Opinião

São Tomé e Príncipe e a “Iniciativa Cinturão e Rota”

Teve lugar na semana que findou em Pequim o Segundo Fórum da Iniciativa Cinturão e Rota que juntou na capital chinesa Representantes de mais de 100 países e Organizações Internacionais, dentre os quais cerca de 40 Chefes de Estado e de Governo, incluído o Secretário Geral das Nações Unidas, a Directora Geral do Fundo Monetário Internacional.

A Iniciativa Cinturão e Rota, ICR, também conhecida como a Nova Rota da Seda (em inglês como “Belt and Road Initiative” com a sigla “BRI” ou ainda como “One Belt One Road”, sigla “OBOR”), é uma iniciativa lançada em 2013 pelo Presidente Chinês Xi Jinping como contribuição da China para uma Nova Ordem Económica e Política Mundial.

Ela é apresentada pelas autoridades chinesas como sendo uma inciativa para o desenvolvimento e cooperação económica pacífica entre as nações e povos, como sendo “uma estrada para a paz, prosperidade, abertura, desenvolvimento e para a inovação”, promovendo uma globalização económica mais aberta, inclusiva, balanceada e benéfica para todos  e que não pretende excluir nenhum país em função de ideologias. A iniciativa, ainda segundo a China, não é uma Aliança geopolítica ou militar, todos os países seriam benvindos para se associarem a esse processo. A ICR é a maior inciativa global do Século XXI.

A ICR seria uma iniciativa de longo termo e baseada num espirito de respeito mútuo, consultas em pé de igualdade entre os participantes, abertura, inclusão e benefícios recíprocos, mediante cooperação nas mais diversas áreas como as infraestruturas, capital, tecnologia, mercados entre outras, tendo como principais componentes a coordenação de políticas, a conectividade de infraestruturas, o livre comércio, a integração financeira, a promoção de laços de proximidade entre pessoas e povos. Ela visa ligar por terra, mar e ar, países e economias da Ásia, Europa, Médio Oriente, África, através de transportes, nomeadamente, linhas férreas, estradas, pontes, pipelines, portos, estações de produção de energia e telecomunicações.

De acordo com o relatório “Iniciativa Cinturão e Rota – progressos contribuições e prospectos” preparado pelas autoridades chinesas para o Segundo Fórum da ICR, até Março de 2019, 124 países e 29 Organizações Internacionais já assinaram documentos de cooperação no quadro desta Iniciativa. No quadro iniciativa Cinturão e Rota, a China envolveu até hoje montantes financeiros na ordem de 90 bilhões de dólares americanos enquanto que os seus bancos já emprestaram entre 195 e 296 bilhões de dólares. Mas não é apenas de dinheiro que se trata pois que ainda nesse quadro a China e outros países realizaram em conjunto trocas diversas no domínio cultural, nomeadamente, das artes, festivais de cinema, musica, exposições culturais, feiras de livros etc.

E São Tomé e Príncipe?

Esta iniciativa pode ser uma oportunidade para o nosso país. Devemos colocá-la na nossa Agenda de Desenvolvimento e convocar a todos, as autoridades governamentais, a sociedade civil, e em particular a comunicação social e as instituições universitárias do país para estudá-la em profundidade, interagir com instituições pertinentes e ver se é pertinente para os nossos interesses, e, caso o seja, ver como é que o país se pode posicionar e eventualmente se inserir da melhor maneira nesse grande desafio que pode efetivamente conter oportunidades para mudar as coisas neste país pequeno, pobre e insular que tem na paz um dos seus activos intangíveis mais preciosos.

A sociedade civil, aonde destaco as Universidades, pode jogar um papel relevante, criando um espaço de debate e de intercambio de ideias. Vejo-as analisar essa experiência, promovendo estudos, discussão e, porque não, teses universitárias sobre o assunto, o que por si só permitiria abrir uma nova página ao nível do relacionamento global do país com o mundo.

No fundo STP, na minha humilde opinião, deve olhar para todas as novas oportunidades que se apresentem para promover o seu desenvolvimento. Aqui o meu ponto é que eu gostaria de ver as nossas universidades, enquanto centros do saber, se assumirem também como agentes relevantes na busca de alternativas de promoção do desenvolvimento da nação.

Enquanto nação, a preocupação com o desenvolvimento tem de ser de todos e de cada um de nós e cada um deve jogar da melhor maneira o seu papel, pondo o seu grão de areia para a construção dessa enorme edifício que é São Tomé e Príncipe mais desenvolvido onde haja lugar para todos.

São Tomé, 29 de Abril de 2019

Carlos P. Tiny

    5 comentários

5 comentários

  1. Renato Cardodo

    29 de Abril de 2019 as 13:01

    Bem a reflexão poderia se enquadrar num contexto que nos parece inexistir no país real…
    Penso que o seu autor deve viver noutra realidade ou andar esquecido do país profundo que muitos chamam de nossa grota.
    Haja paciência e estômago para digerir os desvaneios dalgumas mentes que aparecem.

  2. Frederico Ferreira Major

    29 de Abril de 2019 as 17:10

    É uma grota porque a sapiência dos seus filhos não consegue subir cavalete!

  3. Vanplega

    29 de Abril de 2019 as 17:13

    Desde que os dirigentes, vejam o bem de São Tomé e Príncipe, sem dar importância ao seu bolso.

    Já somos gato queimado e temos medo de água fria.

  4. Jose-Manuel Valentim

    1 de Maio de 2019 as 10:09

    Não conheço o Sr Carlos Tiny e nunca estive em S. Tomé (mas acredito que um dia hei-de visitar). Mas, depois de lido o texto, fico com a noção do alerta dado pelo autor quanto à importância das oportunidades que muitas vezes não são aproveitadas. Nisso estou de acordo. Todos aqueles que queiram um país diferente para melhor devem dar o seu melhor e contribuir para o seu país (com o tal grão de areia para a construção de melhores infraestruturas do país).
    A minha crítica vai para o facto de se ficar no plano das intenções, quando refere “eu gostaria de ver as universidades como alternativas ao desenvolvimento de STP”.
    É aqui que a coisa mexe. Porquê? Porque se fica apenas pelo plano das intenções: – Eu gostaria que os São-tomenses fossem todos felizes. – Eu gostaria que acabassem as bolsas de pobreza e o estado assegurasse melhores condições de vida evitando a emigração em busca de melhores soluções. Isto é, todos gostaríamos de muita coisa… Mas não chega Sr. Carlos Tiny! É preciso alterar o discurso político e afirmar com clareza: – Eu acredito que… possa ser melhor e possível de realizar! – Da minha parte eu já contribui com… E quero continuar a contribuir deste modo… Para o que conto com a colaboração de todos os que se queiram juntar nesta minha iniciativa! – Nada me impede de contribuir para outras sugestões ou alternativas que alinhadas no mesmo propósito favoreçam alcançar o mesmo objectivo: um país melhor para TODOS e não apenas para alguns.

  5. Chang de Taiwan

    6 de Maio de 2019 as 15:12

    Desenvolva as pessoas e equipa nacional antes de desenvolver as obras gigantes! Coloques as pessoas no primeiro lugar! Não as obras gigandes! Assim seja o desenvolvimento real.
    Durante o percuso de Desenvolvimento, cuidado com a dívida…
    https://www.youtube.com/watch?v=-GKxLxdrwps&fbclid=IwAR2IB0N54hZvUXDNl0Bx8shn4JQkOqWVko0XL_Cns-aeZEj1wgIUqRFNlZs

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