Opinião

O drama de uma Política Focalizada nos Resultados Imediatos

Quando aludimos no titulo do texto o drama de uma política focalizada nos resultados imediatos, trata-se de alguns projetos apresentado pelo nosso governo sem uma análise bem cuidada. Muitas vezes, estes projetos centram apenas pelo o ganho económico ou pelos acordos espúrios que na maioria das vezes não trás o desenvolvimento para o próprio país.

Há 42 anos que temos vindo a observar tantos projetos apresentado pelos sucessivos governos e o que nos parece é que o país nem um passo dá para o desenvolvimento económico sustentável.

Certamente, todos sabemos que qualquer tipo de projeto que tenha em vista o desenvolvimento económico, social, político e humano de qualquer sociedade deve-se levar a discussão.

Na discussão, dever-se-ia pôr uma série de perguntas, de modo a discernir se o tal projeto levará mesmo a um desenvolvimento verdadeiramente integral. E estas perguntas são por exemplo: para que fim vamos mudar o fuso-horário de São Tomé e Príncipe? Porque motivo? De que maneira? A que preço? Quais são os riscos? Quem paga as despesas e como fará? Quando e Onde? Neste exame, há questões que devem ter prioridade.

Por outro lado, estas perguntas são muito importantes porque nos ajudará e nos ajuda a superar ou até a prevenir contra alguns efeitos colaterais que possam surgir durante a realização ou a aplicação do projeto em causa.

Todavia, é necessário haver sinceridade e verdade nas discussões de todos os projetos, sem se limitar em apresentar a rentabilidade como o único critério a ter em atenção. O resultado do debate pode ser a decisão de não avançar num projeto, mas poderia também ser a sua modificação ou a elaboração de propostas alternativas. Como diz o Jorge Mario Bergoglio: o diálogo ou o debate é constituído sobre três pilares fundamentais, o dever da identidade, a coragem da alteridade e a sinceridade das intenções.

Por conseguinte, acreditamos que não é a mudança do fuso-horário de São Tomé e Príncipe que vai trazer o desenvolvimento económico do nosso país. O desenvolvimento económico, social e humano de São Tomé e Príncipe depende da erradicação daquele câncer (corrupção) que vai disseminando as suas raízes e vai matando a sociedade aos poco.

Até diríamos que o desenvolvimento do nosso país depende sim de uma política que defenda e que promova a justiça e o Bem-comum. A justiça é o ato que permite que a comunidade política seja o que deve ser, isto é, o lugar necessário e insubstituível do Bem-comum. “Bem-comum e justiça são, assim, duas designações diferentes para uma mesma realidade, a do funcionamento perfeito de uma comunidade de seres humanos, única possibilidade de a humanidade poder subsistir como propriamente humanidade e não como agregado mais ou menos casual de bestas com forma exterior humana.”[1]

Portanto, temos que pôr na nossa consciência que só o Bem-comum e a justiça podem trazer o desenvolvimento que todos almejamos para as nossas ilhas. Bem-comum e a Justiça são faróis-guias de toda a sociedade, na medida em que estas virtudes são fundamentais para construção da verdadeira humanidade.

Vicente Coelho

[1] Pereira. A.  A ética das virtudes. O «ethos» como o «topos» humano, pág. 11.

    6 comentários

6 comentários

  1. Cata de ôbô

    29 de Dezembro de 2017 as 15:02

    Muito bom

  2. Cata de ôbô

    29 de Dezembro de 2017 as 15:03

    Interessante

  3. Dono

    2 de Janeiro de 2018 as 13:07

    Muito bem meu rapaz

  4. Dono

    2 de Janeiro de 2018 as 13:16

    Meu caro tu tens muita razão quando dizes que só o bem-comum e a Justiça podem levar um país à alcançar um desenvolvimento integral. .Quando os nossos políticos tomarem consciência disso. Acredito que a coisa será outra.

  5. mufino

    3 de Janeiro de 2018 as 16:16

    Creio que este drama nos resultados imediatos, é o que se esta a reflectir na mudança do fuso horário, onde não se esta a parar para ver as vantagens que delas podem advir no que tange a sustentabilidade economia e electrotécnica.
    Oxalá, os nossos políticos e a nossa sociedade, seja mais versátil do que relativista.

  6. Ralph

    5 de Janeiro de 2018 as 2:07

    Não tenho lido muito sobre a mudança de fuso-horário de São Tomé e Príncipe, mas parece-me algo que os governos tendem a fazer para ser visto a fazer algo. Mudar a hora apenas faz sentido no contexto de desenvolvimento económica que já existe, possibilitando uma melhoria de tal atividade pelo país ser mais sintonizado com outras nações vizinhanças. Porém, acho difícil acreditar que tal mudança vá criar desenvolvimento e atividade económicos que já não existem.

    Para encarar o título do artigo, a política focalizada nos resultados imediatos é o que os políticos fazem hoje em dia. Não são capazes de se focarem no futuro a médio-longo prazo porque as suas carreiras dependem nos votos que possam ganhar no prazo curto. É uma profissão corrupta.

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