Opinião

Como é que os idosos são tratados e vistos na nossa sociedade contenporânea?

Atualmente, tem-se debatido muito em África e na Europa sobre a questão dos idosos que muitas vezes são descartados “por alguns”[1] como meros objetos sem utilidade para a sociedade ou para família. Esta indiferença e frequentes desprezos para com as pessoas da terceira idade ou idosos é fruto de uma “mentalidade que põe em primeiro lugar a utilidade imediata e a produtividade do homem.”[2] Por outro lado, este desprezo e esta indiferença são fruto também da negligência do próprio Estado que não cria condições e leis que defendam os idosos e que punam aqueles que os maltratam.

Sem querer generalizar, nalguns países africanos os velhos são vistos pelos familiares como feiticeiros, como causa das desgraças dos filhos e dos netos. Normalmente, estes idosos que são acusados de feitiçaria são aqueles que vivem em condições paupérrimas e não têm quem os defenda. Esta visão negativa que vamos contruindo sobre as pessoas da terceira idade tem custado a vida de muitos idosos. Também, no contexto europeu, os velhos são cada vez mais desvalorizados porque muitas vezes os filhos, os parentes, não têm tempo para cuidar dos anciãos, isto é, dos idosos, e deixam-nos à sua sorte.

Diante deste desafio tão grande que vamos enfrentando no nosso dia a dia, acreditamos que é urgente, nós, os jovens, recuperarmos a justa perspetiva a propósito da vida no seu conjunto. Isto é, “a justa perspetiva é a eternidade, da qual a vida é preparação significativa em cada uma das suas fases. A velhice também tem de cumprir o seu papel neste processo de progressiva maturação do ser humano a caminho da eternidade. Desta maturação só poderá beneficiar-se o mesmo grupo social, do qual faz parte o ancião.”[3]

São João Paulo II dizia que os idosos ajudam a contemplar os acontecimentos terrenos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experimentados e amadurecidos. Eles são guardiães da memória coletiva e, por isso, intérpretes privilegiados daquele conjunto de ideais e valores humanos que mantêm e guiam a convivência social. Excluí-los é como rejeitar o passado, onde penetram as raízes do presente, em nome de uma modernidade sem memória. Os anciãos, graças à sua experiência amadurecida, são capazes de oferecer aos jovens conselhos e ensinamentos preciosos.

Sob esta luz, os aspetos de fragilidade humana, ligados de modo mais visível com a velhice, tornam-se uma chamada à interdependência e à necessária solidariedade que ligam entre si as gerações, visto que cada pessoa está necessitada da outra e se enriquece com os dons e os carismas de todos.

Portanto, é preciso convencermo-nos de que é próprio de uma civilização plenamente humana respeitar e amar os idosos, para que estes se sintam, apesar da diminuição das forças, parte viva da sociedade. Já dizia Cícero que “o peso da idade é mais leve para quem se sente respeitado e amado pelos jovens.”[4]

[1] Porque, em alguns povos a velhice é estimada e valorizada.

[2] Carta do Papa João Paulo II, Aos Anciãos, 1º de outubro de 1999.

[3] Ibidem.

[4] Ibidem.

Vicente Coelho

    3 comentários

3 comentários

  1. Toni

    17 de Abril de 2018 as 20:33

    Bom artigo,este texto toca aquilo que continua a ser um dos problemas sociais de São Tomé e Príncipe. O abandono dos idosos e as sussecivas acusações de feitiçaria.

  2. Carneiro

    17 de Abril de 2018 as 20:48

    Eu gostei do artigo,porque mostra de facto, aquele problema da nossa sociedade que passa despercebido no contexto político,social. Parece que a única instituição que vai fazendo o muito para os idosos em São Tomé e Príncipe é a Igreja católica. Não vejo nenhuma insituação a fazer algo de género. .

  3. Forro

    17 de Abril de 2018 as 22:10

    Interessante

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