Opinião

A Forma e o Conteúdo

O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, pessoa que estimo, resolveu, num discurso maduramente pensado e escrito para um ato cerimonial como a abertura do novo ano judicial no país, zurzir nos outros órgãos do Estado utilizando, para tal, toda a artilharia argumentativa, em prol da defesa dos seus pares que caíram num estado de desgraça acelerada, junto da sociedade civil, em detrimento do próprio Estado-comunidade, citado anteriormente, de que ele é, ou deveria ser, um digno representante.

Tendo sido chamado à corte, para prestar declarações, perante tal ato de insensatez, hesitou, vacilou, deu o dito por não dito e corrigiu o tiro de artilharia, apesar de já ter causado estragos irremediáveis no castelo que ele próprio tem ajudado a construir.

Por paradoxo que pareça, este último ato formal do senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, é que foi milimetricamente escrutinado por diversos analistas e políticos locais em detrimento da importância e consequências do conteúdo do referido discurso. Infelizmente, é quase sempre assim, na nossa terra. Temos a tendência, quase patológica, para valorizar o aspeto formal das coisas desprezando o conteúdo das mesmas.

Só assim se compreende, por exemplo, que o assunto mais importante no debate político nacional, momentaneamente, seja a data de eleições em detrimento do propósito, no interior dos partidos políticos, de preparação dos conteúdos de decisão política que suportarão o programa daqueles que irão, eventualmente, governar o país num futuro próximo.

Só assim se compreende, por exemplo, que o ato procedimental, de realização de eleições periódicas no país, seja exponencialmente mais importante do que as propostas ou programas políticos, antecipadamente concebidos, que suportarão as ações daqueles que nos governarão no futuro. Ou seja, continuamos a valorizar a forma em detrimento do conteúdo, como receita coletiva para a construção e aprofundamento da nossa democracia.

Esta deriva comportamental coletiva ficou expressa, mais uma vez, no comportamento de alguns de nós, quando diante de um juízo tão devastador, sobre a organização e dinâmica do nosso Estado-comunidade, feito por um dos seus construtores mais importantes, preferimos valorizar o aspeto formal relacionado com a mudança de comportamento do referido ator institucional menosprezando, todavia, o conteúdo real da referida reflexão.

Houve, até, quem, levando a defesa deste formalismo ao excesso, tivesse considerado a possibilidade de perdermos a soberania, decorrente do ato tresloucado do senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, um autêntico vira-casacas para estas pessoas, para passarmos a ser tutelados pelas Nações Unidas, durante um determinado contexto temporal, até que o referido ator institucional se recompusesse do desequilíbrio emocional que o apoquenta.

Cheguei a receber, na minha caixa de correio eletrónico, uma proposta política ou abaixo-assinado neste sentido, de pessoas que não conheço ou conheço mal, convidando-me a subscrevê-la, com intenção de ser dirigida, posteriormente, àquela instituição internacional.

Nunca pensei que um ato formal, embora condenável e deslocado do senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, pudesse provocar uma tremenda onde de choque, em detrimento da análise e importância do conteúdo da referida mensagem, ao ponto de se considerar a possibilidade do país passar a estar sob tutela internacional decorrente deste ato.

Interessa-me pouco falar da atitude de vira-casacas, como lhe chamaram, do senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, outras pessoas já o fizeram, e, por isso, debruçar-me-ei mais sobre o conteúdo da sua mensagem original. De facto, o conteúdo da referida mensagem despertou em mim três curiosidades.

Em primeiro lugar, tenho dificuldades em compreender que um dignitário do próprio Estado possa atacá-lo com artilharia tão pesada, considerando-o tendencialmente tirano, num ato cerimonial mais convidativo à expressão de esperança, solidariedade, mobilização de vontades, recursos e outros instrumentos, eventualmente dirigidos para a mudança da realidade prevalecente, em benefício do próprio Estado, decorrente de um criticismo construtivo.

Este exercício é sinónimo de uma autêntica autoflagelação e desorientação na medida que o senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça deveria saber, e creio que sabe, que o Estado, em razão do seu poder e organização, tem de se apresentar sempre como uma só unidade da nossa sociedade política ao contrário da sociedade civil que pode sempre se apresentar e manifestar nas mais variadas formas de expressão de pluralismo.

O Estado-comunidade releva para a esfera do público, do que é comum para a res publica.A sociedade civil, pelo contrário, é que pertence o domínio do privado ou onde o privado se pode manifestar de forma descomplexada.

Não existe vários Estados dentro do próprio Estado e é por isso que existe, como parte integrante do nosso Estado de direito democrático, uma constituição escrita, separação de poderes bem como a garantia e controlo jurisdicional dos atos do poder.

Todos estes requisitos servem, também, para evitar espetáculos degradantes como estes que não contribuem para ajudar a institucionalização do Estado e exercício saudável das funções dos seus servidores. De repente, vi o senhor José Bandeira, diante de um espelho, chamando o senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, do outro lado e em imagem invertida, de tirano.

Não sei, todavia, se o senhor José Bandeira reconheceu o senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça naquele espelho. Não se trata de inventar um Estado ideal, sem contradições no seu seio, movido pela defesa dos nossos interesses coletivos como comunidade mas, sim, a necessidade de tratar os outros com dignidade em prol da identidade e interesses organizacionais deste mesmo Estado. Não é estadista quem quer. A contenção é, também, uma fonte de dignidade. Há uma fórmula, aliás, do pensamento político medieval, que diz esta coisa simples: “Os reinos não foram criados para os reis, mas os reis para os reinos”.

Em segundo lugar, tenho dificuldades em compreender que, recaindo sobre o sistema judicial, todas as críticas, momentaneamente, relacionadas com uma imagem pouco credível dos seus protagonistas, baixa ou nula eficácia dos seus resultados, suspeições, modelo de gestão débil e somente preocupado com os interesses da respetiva classe, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça não tenha aproveitado este momento singular para propor as linhas gerais de um eventual modelo de gestão de todo o sistema de justiça para o nosso país, a negociar com outras instituições da república, que fosse coerente e capaz de promover, sem conflitos internos e com resultados, uma verdadeira política de justiça para o país, comprometendo todos os sectores que atuam no referido sistema na sua execução e responsabilização.

Este, sim, seria um ato elegante, racional, de grandeza institucional e estratégica, até como forma de, no futuro, o sistema judicial se precaver e contornar as eventuais insinuações de ingerência, referidas de forma crítica pelo senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, de outros órgãos do Estado na esfera dos tribunais.

E esta seria a grande oportunidade para a tal investida, até pelo facto de uma parte ou generalidade dos senhores magistrados terem criticado de forma dura e inequívoca a proposta de lei do governo para a eventual criação de um Conselho Nacional Judiciário. Não se compreende tamanha incoerência.

Todos ficamos a saber que os senhores magistrados não querem aquela proposta de lei mas também não apresentam nada em alternativa que possa contribuir para a credibilização do nosso sistema judicial para além de tiros de artilharia contra outros órgãos do Estado num exercício de autêntica autoflagelação.

Em terceiro lugar, percebo mal que o senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça tenha ocupado uma vastíssima parte do seu discurso, numa cerimónia com esta característica, falando da não transferência, pelo governo, dos 10% do valor da venda dos produtos encontrados nos barcos, que foram recentemente apreendidos, nas nossas águas territoriais, de acordo, aliás, com o respetivo enquadramento legal.

Se existem mecanismos legais e/ou administrativos de controlo jurisdicional dos atos do poder, designadamente do governo central, tenho dificuldades em compreender que uma figura central do Estado transforme uma bagatela administrativa ou burocrática, num expediente para luta política dentro do próprio Estado fragilizando-o. Começa a ser preocupante alguns sinais de mercantilização da Justiça, depois da mesma já ter corroído os pilares do nosso sistema partidário, que configuram preocupação, manifestado em sintomas de crises sucessivas.

O nosso sistema partidário está doente e o sistema de Justiça dá sinais, por quase todos os lados, que também está debilitado. É óbvio que isto tem implicações objetivas na construção e organização de um verdadeiro Estado de Direito Democrático.

Todavia é salutar constatar que, da parte ordem da ordem dos advogados, chegam propostas e um modus faciendi que auguram alguma esperança e dias melhores, estando a contribuir para minimização da indiferença junto dos cidadãos de ideias e um discurso sobre a Justiça.

Adelino Cardoso Cassandra

 

 

    33 comentários

33 comentários

  1. Pagador de Promessa

    26 de Maio de 2014 as 9:34

    Meu caro, infelizmente é isto que tem contribuído para a desgraça das nossas instituições. Só impera o ódio, ataques, exibicionismo, má educação e outros males que fazem com que o país não desenvolve. Não há civilidade. Num país pequeno como o nosso as pessoas deveriam tratar-se com mais modos umas com as outras.
    Infelizmente não é só o presidente do Supremo que tem estas atitudes. Basta ver o que fez o senhor Patrice Trovoada quando foi destituído ou o senhor Levy Nazaré ainda há poucos dias.

    • Gibela

      26 de Maio de 2014 as 22:27

      Eu não percebo porquê que o nome do senhor Patrice Trovoada tem que vir associado a isto. Deixem o homem em paz minha gente. Não existem mais políticos cá em S.Tomé para mencionarem? Fogô….

  2. Feira de Ponto

    26 de Maio de 2014 as 9:39

    Falou e disse. Gostei.

  3. Lelê Mún

    26 de Maio de 2014 as 9:49

    Este discurso do senhor presidente do supremo foi muito fraco para as funções que ele ocupa. Não havia necessidade para tanta agressividade. Não é assim que se resolve os assuntos do estado. Se cada um for fazer assim o estado desaparece porque ninguém entende com ninguém. Não era o momento para estar a falar de 10% de receitas de venda de produtos do barco. Dá um mau aspecto ao sistema judicial. Estas coisas poderiam ser resolvidas falando uns com os outros ou recorrendo a outras vias.
    Cada vez mais tenho a noção que o nosso estado é fraco demais. As pessoas não têm preparação política, ética e moral para representarem o estado.
    Cumprimentos.
    Tenho dito.

    • Mé pó Feladu

      26 de Maio de 2014 as 15:51

      se a lei confere este direito ao tribunal no meu entender acho que o poder central devia depositar no cofre do tribunal a % em questão.
      agora quero deixar uma pergunta onde estava o MP em vez de advogados privados? qual o montante que estes advogados privados encaixaram nas suas contas, então qual é o problema de não entregar a instituição o seu direito, fui até a proxima

  4. Súm Bebezaúa

    26 de Maio de 2014 as 10:03

    Mais uma maravilha deste senhor. Gostei. Seria bom que estas pessoas lessem estes artigos.
    Os meus parabéns.

  5. República das Bananas

    26 de Maio de 2014 as 10:22

    Só posso concordar consigo. O discurso não foi ideal. Admito que foi um dia infeliz do senhor Drº Bandeira, juiz presidente do supremo tribunal de justiça. Conheço o homem e acho que ele é muito competente. Só que estava num dia mau no momento errado. O discurso foi muito agressivo vindo de quem é um elemento do próprio estado. Quem leu ou ouviu aquele discurso fica com a impressão que ele foi escrito por alguém que não pertence ao estado. O que eu não concordo é a proposta de algumas pessoas que circulou na Internet a pedir para que o país ficasse dependente das Nações Unidas. Isto mas parece uma brincadeira de crianças. Se fosse esta a razão para todos os nossos males há muito tempo que já perderíamos a soberania.

  6. Alvarinho

    26 de Maio de 2014 as 10:36

    Os meus parabens pelo texto.
    Thay

  7. Silva António

    26 de Maio de 2014 as 12:24

    Na terra que não tem pão todos falam e gritam mas ninguém tem razão. É esta infelizmente a nossa situação.
    Parabéns pelo seu brilhante artigo.
    Silva

  8. Adamastor

    26 de Maio de 2014 as 12:36

    Este discurso é uma brincadeira em relação a aquele que o senhor Levy Nazaré fez na Assembleia em que desejava morte aos seus adversários políticos. É verdade que o senhor presidente do T.J foi longe demais nas críticas mas o discurso do Levy deveria fazer com que ele nunca mais pudesse entrar na Assembleia Nacional. Há limites pata andar a tolerar estas mas criações.

    • Martelo da Justiça

      26 de Maio de 2014 as 15:17

      …É a continuação de CAOS, CAOS, CAOS!!!

  9. Rola de Trindade

    26 de Maio de 2014 as 12:46

    Sem palavras. Que Deus ajude S.Tomé a ultrapassar as suas dificuldades já que os homens não fazem o que dem fazer.
    Meus parabens pelo seu artigo de opinião.

  10. Vavá

    26 de Maio de 2014 as 12:57

    Senhor Adelino Cardoso, infelizmente todos os partidos políticos cá em S.Tomé só estão a espera de eleições para concorrerem e distribuirem migalhas para população e quando ganharem não ligarem o povo para nada. Isto tem de ser dito. Como é possível que os partidos só estão interessados na data de marcação de eleições e não apresentam nehuma proposta sobre nada que pode contribuir para fazer o país anadar para frente? Só querem eleições e mais nada. o ADI só está interessado nas eleições e o seu presidente só vem cá para S.Tomé quando o senhor presidente Pinto da Costa marcar a data das eleições. Isto é serviço, minha gente? Que país é este? Se eles ganharem eleições o ADI e Patrice Trovoada vão para governo fazer o quê? O MLSTP, o PCD, o MDFM e todos os outros partidos também só estão interessados que o senhor presidente adie a data das eleições em vez de apresentarem os seus programas políticos para tirar o país desta grande confusão. Onde é que vamos parar com esta atitude destes partidos?

    • Só com Cristo

      28 de Maio de 2014 as 8:38

      Eles só querem eleições para irem para o poder para cada um saber da vida dele. Dão ao humildes do povo umas 200 mil dobras, ganham eleições e vão saber da vida deles. Isto é uma desgraça.

  11. Tristeza Muito

    26 de Maio de 2014 as 13:07

    O José Bandeira é dos juízes mais competentes que existe cá em S.Tomé. Tenho pena que isto tivesse acontecido com ele. É uma pessoas sensata, equilibrada e inteligente. Só razões muito fortes terão levado ele a fazer um discurso tão agressivo e contudente.
    Ao contrário de outros juízes corruptos que este país tem o Bandeira é uma coisa rara no meio desta bicharada. Acho até que ele deve ter sido muito pressionado pelos seus amigos e conselheiros para fazer este tipo de discurso porque alguns deles têm rabo na estrada e sentem-se em risco.

    • Horácio Will

      26 de Maio de 2014 as 15:36

      Conheço mal o Sr Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, mas não admira que quanto mais competente e justo sejamos maior é a tendência para começarmos a cair no extremo da intolerância e, consequentemente, passarmos a ser acusados quando acusamos. É necessário que o Sr. Bandeira não sinta o mau entendimento causado pela sua exposição como ingratidão por parte de quem o senhor possa ter pretendido defender (o povo) e que não abandone a sua boa vontade de continuar a lutar contra o que considerar errado. Mais necessário torna reconhecer que as pessoas que estão do outro lado são também necessárias para a luta pelo que é de todos nós. Assim, fica bem a condenação permanente dos pecados que enfermam o país sem se esquecer de se colocar ao lado dos pecadores para mudar o que for passível de correcção. Pouco faremos na democracia se nos distanciarmos daqueles a quem queiramos corrigir. Fácil seria uns açoites e colocar a malta na linha… mas longe vão esses maus tempos. É preciso compreender, explicar e contar com todas as facções para construirmos algo em conjunto, embora com convicções inicialmente diferentes ou, até,opostas.
      Manifesto já a minha esperança que o discurso aqui condenado do senhor José Bandeira não tenha propósitos de supreposição ou de simples afirmação de classes ou grupos nem de projecção pessoal, mas, menos mal, tenha nascido da intolerância e cansaço diante de tanto desnorte que nos tem caracterizado. Espero também que a imagem de homem competente se mantenha para que não percamos nenhumas das poucas que temos. Precisamos de referências.
      Quando ao Sr. Adelino Cassandra, meu caríssimo colega dos liceus, aproveito para o felicitar e para manifestar os votos de boa continuação na sua luta pela reposição(?) talvez, pela incrementação de valores na sociedade são-tomense. Que não ceda quando é criticado por não falar do sistema económico ou de assuntos relacionados com a sua formação académica. Se a nossa consciência social for baixa, de muito pouco adiantará falar e voltar a falar de aspectos técnicos. Por isso, mantenha!
      Muito embora eu não discorde na totalidade da Crítica no sentido de parcialidade nas observações que vem fazendo do cenário político da nação, acho magistral a forma com nas suas críticas tem tentado contribuir para a consciencialização de todas as facções partidárias assim como da sociedade civil. Mais: é justo que faça as suas explanações com base nas fontes que lhe são mais acessíveis. O mais correcto seria, os críticos que se sentirem no lado oposto, fazerem exactemente o mesmo, com igual espírito didáctico. O Téla-Nón sairia enriquecido e o povo agradeceria.

  12. Juvé

    26 de Maio de 2014 as 13:16

    Eu tenho de reconhecer uma coisa. S.Tomé não tem juízes qualificados para exerecerem com imparcialidade e capacidade as suas funções. Eu acho que se deveria fazer um diagnóstico desta realidade e após isto planificar um esquema de formação e capacitação técnica, moral, deontológica e ética os nossos juízes, num determinado espaço de tempo. Quem estivesse em condições passava e fazia parte do elenco dos vários juízes do país de acordo com a organização dos tribunais. Quem chumbasse iria para outras funções dentro dos tribunais ou fora dos tribunais mas de categoria inferior. E a partir dai iria haver formação contínua sempre para capacitação dos juízes para eventualmente puderem mudar de escalão ou categoria. É uma vergonha aquilo que certos juízes nacionais fazem. Isto não pode continuar assim.

    • Carlinhos

      26 de Maio de 2014 as 17:59

      Só posso concordar consigo. E isto é bastante evidente quando as universidades de direito cá de s.tomé estão a mandar para fora muita gente formada em direito que mais tarde vêm ser advogados e juízes. Não tenho nada contra as nossas universidade mas talvez seria necessário um mecanismo de seleção destas pessoas antes de entrarem nas respetivas profissões. Há muita gente recentemente formada em direito que não têm as mínimas condições para serem advogados muito menos juízes.
      O tribunal está como está por causa também de comportamento e formação de alguns juízes.
      O país tem muita coisa que fazer nos próximos tempos.

  13. Ma Fala

    26 de Maio de 2014 as 17:10

    Eu sinceramente nao considero a pronunciacao do SR.Jose Bandeira tao infeliz como muitos pretendem demonstrar. E se perguntemos de quem e a culpa?
    Obviamente que ele recairia no propio Estado que infelizmente nao sabe ser e estar, caso houvesse maior seriedade e uma determinacao em melhor servir o pais o surgimento destes tipos de casos seriam impensaveis. Se nao vejamos a situcao de Estudantes que estao a um tempo bastante consideravel sem receber a sua unica forma de subsistencia: a bolsa.E a partir dai que comeca o principio de anarquia que tende a reinar no pais, o individuo desde a sua tenra idade nao se identifica com a existencia de Estado Superior, Ligislador,Organizado,e Promissor; o Esdo esquece que serao eles os futuros dirigentes- que moral ele tera, que exemplo ele dara? e obvio que ele partira para o lado thanatos(destruidor),o Estado deve mostrar ser fiel, para ganhar respeito, admiracao e reverencia dos seus suditos (Confucio) que a verdade seja dita no nosso pais estamos longe desta realidade- aver-vamos ate onde isto ira parar.

    • B.F

      28 de Maio de 2014 as 7:36

      Também acho que a pronunciação do senhor José Bandeira não teria sido infeliz se ele não fosse um elemento do próprio estado. Afinal de contas ele é um elemento importantíssimo do estado e como é que ele mesmo pode chamar este estado tirano? Se é um estado tirano ele como um dos seus maiores executores deveria criar condições para parar esta tirania. Se existe tirania cá em S.Tomé ela está em primeiro lugar na prórpia justiça que o senhor José Bandeira dirige.
      Basta perguntar isto ao povo.

  14. Trindadense

    26 de Maio de 2014 as 19:45

    Meu caro não é só com os juízes infelizmente que isto acontece. Em todas as classes profissionais isto tende a aumentar. Basta ver a qualidade dos nossos professores, por exemplo. Contudo a classe mais inqualificada innfelizmente é os políticos. Nós não temos, excluindo algumas almas boas, políticos bem preparados para guiar os respetivos partidos.
    Basta ver o papel que o senhor patrice Trovoada tem feito lá no estrangeiro. Como é possível uma coisa desta? Um presidente de um partido ficar no exterior mais de um ano sem passar cavaco ao partido e agora quer vir concorrer para as eleições? Basta ver o papel que outros líderes partidários têm feito cá no país. O Jorge Amado tem condições para ser líder de um partido político?

    • Gente Daqui Mesmo

      27 de Maio de 2014 as 9:21

      O país precisa de facto de um autêntico plano marchal que inclua todos os sectores da atividade. Isto de formação técnica e contínua tem de ser uma grande batalha para o país vencer a crise em que se encontra. Temos défice de formação e especialização técnica em todas as áres. Hoje em dia não basta ter uma formação superior para as pessoas terem imediatamente acesso aos altos cargos de direção e especialização na função pública e estarem a fazer disparates uns atrás dos outros. Um dos males que acho que temos é o facto das pessoas assim que acabam o curso são recrutadas para altas funções no estado ou em lugares que exigem alguma especialização. Isto não pode ser. As pessoas têm que demonstrar primeiro que têm valor para ocupar estes lugares. Noutros países existe uma carreira. Sós os melhores é que vão subundo nela. Aqui em S.Tomé isto não acontece. O cartão partidário tem mais peso do que o valor técnico e ético das pessoas. A nível político já nem se fala.

  15. Homem honesto

    26 de Maio de 2014 as 22:56

    Nem mais…

  16. Rodrigo Cassandra

    27 de Maio de 2014 as 8:07

    Não posso deixar de felicitar o meu irmão Didi por usar o pouco do tempo que tem para escrever estas valentes palavras e frases neste painel, agora o meu conselho é em Agosto trás todas estas notas soltas se tiveres condições de vir de ferias para no palácio dos congressos analisar-mos todas uma por uma com lanterna, E lupa ,na presença de todos os políticos e de uma vez por todas decidirmos ,se vamos manter este ritmo ou se vamos mudar de rumo e encontrar comandantes que sabem mexer e interpretar a bussola do barco.
    Eu conheço muito bem o Presidente do Supremo Bandeira, não estou a acreditar que ele sozinho no seu gabinete ou em sua casa escreveu tudo o que leu, aposto que ,a pressão de alguns colaboradores conduziu o homem integro que eu conheço para tal discurso ,pois se olharmos para a intervenção do mesmo depois da reunião no Palácio apareceu-me outra pessoa com outra cor ,, outra forma ,enfim,, mas tudo isso no meu entender vem de longe dar razão ao governo que em tempo útil percebeu que uma intervenção no sector da justiça e a criação do tal Conselho é e será inevitável, caso contrário abismo total .Ao terminar encorajo o meu irmão a continuar a escrever pois o que escreves esta a transformar aos poucos numa autentica bíblia em que alguns cristãos teimam em fazer interpretações propositadas para tirar dividendos inexplicável ABRAÇOS ATÉ PROXIMA RODRIGO CASSANDRA (DIGO)

    • Careca

      27 de Maio de 2014 as 9:37

      Eu por acaso também concordo consigo. Este Bandeira é boa pessoa. Conheço ele desde os tempos de colega de escola. Não sei o quê que deu ele para fazer um discurso assim tão agressivo. Este discurso poderia ser feito por qualquer pessoa menos por um membro do próprio estado. As pessoas irão pensar que se eles no próprio estado não se entendem e chamam tiranos uns aos outros como é que que querem que nós os entendemos. A crítica poderia ser mais suave e sem tanto radicalismo. Se todos eles fazem parte do estado como é que um vai chamar outro nomes? Como é que eles depois vão reunir para tratar dos problemas do país? Assim também não.

  17. Eusébio Pinto

    27 de Maio de 2014 as 10:39

    Senhor Adelino Cassandra,

    Tiro a si o “meu chapéu” pela análise que faz neste artigo de opinião!

    Já tive oportunidade de expressar, em comentário neste palco a um dos seus artigos anteriores, que os seus textos não me surpreendem pela grandeza da forma e riqueza do conteúdo. Mas, verdade seja dita, o senhor consegue é surpreender-me pela inteligência de visão estratégica com que apresenta os seus artigos: sempre muito bem enquadrados no contexto e altamente oportunos no tempo!

    Ter um conterrâneo como o senhor, é das poucas coisas que ainda me faz sentir o orgulho de ser santomense!

    Cumprimentos,
    Eusébio Pinto
    Luanda – Angola

  18. Angolar

    27 de Maio de 2014 as 11:13

    Eu subscrevo o que este senhor disse e com razão. De vez em quando tenho a sensação de que estamos na selva onde ninguém respeita ninguém, onde cada um faz o que quer, onde só reina anarquia. Eu acho que o senhor presidente do supremo tem todo o direito de fazer críticas a toda a gente. O que eu não entendo é que o faça desta forma sendo ele mesmo membro do estado. Isto é mesma a coisa de que um primeiro ministro via para público dizer num discurso que o seu governo é tirano ou corrupto.

    • Carlinhos

      27 de Maio de 2014 as 20:17

      Exemplos vêm de cima. O que é que querem?

  19. manuel soares

    27 de Maio de 2014 as 20:27

    Grande coisa o que o Dr José Bandeira disse está dito, será que é o antigo primeiro ministro Patrice Trovoada é que mandou o homem dizer isso, tenham dó e ponham tino nestas cabeças, ouvimos e vimos, a coisa está por torto, mandem o Pinto marcar as eleições e basta de choramingas

    • Bruxa de Pantufo

      28 de Maio de 2014 as 7:30

      Xiê, minha gente deixa Patrice Trovoada em paz. Kê kuá!!!! O que é que ele fez para o senhor Manuel Soares está a utilizar o nome dele? Sinceramente.

  20. Ponha Boca Não Tira

    28 de Maio de 2014 as 8:56

    Eu se fosse alguém com poder em S.Tomé eu não marcaria nenhuma eleição, nem legislativa neu autárquica nem regional se os partidos políticos que existem cá não dessem indicação que estão em condições de ir para o governo e fazer um bom trabalho para o bem do povo. Isto já está a ficar um abuso. Sai um governo entra outro igual e nãoi fazem nada. Volta-se de novo a marcar eleições e vem um governo e depois vai embora e não faz nada. Depois todos querem eleições de novo para voltarem ao governo. Isto é uma grande porcaria e abuso contra o povo pequeno. Enquanto eles vão sabendo da vida deles o povo vai-se definhando. Por isso mesmo eu se mandasse neste país não haveria eleições enquanto os partidos não estivessem minimamente preparados e organizados. Uma cambada de sanguessugas que só querem tachos. Alguns miúdos mal formados sem preparação para serem governantes querem só ir para o governo para fazerem porcaria.

  21. Gamela Grande

    28 de Maio de 2014 as 11:30

    Eu só quero dizer uma coisa como alguém já disse lá em cima. Em casa que não há pão todos ralham e ninguém tem razão. Tudo isto aconteceu porque os senhores juízes querem dinheiro para andarem a gastar com catorzinhas e boa vida. Estes senhores também pensam que são reis deste país e que também devem viver muito melhor que a maioria da população. Eu sou da opinião que os juízes por exemplo não deveriam ter carros de estado. Se quizessem compravam os seus carros. Eu já fui um alto funcionário do estado e não tinha carro nenhum. Que eu saiba os juízes noutros países não têm carro de estado. Nós temos de acabar com estas regalias até porque somos um país pobre e sem recursos.

  22. Barão de Água Izé

    11 de Junho de 2014 as 9:45

    Merece mais depressa ter um carro com motorista o agricultor ou o pescador que produzem e nos alimentam, do que doutores, mestrandos, juízes e outros tantos que nenhuma riqueza produzem, mas por acharem que falam bem, conversa daqui e dacolá, usam gravatas de seda e bebem cerveja estrangeira, têm direito a aquilo que os outros realmente produzem.

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