Opinião

Onde é que reside o mal das nossas instituições?

Ao colocar esta questão que me parece importante, tenho em vista sobretudo o Estado; não porque dele só se deva esperar todo o remédio, mas porque nele (o Estado) impera muitos vícios que todos nós sabemos e conhecemos.  Esta deformação das instituições não deixa de prejudicar o próprio Estado, sobre o qual recaem todas as críticas e males.

Penso que não é o instrumento “que deve ser chamado em causa”, ou seja, que deve ser posto em causa, mas “o homem, a sua consciência moral e a sua responsabilidade pessoal e social”. Quando falo do Homem, falo, concretamente, de todos aqueles que estão a frente das nossas instituições.

Certamente, a política, o ministério da saúde, o ministério da justiça, o ministério da economia e das finanças, enquanto instrumentos, podem ser mal utilizadas se quem as gere tiver apenas critérios egoístas. Deste modo, é possível conseguir transformar instrumentos de per si bons em instrumentos danosos; mas é a razão obscurecida do Homem que produz estas consequências, não o instrumento por si mesmo.

Hoje, ao fenómeno da exploração (a má gestão dos bens do povo) soma-se uma nova dimensão, um aspeto gráfico e duro da injustiça social: os que não se podem integrar, os excluídos são descartados, “a demasia”. Esta é a cultura do descarte se assim podemos chamar. Isto acontece quando no centro de um sistema político e económico está o deus dinheiro e não a pessoa humana. Quando o bem -comum e a pessoa são “deslocada e chega o deus dinheiro dá-se esta inversão de valores”.

Uma instituição só é boa quando realiza algo de um modo sustentado, que é valioso tanto para si como para a sociedade. “A sociedade humana não estará bem constituída nem será fecunda a não ser que lhe presida uma autoridade legítima que salvaguarde as instituições e dedique o necessário trabalho e esforço ao bem comum”.

Portanto, urge uma mudança, uma mudança real, uma mudança de estruturas. Este sistema é insuportável. Este sistema já não funciona, devemos mudá-lo, devemos voltar a colocar a dignidade humana no centro e sobre este pilar devem ser construídas estruturas sociais alternativas das quais precisamos.

Acho que o importante, não é a mudança dos partidos políticos, mas, sim a consciência moral dos nossos políticos. Exigimos, antes de tudo, uma mudança de mentalidade e uma renovação interior, sobretudo, de quantos são chamados à responsabilidade como guia do povo.

Vicente Coelho 

    4 comentários

4 comentários

  1. STP

    11 de Novembro de 2020 as 21:33

    O artigo suscita alguma reflexão. Parabéns

  2. Jovem Santomense

    12 de Novembro de 2020 as 9:36

    Quero parabenizar o autor pelo texto. É súper difícil escrever sobre este assunto e não se perder. Nós temos bons quadros, tive o prazer de conhecer muitos…mas estão desmotivados, são desvalorizados…ficam dividos entre o sustento da família e ceder ao sistema de agradar os chefes politicamente.
    Por outro lado, os políticos por si só têm esse dilema também. É um cliclo. Precisamos melhorar o nível de vida das pessoas, definir políticas realisticas para o desenvolvimento de carreira sem o factor político. Precisamos de escolher em quem votar sem projectar o nosso interesse pessoal. Definimos os planos estratégicos inúmeras vezes…precisamos de parar e cumprir as riscas os planos que definimos porque os problemas não mudam e a meta continua a mesma, o que teima em não mudar são projectos insustentáveis, fora do contexto, interrompidos. Mas…é isso. Deico aqie os meus cumprimentos e agradecimento.

  3. SEMPRE AMIGO

    12 de Novembro de 2020 as 14:54

    Não é bem assim,meu caro VICENTE COELHO!A razão principal não está, como escreve,”na obscurecida(?) do Homem que produz estas consequências”.A nossa preocupação ,neste momento, deve estar virada para as reformas globais capazes de garantir um normal funcionamento do ESTADO.Precisamos reformar o ESTADO para reduzi-lo no seu tamanho e na sua estrutura, aumentando a sua autoridade.BASTA!Chega de corrermos desportivamente durante os 45 anos atrás dos efeitos e enfrentemos decididamente as CAUSAS.Já esgotamos, repetitivamente, todos os grandes e pequenos C O N S I D E R A N D O S.Chega de masturbação intelectual.Os políticos santomenses,todos,conduziram esta Sociedade ao estado em que se encontra Só podem escapar á culpa ou redimir os seus pecados, se algo fizerem para mudar a situação.Para a chamada classe política deste país esta questão é um IMPERATIVO MORAL,a não ser que o que se vive neste país seja o reflexo de um sistema de valores morais inerêntes a essa”classe”. “

    • VBSCRIPT

      13 de Novembro de 2020 as 8:44

      Meu caro, para haver uma reforma justa e global capaz de garantir o pleno funcionamento namento do Estado, a máquina pensante(os senhores que governam as coisas públicas) terão que mudar obrigatoriamente o modo de agir e pensar. Não se pode pôr vinho novo numa garrafa velha e routa.

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