo de fazer hemodialise por conta do rim que paralisa, agora neste como tratar estes pacientes se nos nao temos intensivistas, e nao temos nefrologistas, nao temos serviços de hemodialise, nao temos laboratórios, assim fica como? Mas estamos sempre a receber ajudar financeiras para mrlhorar o sistema de saude em soma de Milhões e Milhões de dólar, que se realmente houvesse uma política transparente e direcionada por parte do estado ja teriamos estas condições criadas no pais, mas eu espero que com esta pandemia o estado pensa em investir na saude, porque é bem verdade que agora o mundo esta lutar com a Covid 19, e ninguém sabe que surto futuramente podera surgir no mundo.termino deixando aqui deixando o meu apelo aos senhores politicos da nossa praça, ama mais o vosso pais, criam e implementam projectos serios crediveis para o país, nao pensam apenas no hoje, deixam deste pensamento caduco de que chegou” a minha vez de dar o golpe do baú” , deixam de pensar que ir a Portugal é o vosso hospital,pessoas no pais vai de junta medico por situacoes que o pais poderia dar resposta, e o governo acumula dividas altas com as juntas,se investir nos hospitais o pais saira a ganhar, vejamos com esta Covid19 ninguem sai e entra para pais nenhum, sendo assim em situações graves vam a ONDE? Sejam mais patrióticos senhores governantes.

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