Opinião

Nova Família da Dobra com diversas gralhas graves

A ilegalidade, aliada à pressa e o secretismo, levaram a que alguns valores faciais da “nova família da dobra”, principalmente as moedas em metal, contenham alguns erros ortográficos dignos de assinalar, e pior ainda, um erro gravíssimo, de índole social e política.

Será que as pronúncias (dicção), usadas na linguagem da terra, que usamos para identificar algumas espécies de aves, correspondem à ortografia usada nas moedas já cunhadas e emitidas, prontas para entrarem em circulação?

EXEMPLOS:

A)

nova dobra 4Moeda de 1 Dobra

“CELÊLÊ MANGOCHI”.

-O mais correcto não seria; “CÊLÊLÊ MANGÓCHI” ou “CÊLÊLÊ MANGÓXI”?

A pronúncia com a ortografia que está na moeda é “celêlê”, com a primeira sílaba “ce”, fechada.

Acontecendo o mesmo com “mangochi”, em que a pronúncia pode levar à ” mangochí “.

B)

Moeda de 20 cêntimos

“CESSA”.

-O mais correcto não seria;

” CÊSSA ” ou ” CÊÇA “?

A pronúncia com a ortografia que está na moeda é “cessa”, com a primeira sílaba “ce” fechada, podendo até, levar a confundir com a 3ª pessoa do verbo “cessar “, no presente do indicativo.

C)

nova dobraMoeda de 10 cêntimos

“CONÓBIA”.

-O mais correcto não seria;

” CÓNÓBIA” ou ” KÓNÓBIA” ?

A pronúncia com a ortografia que está na moeda é “conóbia”, com a primeira sílaba “co” fechada, podendo levar à pronunciar “cunóbia”.

Por conseguinte, estou convencido, até ver opiniões contrárias com argumentos aceitáveis, que as gralhas estão na ortografia, em função da dicção corrente em São Tomé e Príncipe.

Estou seguro que os estrangeiros terão muita dificuldade em pronunciar correctamente os nomes das aves seleccionadas para identificarem as moedas.

Um outro erro muito mais grave ainda, é o facto de terem optado por representar o Falcão e o Papagaio nas moedas em metal, já que, segundo a minha humilde opinião, não devia ser, considerando que essas duas aves já representam a Nação Santomense ao mais alto nível, no Brasão de Armas (Brasão da República), onde o falcão representa a Ilha de S.Tomé e o Papagaio, a Ilha do Príncipe.

nova dobra 2Tendo por qualquer imperativo de lógica, optado por representar o Falcão e o Papagaio nas moedas em metal, devia-se então, faze-lo no mesmo valor facial, isto é, na moeda de duas dobras ou na de 50 cêntimos, de igual para igual, ou melhor ainda, nas notas em papel com maior valor facial, para evitar uma eventual desaprovação indesejada, por parte dos nossos irmãos da Ilha do Príncipe, que teriam toda minha compreensão e solidariedade se assim vier a acontecer.

Como é que se pode aceitar que o Papagaio esteja na posição inferior ao Falcão, pior ainda, na moeda metálica de menor valor facial em relação à que está o CÊLÊLÊ

Volto a repetir que, de forma alguma, se devia usar o Falcão e o Papagaio na nova família da dobra, estando estas aves no topo de um dos símbolos da República e, como se não bastasse, estão também em forma de Brasão, numa das faces de todas as moedas em metal e em todas a moedas em papel, o que vem reforçar a minha convicção.

Quis trazer essas observações ao debate público, porque acho que devemos ter uma cultura de rigor e perfeição em tudo que fazemos, e uma das melhores formas para atingir esse patamar, é envolver mais cabeças pensantes em assuntos de interesse público.

O erro é humano, mas, com mais cabeças e opiniões juntas, a obra nasce com mais perfeição.

Aguardo por outros pontos de vista e disposto a retirar tudo que disse, em função dos argumentos que me forem apresentados.

Também convido os leitores a tentarem identificar outros eventuais erros, talvez existam também nas moedas em papel.

Apreciaria imenso se as justificações também fossem do(s) ideólogo(s) do desenho da “nova família da dobra”, incluindo os funcionários do Banco Central.

Para terminar, gostava de saber também, se houve um concurso público para apresentação dos desenhos e quem foi o vencedor (autor), na expectativa que talvez me possa elucidar sobre os princípios e a lógica que nortearam a representação gráfica daquilo que lhe vinha na alma.

Por um S.Tomé e Príncipe de todos os Santomenses, sem exclusão de ninguém!

Jess Flander

    4 comentários

4 comentários

  1. Nuno Miguel de Menezes

    3 de Novembro de 2017 as 12:38

    Também convido os leitores a tentarem identificar outros eventuais erros, talvez existam também nas moedas em papel.

    Neste ponto de vista nao concordo o que foi escrito neste jornal online tenho a dizer o seguinte, ‘e mesma coisa o Banco de Sao Tome e Principe facilitar os segredos que a mesma moeda e notas assim tem, se eu pessoalmente souber o segredo vendo a mesma informacao, se Sao Tome e Principe esta em CRISE nos todos ficamos em LEILAO, ESTANDO NOS EM LEILAO basta saber qual ‘e o Pais que compra a nos, e quem sabe a comprar a nos passamos a ser escravos outra vez como antigamente.

    E Em relacao a erros graves, coisa simples de resolver ‘e informar ao fabricante que assim fabricou as mesmas moedas e notas por escrito sem pedir uma ideminizacao aos mesmos, e os mesmos corrigem o erro grave que assim foi classificado pelo o governo de Sao Tome e Principe, tudo isso ‘e normal, erros existe na vida de cada um de nos ser humanos, e nos tentamos corrigir esses mesmos erros.

    Nuno Menezes
    Lincoln,Reino Unido

  2. Tjerk Hagemeijer

    3 de Novembro de 2017 as 15:27

    É de elogiar, pelo simbolismo, o uso dos nomes das aves em forro. Apenas gostaria de notar que, de acordo com o Decreto 19/2013, no qual foi aprovado oficialmente o Alfabeto Unificado para a Escrita das Línguas de S. Tomé e Príncipe (angolar, forro, lung’ie), os nomes destas aves seriam “sêsa”, “konobya”, “sêlêlê mangotxi” (no dicionário do forro – Araújo & Hagemeijer 2013 registámos, no entanto, a forma xtlêlê mangotxi), seguindo as normas de escrita em que se segue, o mais possível, um princípio de biunivocidade entre fonema e grafema, isto é, um som – uma letra. No caso de ´falcão’ e ‘papagaio’, que aparecem em português, podia-se também ter optado por “flakon” (forro) e “paage” (lung’ie). Seja como for, o uso simbólico de nomes crioulos nas moedas ou em outros contextos não substitui a necessidade de implementar mecanismos sustentados para revitalizar e manter estas línguas ameaçadas, a não ser que se queira que um dia as moedas representem apenas a memória de línguas que outrora existiram nas ilhas.

    Tjerk Hagemeijer

  3. Nazaré

    9 de Novembro de 2017 as 16:03

    É curioso que a grande manchete publicitaria usada pelo Banco Central é que as espécies representadas na nova familia da dobra correspondem a espécies da fauna endêmica das ilhas de São Tomé e Príncipe. Porem quero aqui salientar que a macaco (Cercopithecus mona) representada na nota de 100 Dbs (a segunda de maior valor facial), não é, nem nunca foi uma espécies endêmica das nossas ilhas. pois trata-se de uma espécies introduzida que contribuiu significativamente para o processo de extinção de algumas espécies de insectos endêmicas das ilhas. actualmente a população desta espécies é estava isto porque o homem passou a ser o predador desta espécie.

  4. Carlos Querido filho

    14 de Novembro de 2017 as 13:13

    Muito bem. Uma outra grande besteira que o Governo cometeu, foi a de mudar o codigo internacional da nossa moeda, de STD para STN. Porquê? Será que era preciso, acho que não. Foi sim uma grande estupidez e imcopetência dos seus mandantes.

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