Opinião

Quando o Remédio era Chichi

Antes ou mesmo depois da independência nacional, recordo-me perfeitamente, o chichi era a única receita para todas as nossas maleitas no contexto local. Se alguém padecesse de um problema dermatológico qualquer recorria ao referido líquido, próprio ou de outrem, como resposta para este problema momentâneo. Se alguém fosse acometido de uma crise alérgica qualquer, lá estava o chichi para resolver o referido problema.

Se alguém se empanturrasse com jaca e fosse acometido, posteriormente, de uma duradoira dor de barriga, lá estaria o senhor chichi para salvar a alma do pobre coitado. Se alguém “apanhasse vento” a receita ideal era lavar a cara com chichi e esperar pelo regresso da tranquilidade emocional.

Eu próprio, quando tinha, provavelmente, 9 ou 10 anos, lá na roça, com a minha querida tia Lígia, na quebra de cacau, juntamente com alguns dos meus irmãos e primos, tive a infelicidade de ser importunado com a ousadia de um inseto qualquer que me invadiu o canal auditivo transformando-me, naquele instante, num louco perfeito. Imaginem qual foi a receita? Chichi!

A minha tia, naquele mesmo instante, perante a minha momentânea loucura, não hesitou em pegar num objeto qualquer, despachar o seu chichi para o interior do mesmo e, depois de inclinar a minha cabeça para um dos lados, injetou o referido liquido, através do canal auditivo, para a parte mais interna do mesmo. Isto constituiu um autêntico milagre que me deixou em paz e em condições de continuar a tarefa que, até então, realizava.

O chichi era quase que o único remédio, pronto a usar, em qualquer situação de maior ou menor urgência, para resolução ou minimização de problemas patológicos mais ou menos grave. Foi nesta altura que os Stlijón e os Piadô zaua, como lhes chamam em S.Tomé, ganharam imenso poder e respeito no país. Paulatinamente, as condições sociais, económicas e, sobretudo, culturais, foram se modificando, ao longo dos tempos, e as respostas farmacológicas para as maleitas físicas ou doenças, sobretudo as tropicais, também democratizaram-se. Até os próprios Stlijón e Piadô zaua sofreram bastante com esta mudança radical e perderam o respeito e consideração que a população nutria por eles.

Da mesma forma que o senhor chichi se transformou, naquele contexto temporal concreto, numa espécie de bálsamo dos pobres, com caráter curativo transversal; cada Santomense transformou-se, também, em dono de uma farmácia.

Volvidos alguns anos, com o advento da democracia no país, resolvemos adaptar esta experiência farmacológica, pouco recomendável, aos contornos da sua implementação e aprofundamento. Dai o surgimento e reivindicação sistemática, de realização de eleições periódicas no país, como único expediente para a resolução de todos os nossos problemas democráticos no contexto comunitário.

Antes tínhamos o chichi como único agente responsável para a resolução de todos os problemas de saúde que atormentavam o povo; passámos a ter, com o advento da democracia no país, o procedimento de realização periódica de eleições como a única resposta que poderia caucionar a bondade de um regime tão complexo como o democrático. Deixámos de ser, individualmente, donos de uma farmácia e passámos a ser donos de um voto.

Só que esquecemos que, da mesma forma que o chichi, só ilusoriamente, respondia a todos os nossos problemas de natureza patológica, atendendo ao facto da diversidade dos agentes patogénicos existentes provocarem, consequentemente, uma grande diversidade de doenças que exigiriam uma resposta curativa diversa; o ato procedimental de realização de eleições periódicas no país, por si só, sendo extremamente importante para a interiorização e aprofundamento da democracia junto dos cidadãos não é suficiente para satisfazer as suas complexas exigências.

A nossa democracia está doente, muito doente, e o único remédio que encontrámos para contrariar os efeitos gangrenosos desta doença, reivindicado por quase toda a gente, é o procedimento de realização periódica de eleições em detrimento de tudo o resto.

É óbvio que este procedimento, de realização periódica do ato eleitoral, é uma condição importantíssima para satisfação da complexidade do regime democrático ou constitui um dos seus principais pilares. Eu próprio já escrevi muitas vezes sobre isto. Mas não é tudo nem o essencial. Basta ver o miserável e degradante espetáculo fornecido recentemente por altos quadros da ADI, na Assembleia Nacional, para chegarmos a conclusão sobre o estado das instituições de suporte democrático na nossa terra.

Além disso, se o instituto de sufrágio é um dos pilares da democracia, sendo a sua importância crucial para função de representação política e para a organização do Estado e dos poderes, o pior que poderíamos fazer é transformá-lo, consciente ou inconscientemente, num expediente, em nome do povo, para que os nossos representantes possam contornar ou fugir das suas responsabilidades criminais, decorrentes de atividades públicas ou privadas.

E é isto mesmo que tem acontecido, desde a instauração da democracia no país, fazendo com que muitos dos nossos representantes políticos, na Assembleia Nacional, tenham transformando a imunidade parlamentar num privilégio pessoal para contornar ou fugir as suas responsabilidades perante a justiça, colocando em causa um outro pilar da democracia que é a separação e equilíbrio entre os poderes do Estado bem como o princípio da igualdade.

É triste reconhecer isto mas, hoje em dia, em S.Tomé e Príncipe, não somos todos iguais perante a lei. Qualquer deputado ou líder político pode: utilizar abusivamente a imunidade parlamentar ou outros expedientes para condicionar, anos após anos, a sua responsabilidade perante a justiça; insultar, denegrir, desrespeitar ou coagir o primeiro-ministro do país, em plena Assembleia Nacional, sem que lhe aconteça nada de particularmente significativo em termos políticos ou penais e/ou invocar a sua condição de liderança partidária para, num contexto pré ou pós eleitoral, condicionar a ação da justiça, através de atos dilatórios, recorrendo a todos os tipos de expedientes ou pressão.

Tendo em conta este diagnóstico parece-me contraditório que o único remédio para a consolidação da democracia no país, invocado por muita boa gente, seja o ato procedimental de realização periódica de eleições no país.

Até parece que, alguns deputados e líderes partidários, munidos destes privilégios especiais que mais ninguém tem no país, precisam desta legitimidade, conferida pelo estatuto de sufrágio eleitoral, para continuarem a praticar ilegalidades, em nome deste mesmo povo, e manterem o seu estatuto de superioridade perante a lei. Percebe-se, por isso, a originalidade associada ao  ato e intenção legislativa, entretanto abandonada por pressão dos cidadãos, relacionada com a introdução do voto obrigatório no nosso ordenamento jurídico-político.

A democracia e o pluralismo político, pressupõem, entre outras coisas, o estabelecimento de práticas políticas, juridicamente estabelecidas, que garantam a liberdade e os mesmos direitos para todos.

Se a imunidade é uma prerrogativa dos deputados para defenderem a “coisa pública”, em nome dos cidadãos, não podem transformá-la num privilégio para fins privados, fazendo com que a formação da vontade popular perdesse toda a validade já que, neste caso, ele é efetuada sob condicionalismo tal que os nossos direitos, como cidadãos, deixariam de ser preservados.

Se eu, como cidadão nacional, tentasse intimidar, insultar ou coagir o senhor primeiro-ministro, como aqueles altos responsáveis da ADI fizeram na Assembleia Nacional, não tenho dúvidas que seria automaticamente detido, para além de constrangimentos de outra ordem que isto encerraria. Isto não é a forma, em liberdade, de, supostamente, se defender os interesses públicos nem se fazer a pedagogia ou defesa dos ideais democráticos.

Como é que podemos estar descansados, quanto ao futuro da nossa democracia e do desenvolvimento do país, correndo o risco de estarmos a entregar, decorrente da realização do ato eleitoral, o destino do país, nas mãos desta gente, caucionando, voluntária ou involuntariamente, com o nosso voto, uma conduta, política, social, ética, cultural e até criminal, ciclicamente desajustada, de agentes políticos que, supostamente, deveriam ser o exemplo de obediência às decisões coletivas tomadas com base nas regras do jogo democrático?

A Assembleia Nacional transformou-se, neste momento, numa casa de maus exemplos para a cidadania. Ai é o palco preferido onde: o confronto físico está em vias de se tornar uma banalidade diária; se tira as armas do coldre, próprio de um gangsterismo institucionalizado, para intimidar os adversários políticos e se amedronta e coage o primeiro-ministro do país numa sinfonia suína onde a intensidade do grunhir é o argumento político utilizado como contraditório. E o pior é que tudo isto não se resume a um fenómeno episódico e localizado no tempo. Ele traduz problemas crónicos, a montante, que eu tenho invariavelmente feito referência, relacionados com défice de organização e de orientação da função partidária na nossa terra associado ao espetáculo irresponsável e autofágico de algumas lideranças políticas que vai acabar, mais tarde ou mais cedo, por matar a maior parte dos nossos tradicionais partidos políticos.

A imunidade parlamentar, em vez de ser utilizada como uma prerrogativa, defensora da liberdade dos deputados em prol dos interesses públicos e aprofundamento da democracia na nossa terra, passou a ser um privilégio de alguns deputados para disseminarem malfeitorias em nome da representação popular.

É para perpetuar este circo trágico que vamos votar? Tudo isto acontece, por sinal, num clima de contradição total entre aquilo que alguns partidos políticos reivindicam, em nome do aprofundamento da democracia no país, que se resume unicamente ao procedimento de realização periódica do ato eleitoral no país e a ausência deste mesmo requisito reivindicativo, no interior das respetivas estruturas partidárias, para a promoção de valores e princípios democráticos nos respetivos partidos políticos.

Como é que partidos políticos que são liderados como estruturas totalitárias, sem enquadramento organizacional, metodológico e programático, defensor dos interesses e valores democráticos, no interior dos mesmos, aspiram impor a defesa destes mesmos valores e interesses no contexto comunitário?

A democracia não se esgota no procedimento periódico de realização de eleições no país como o chichi só ilusoriamente representava, noutros tempos, o único remédio para todos os nossos problemas de saúde.

Adelino Cardoso Cassandra

    30 comentários

30 comentários

  1. Democracia

    7 de Julho de 2014 as 9:18

    Adelino Cardoso Cassandra! És mais um cronista anti-ADI! Infelizmente tentaste justificar o injustificáveis! Não existe democracia sem eleições periódicas, e não havendo respeito pelas Leis das Repúblicas é lógica que hão-de aparecer muitos Levys! Quando o pai dá mau exemplo é óbvio que o filho não irá respeitá-lo. É o que tem acontecido em S.T.P devido falta de Sentido do Estado tanto por parte do Governo como por parte da Oposição.
    Não devemos simplesmente criticar o comportamento do deputado Levy Nazaré, e não esquecendo que o comportamento censurável por parte do referido político, resultou da intervenção do nosso primeiro-ministro que mandou-lhe calar a boca num tom provocador.
    Resumindo e concluindo, a situação de estabilidade político em STP deve-se a falta de Sentido do Estado, ausência de Responsabilização Política e falta do espírito patriótico.
    E não excluindo aos cronistas que aparecem neste palco informativo, com artigos que ficam muito aquém do desejado, isto é, os cronistas estão simplesmente ao serviço de um grupo de políticos que têm estado a desgraçar este povo, que merece uma classe político séria, competente, honesta, patriótica e trabalhador.
    Fui…

  2. Rodrigo Cassandra

    7 de Julho de 2014 as 10:39

    Tudo isto tem necessariamente que ser retratado numa coletânea porque pouca gente tem a sensatez de escrever assim com tanta qualidade e profunda isenção e uma analise feita a lupa como se estivesse dentro de um laboratório. E não só isso como o recontar de histórias passadas a mas de 40 anos com um enquadramento no contexto de gerações actuais.Isso tudo demostra uma lucidez de tamanha dimensão que não pode nem deve ser de maneira nenhuma desperdiçada.
    Porque não remover dos estatutos dos deputados a malfeitoria de imunidade parlamentar,, talvez assim acabaríamos com este búnquer de esconderijo impenetrável que é a Assembleia Nacional

    • anônimo

      7 de Julho de 2014 as 16:44

      Rodrigo, a tua opinião é tudo menos isenta, tu tens um ódio visceral ao ADI que te cega. Como não consiste ver o comportamento do teu PM que levou a está bagunça toda? Como não conseguinte ver o pedido de desculpas do teu PM( aqui tiro o chapéu por ter reconhecido o erro) o que deveria ter sido feito também pelo Levy devido a enérgica resposta dada ao PM. Com ódio este País não vai a lado algum.

      • J.P

        9 de Julho de 2014 as 22:37

        Senhor Anónimo eu e o senhor Rodrigo, mas conhecido por Digo, estivemos no ADI no momento mais importante da sua história. Demos muito a este partido. Pergunte aos teus amigos militantes atuais deste partido quem foi o Rodrigo e eu e os outros, o Jaime Menezes, o Boca Balança, etc. que construimos a história do ADI em momentos que o partido era de facto perseguido. Portanto o Rodrigo nunca poderia ter ódio visceral ao ADI porque ele como eu fazemos parte da história deste partido. Se hoje ele e eu estamos noutro lado é porque não fomos nós que mudamos. Naquele tempo no ADI aceitava-se a crítica para melhorar o partido. Hoje em dia fazemos uma crítica construtiva e vocês dizem que temos ódio visceral ao partido. Podem continuar assim que vocês vão longe. Eu próprio vi o Rodrigo a participar no tempo de antena do Evaristo contra o Pinto da Costa. Ele faria isto se tivesse ódio do ADI. Sinceramente que eu não vos compreendo. Já não se pode criticar pessoas do ADI mesmo quando fazem mal neste país. O senhor acha que este comportamento do Levy foi bom para o país? Sinceramente que eu acho que não. Mesmo se o primeiro-ministro tivesse dito para calar aquela não era a forma para os deputados do ADI responderem. Isto não é o exemplo que se pode dar ao povo.

        • Stlijón de Ribeira Afonso

          10 de Julho de 2014 as 9:57

          O ADI ficou assim agora. Ou está comigo ou está contra mim. Isto não pode ser. S´lo estas pessoas é que acham que Levy Nazaré portou-se bem. Eu acho isto incrível. Cá na cidade de S.Tomé toda a pessoa que eu conheço e com quem falei criticou este comportamento do Levy Nazaré. Eu não percebo porquê que o próprio responsáveis do ADI não podem assumir que este comportamento foi mau até pata terem legitimidade para criticar os comportamentos dos outros. Eu vejo isto como uma crítica construtiva.

  3. Almeida

    7 de Julho de 2014 as 11:02

    O que é que eu posso comentar? Tudo está dito. Só espero que Deus continue a dar este senhor vida para ir escrevendo estas coisas porque eu já estou farto de ver desavergonhices neste país.

  4. Trindadense

    7 de Julho de 2014 as 11:15

    Subscrevo totalmente o seu texto caro compatriota. E o pior de tudo é que com estes comportamentos a classe politica deste país não tem ideia que estão a afastar as pessoas da política. Hoje em dia cá em S.Tomé as pessoas não tem esperança nem confiança nos políticos. As pessoas menos esclarecidas esperam as eleições para receberem algumas dobras e votarem. As pessoas mais esclarecidas nem querem ver estes partidos com os olhos. É por isso que eu não acredito no futuro deste país nem da democracia. Esta cena do Levy Nazaré na Assembleia Nacional foi má demais para ninguém dizer nada nem fazer nada. Onde é que nós vamos parar com estas coisas é que eu não sei. O país já bateu no fundo muito tempo. Só estes políticos é que não vêm isto.

  5. Thay

    7 de Julho de 2014 as 11:29

    As eleições só serve para cada um saber da vida deles. Infelismente é esta a nossa realidade. Ainda vão matar uns aos outros por causa de poder.

    • anônimo

      7 de Julho de 2014 as 16:29

      O sr acha que não deveria haver eleições? é isto? Sinceramente ninguém entende alguns Santomenses. .. A imunidade é utilizada para roubar o erário público, isto de insultos é mal menor em comparação com milhões que alguns deputados roubam e se protegem na imunidade.
      SEM ELEIÇÕES ESTARÍAMOS NA DITADURA.

  6. BODÒN

    7 de Julho de 2014 as 11:30

    Infeliz!

  7. F.B.G

    7 de Julho de 2014 as 11:46

    Meu caro amigo Cassandra, só posso reafirmar mais uma vez que fartei-me de rir com a tua crónica. Estás cada vez melhor com uma ironia mais apurada. Gostei sinceramente de ler-te, mais uma vez. A forma como misturas traços da nossa cultura com factos políticos e sociaos que têm acontecido no país é muito fabulosa. Meus parabêns pela crónica.
    Um abraço para ti e a tua família

  8. Pantufo Livre e Independente

    7 de Julho de 2014 as 12:35

    Só com Cristo, minha gente, como se diz aqui em S.T.P. Gostei de ler. Tiro o meu chapéu.

  9. adalberto

    7 de Julho de 2014 as 14:27

    EM RESUMO:

    Há pessoas,partidos politicos que pouco estão lixando para o futuro deste país.
    O importante para eles é FAZER ELEIÇÂO,DAR BANHO engando população,atingir o poder… que sa fô…para o resto.

  10. Martelo da Justiça

    7 de Julho de 2014 as 15:32

    Pois é meu caro Cassandra, essa questão das imunidades está sendo aproveitada pelos políticos de forma indevida e consciente, apenas para atingir os seus objetivos pessoais ou de grupo. Isto não pode continuar assim. Estou a lembrar o Presidente da ADI que abandonou voluntariamente o Pais desde que deixou de ser Primeiro Ministro e disse que só regressaria ao Pais quando forem marcadas as eleições. Inicialmente achei isso muito estranho mas pouco a pouco começo a entender as coisas. Estando ele com problemas com a justiça, não lhe convém regressar antes da marcação das eleições. Uma vez as eleições marcadas ele estará coberto de imunidades na qualidade de candidato a Primeiro Ministro. Da mesma forma que não se deve condicionar a marcação das eleições com a resolução de um processo judicial de um cidadão, ninguém deve também refugiar-se nas imunidades para escapar a justiça.Isto é tão importante quando se sabe que a pessoa em causa está a concorrer para um cargo importante na hierarquia do Estado. A pergunta que se coloca é a seguinte? Se o Presidente da ADI acha que está a ser perseguido e que tem a consciência tranquila, porque é que ele não regressa antes das eleições e submete-se a justiça para deixar tudo claro? Deixo essa reflexão a consideração dos caros foristas.

    • Riboqueano

      9 de Julho de 2014 as 15:53

      Concordo consigo. Muito embora possa entender algumas críticas do ADI e do seu líder não consigo entender como é que ele que foi um homem de estado, como primeiro-ministro, abandona o país sem dó nem piedade, e dizem por ai que existe problema de justiça com ele porquê que ele não aparece para se esclarecer o assunto? Isto é que define um homem de estado. Se existe algum problema na justiça contra ele ou contra qualquer outra pessoa acho eu que ele deveria aparecer e exigir até que mais rapidamente se esclarecesse o assunto de forma que ele pudesse concorrer sem qualquer problema nas eleições. Ele até poderia ganhar mais notoriedade e ter legitimidade para criticar os outros porque eu já ouvi ele a dizer que existe muitos corruptos cá em S.Tomé que estão cobertos pela justiça. Assim sendo esta seria uma boa oportunidade para ele como líder de um partido fazer algo diferente e mostrar ao povo que ele é deferente dos outros. Sinceramente que eu fiquei desiludido com este comportamento dele. Não se pode andar só a criticar os outros e quando nos toca assumir o mesmo comportamento. Eu ouvi o Patrice Trovoada acusar outros políticos que tinham dívidas nos bancos de milhões de dólares e que eram corruptos. Agora que ele tem uma boa hipotese de fazer o contrário daquilo que ele criticou nos outros ele faz uma fuga para estrangeiro. O povo não pode acreditar em ninguém neste país.

  11. Pão com Chouriço

    9 de Julho de 2014 as 15:02

    Este país precisa de uma ditadura por algum tempo para endireitar definitivamente aquilo que está mal e não tem endireito com esta classe política sanguessuga. Toda a gente neste país quer mandar, quer dar ordens, insulta os outros, nãpo respeita ninguém. Em qualquer país do mundo este senhor Levy Nazaré seria preso por seu comportamento. Nada justifica aquela afronta ao primeiro-ministro. Eu posso não concordar com o primeiro-ministro mas deve-se respeitar. Aquilo que eu vejo aqui em S.Tomé é que se confude democracia com falta de respeito. Os políticos são os primeiros a terem este mau vício.

  12. Filipão

    9 de Julho de 2014 as 15:37

    Se as eleições fossem o essencial para resolver os problemas deste país nós não estaríamos na situação que estamos neste momento. O grande problema é que as eleições resolve a vida de meia dúzia de pessoas e dos seus familiares. Sendo assim são eles os principais defensores de realização imediata. Isto vai ser sempre assim. Sai uns entram outros e a vida dos pobres continua mal e a dos ricos continua boa. Eu é que já deixei de ser parvo e já não acredito nisto e não voto nesta cambada de ladrões.

  13. Gente Daqui Mesmo

    9 de Julho de 2014 as 16:08

    Adelino Cardoso Cassandra o senhor é um génio, deixe-me dizer-lhe isto sem qualquer problema. Isto é uma obra prima. Muito obrigado por nos fornecer uma coisa desta.

  14. A. Dos Santos

    9 de Julho de 2014 as 16:27

    Concordo em pleno com a sua cronica. O problema é que quando um barco esta navegando em aguas turbulentas, si o comandante do navio nao souber dar ordem ao chefe das maquinas, entao esse barco vai meter agua ate naufragar. Ao naufragar-se, salva quem poder. E o que esta acontecer em STP .Ja nao ha quem manda. Todos querem mandar, nao existe civismo entre as pessoas. Os deputados estam sem etica neste pais. Aonde esta o civismo meus senhores?

  15. Peri

    9 de Julho de 2014 as 20:11

    Infelizmente é esta a nossa realidade quer queiramos quer não. Não acredito no ADI nem acredito nestes. São todos iguais. Este senhor Patrice Trovoada andou a criticar tanto, a fazer tantas críticas que quase convenceu toda a gente que ele era o melhor de todos. Agora aconteceu estea caso que se fala aqui na cidade que ele tem caso na justiça ele deveria vie justificar as coisas para que as pessoas ficassem esclarecidas. Ele foi embora para estrangeiro e recusa via para cá. Como é que eu posso acreditar numa pessoa desta. Ele é igual aos outros ou pior. Quem tem medo compra um cão. Se ele está inocente como eu espero então vem justificar e esclarecer a justiça e as pessoas que confiaram nele.

  16. Barão de Água Izé

    9 de Julho de 2014 as 21:12

    Caro Adelino Cassandra: Compreendo onde pretende chegar com o chichi.
    Mas sabia que à cerca de 15000 a 10000 anos
    a saliva e a urina, eram antissépticos (têm ambos essa qualidade) que curavam porque a medicina pouco conhecimento tinha? Uma curiosidade: no tempo da minha bisavó, em Porto Alegre, curavam os furúncolos, com a raspa de moedas de cobre!
    Quem pisa um ouriço deve desejar ter uma urina bem quentinha à mão para neutralizar, no momento, as dores!!!!

  17. Observadora Atenta

    10 de Julho de 2014 as 11:13

    Patrice está a me desiludir. Eu não compreendo que ele critica todos os políticos e quando aparece um caso para ele explicar ele ausenta-se do país. E nós que estamos cá a sofrer todos os desmandos vamos confiar em quem é? Se existe um problema ele pode vir para cá explicar o povo o que é que aconteceu. Agora ficam a falar que ele tem problemas, que ele fugiu, que ele está para vir. Em quem podemos conficar, minha gente? Que problema é que existe? Nós não podemos confiar em ninguém neste país?

    • Marufa

      10 de Julho de 2014 as 17:31

      Ele sempre foi assim, vocês é que acreditaram nele demais. Agora aguentem.

  18. Súm Bebezaúa

    10 de Julho de 2014 as 18:04

    Patrice Trovoada é que procurou esta coisa toda. Ele deveria estar aqui no país a dirigir o partido e esclarecer todos os casos que dizem que ele está envolvido. Agora, ele foi para estrangeiro, não passou cavaco a ninguém. Isto é mau porque parece que ele está a fugir. Eu não acredito nisso mas parece que é. Outros políticos fazem as suas coisas e ficam aqui porque que ele tem que ir para estrangeiro. Eu acho isto mal.

  19. Súm Bebezaúa

    10 de Julho de 2014 as 18:18

    Meus caros compatriotas, destaco este parágrafo que me parece divinal:
    “A democracia e o pluralismo político, pressupõem, entre outras coisas, o estabelecimento de práticas políticas, juridicamente estabelecidas, que garantam a liberdade e os mesmos direitos para todos. Se a imunidade é uma prerrogativa dos deputados para defenderem a “coisa pública”, em nome dos cidadãos, não podem transformá-la num privilégio para fins privados, fazendo com que a formação da vontade popular perdesse toda a validade já que, neste caso, ele é efetuada sob condicionalismo tal que os nossos direitos, como cidadãos, deixariam de ser preservados.
    Sem comentários, caro senhor Adelino Cardoso. Se estes políticos interpretassem bem o alcance das suas palavras o país iria mudar.
    Bem haja
    Súm Bebezaúa

  20. Juvé

    10 de Julho de 2014 as 18:47

    Sóm Com Cristo!!!! Aúô!!! Até quando é que vamos aguentar estas coisas, meu Deus? País ficou uma autêntica falta de respeito. Estão a confundir democracia com falta de respeito.

  21. Mulher Perfeita

    10 de Julho de 2014 as 18:55

    Nós andamos a votar de eleição em eleição para sustentar os interesses destes políticos ingratos e maldosos. Eu vi muita gente a idolatrar o anterior primeiro-ministro Patrice Trovoada veja só o que ele fez agora. Cada um quer saber da sua vida mas é.

  22. Trinta e Nove Anos de Independência

    10 de Julho de 2014 as 22:19

    Só posso congratular com esta crónica, bem escrita, atendendo a realidade que vivemos, desde a independência nacional. Qualquer cidadão, pobre ou rico, mas que goste do seu país, só pode ficar contra a atitude dos responsáveis políticos em S.Tomé e Príncipe. Já repararam na quantidade de governos e governantes que garantiram que iriam tirar o país do atraso económico e social e no entanto a primeira coisa que fizeram foi trair estes valores e saberem da vida deles? Já repararam nas dezenas de eleições que se realizaram cá no país e aquilo que programas políticos dos diversos partidos prometiam? Qual foi o governo de qualquer partido que colocou os interesses de S.Tomé e Príncipe a frente dos interesses partidários ou dos seus amigos e militantes? Tanto o MLSTP, PCD, MDFM e o ADI nunca estiveram interessados no desenvolvimento do país. Não se compreende tanto atraso, tanta pobreza, tanta incompetência, tanta má-fé, tanto desmando, tantos interesses privados em vez de interesses coletivos da nação. Como é possível que passados 39 anos de independência nem luz nem água se tenha garantido em condições para a população. Como é possível que passados 39 anos da independência não se tenha garantido cuidados mínimos ao nível de saúde para a população. Eu disse mínimos de propósito. Pelo menos cuidados mínimos que não fizesse que a população morresse por falta de cuidados de saúde banais.
    Quem ouvisse o senhor Patrice Trovoada a falar sobre o combate contra a corrupção, sobre o estado de justiça no país, sobre a imoralidade, sobre o desmando, sobre o atraso económico e social do país, sobre a forma de se fazer política no país, sobre a pobreza, etc, ficaria com a ilusão que estávamos em presença de um grande líder político que vinha resolver os problemas do país. Não tenho problemas em assumir que eu cheguei a acreditar nele e no seu partido. Pura ilusão. Tenho de admitir que foi uma pura ilusão. Nunca cumpriu com uma única coisa que disse que ia fazer. Isto até foi menos tendo em conta a situação económica do país. No entanto ninguém compreende que ele declarasse que iria transformar o país num caos por causa de uma moção de censura. Um líder político e homem de estado não pode fazer uma coisa desta. Ninguém esperava que ele abandonasse o país e fosse viver no estrangeiro tendo no entanto casos para resolver na justiça depois de ter criticado todos os governantes anteriores de corrupção, desmando e outros atropelos. No entanto ele quer eleições a todo o custo para que não responda na justiça pelos eventuais crimes que ele cometeu. Uma pessoa que andou a criticar os outros não deveria ter este procedimento.
    Eu sei que a situação do país é complicada. Mas no entanto toda a gente quer ir para o governo e ninguém quer tentar a iniciativa privada para ajudar a tirar o país da situação que se encontra. Provavelmente haverá uma razão para que estes políticos todos queiram ir para o governo. Porque será? É porque sabem que irão resolver os seus problemas pessoais, familiares e de amigos. E é bom que se diga que não é só o Patrice Trovoada que quer este privilégio. Isto já perdura à 39 anos. O problema é que nenhum país aguenta durante muito tempo tanta roubalheira, tanta incompetência, tanta desorganização. Neste aniversário da independência todos nós como cidadãos deste país deveríamos refletir sobre isto e pensar três vezes antes de dar votos aos políticos que não tem credibilidade nenhuma e só estão interessados nos seus bolsos.
    NUm país sério, responsável e organizado nunca aconteceria aquela pouca vergonha que aconteceu na Assembelia Nacional por deputados que foram eleitos pelo próprio povo. Isto é uma demonstração que estes deputados não respeitam o povo que elegeu eles. Isto é inadmissível numa democracia. Eu ainda presenciei alguns destes deputados a dizerem em plena praça que fizeram muito bem e que tinha que ser assim com este primeiro-ministro e com este presidente. Isto é um absurdo. Eu como cidadão deste país não posso confiar nestas pessoas. Eu pago os meus impostos e cumpro as minhas obrigações como cidadão para ser respeitado. Além disso estas imagens passaram para lá para fora e poderão ter efeitos maus para umm país que vive de doações internacionais.
    Tenho dito

  23. Assim não Dá

    11 de Julho de 2014 as 15:32

    Qualquer dia a Assembleia vai ser lugar de morte certa. Eu já vi de tudo nesta Assembleia Nacional. É incrível que um lugar que deveria ser de respeito, consideração e elevação se transformou no pior sítio do país que uma pessoa pode estar. Assim o país não pode desenvolver. Ou deveria acabar com esta coisa de Assembleia metendo lá pessoas escolhidas a dedo bem formadas.

  24. Fernando das cobes

    21 de Novembro de 2014 as 13:13

    Muito interessante, mas não li nada :))))

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