Opinião

Um apelo à Justiça na Justiça Santomense

Tenho assistido nos últimos tempos a um desfilar na praça pública, assim como nas redes sociais, no país e no estrangeiro, de episódios diversos relacionados com a problemática da justiça no nosso país. Vejo igualmente com preocupação toda uma série de factos ligados à Justiça, que dilaceram a sociedade santomense e a que urge por cobro.

Como é evidente, não tenho competência para, do ponto de vista técnico, me pronunciar sobre muito disso, e, de resto, não é a minha preocupação central neste momento e neste artigo de opinião.

Enquanto cidadãos, a todos nos interessa a Justiça; a todos interessa que haja no país uma Justiça Justa e para Todos. Todos sofremos os efeitos duma justiça que funcione bem ou duma justiça disfuncional.

Costumo a dizer entre amigos meus que há dois tipos de profissionais cujo erro mata: os médicos e demais profissionais da saúde, cujo erro nos mata “fisicamente” e os advogados, procuradores, juízes e demais profissionais de justiça cujo erro nos mata “civicamente”. Em ambos casos morremos enquanto “gente”. Trata-se evidentemente de uma simplificação, mas serve-me para exprimir o meu pensamento sobre a importância dessas duas dimensões societárias. O “erro medico” mata-nos enquanto pessoa física; “o erro na justiça”, mata-nos enquanto pessoa “cívica” a nós, a nossa família e amigos. Nos dois casos deixamos de existir. Daí que se explique um clamor que se já ouve na sociedade santomense sobre o estado da nossa justiça.

Infelizmente e face a tudo isso, sinto que a justiça no meu país virou um verdadeiro “saco de lacraus”; picam-se mortalmente e em permanência uns aos outros, ninguém se entende, o homem comum, atónito e estupefacto, já não sabe quem é quem, em quem confiar e em quem desconfiar, todos pensam que são bons, todos acham que o outro ou os outros são todos maus, ninguém respeita ninguém, hierarquias subvertidas numa autentica balburdia, a confusão total.

Já dizia o outro que “para ter amigos assim, mais vale ter inimigos”.

É, pois, chegado o tempo de um veemente apelo a todos os Agentes da Justiça de São Tomé e Príncipe, independentemente das suas posições, funções e status, para que se deem as mãos com o objectivo de reconstruirem a sua/nossa casa. Se por acção ou omissão destruímos a casa em que nos abrigamos…a responsabilidade de todos e de cada um de nós individualmente é enorme.

Mas não é unicamente responsabilidade dos Agentes da Justiça; é igualmente responsabilidade dos dirigentes do país a todos os níveis, do Presidente da República, da Assembleia Nacional, do Governo e da Sociedade Civil e do “povo em geral” como costumávamos dizer. Estamos a assistir à morte do nosso país sem que façamos tudo o que temos de fazer para o evitar.

Todos somos chamados a darmo-nos as mãos e, sem ideias preconcebidas, sem ódios e rancores, sem complexos de qualquer tipo, sem barreiras (pseudo)ideológicas ou partidárias, salvar a justiça, que é como quem diz, salvar a Nação. Acabemos de uma vez por todas com este espetáculo degradante que é ver a justiça santomense ser motivo de chacota a arrastar-se no terreiro dessa verdadeira puíta a que assistimos impávidos e serenos…isso em nome dos nossos filhos, netos, bisnetos, amigos se é que queremos deixar-lhes um país digno desse nome.

Este é, pois, o meu apelo de “mais velho”.

Carlos Tiny 

    19 comentários

19 comentários

  1. Lopes

    20 de Maio de 2019 as 21:12

    Isto não há volta a dar. Têm que tirar dali estas pessoas que estão há muito tempo a danificar a Justiça em S.T.P. Estas pessoas, com todo o respeito por elas, não têm qualidade para exercer cargo na nossa Justiça. Têm um cadastro muito pior que muitos cidadãos. Cometem crimes, atrocidades, ilegalidades, em nome de cumprimento de objetivos pessoais, familiares, políticos, financeiros, etc. E o pior é que o próprio governo é que alimenta nalguns casos esta desordem toda. Foi assim com o anterior governo e continua a ser assim com este governo.Com muita pena que eu tenho mas eu não estou a ver este governo a fazer nada para mudar estas coisas porque é ele mesmo que está a contribuir para as coisas estarem a piorar. O país está amaldiçoado.

    • Horácio Will

      21 de Maio de 2019 as 15:02

      Concordo com tudo deste comentário menos a primeira e a última frases. Há volta a dar sim e é preciso que isto leve uma volta. O país não está amaldiçoado. Está o povo como uma mulher que herdou a roça dos pais, trabalha, põe a comida na mesa e acaba maltratada por um marido bandido sem eira nem beira que nem quer trabalhar, come tudo e ainda faz dela o que quer. Ela não estará amaldiçoada nem “lazada”. Só precisa é de acordar como o povo de S. Tomé também precisa.
      Estamos num país onde o dinheiro que serviria para construir e engrandecer a nação é aprisionado por determinados grupos e individualidades. Os que não estiverem a gozar dessa benesse contestam até ocuparem o lugar para fazer o mesmo. Depois o povo que pensa que tira e põe, volta a por os que já foram tirados porque não tem como sair do colete em que foi colocado pela força macabra da classe política. Quando algumas iniciativas são tomadas para fazer algo diferente, ainda nos lembramos de queixar da legitimidade e dos modos como a coisa é feita. Parece que fica melhor viver com o mal do que ver o mal corrigido por quem não seja indicado pela constituição, sabendo que os indicados até parecem protegê-lo.
      Nesta altura, repito o que comentei no artigo de opinião do meu estimado e muito estimado Adelino Cassandra:
      “Quanto ao processo que envolve o nosso ex-Ministro de Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente…
      Esta situação lembra-me uma passagem de uma série que vi por acaso:
      Houve um indivíduo a vender drogas envenenadas que estavam a provocar a morte de vários cidadãos que a consumiam. Quando foi detido, alguns policiais queriam arrancar-lhe informações sobre o local do armazenamento da droga para evitarem mais mortes. O chefe da polícia quase que processava os seus subalternos com raiva de eles não estarem a cumprir legalmente o seu dever. Pois, para ele, devia-se chamar o advogado como pediu o detido e o processo seguir as vias legais. Para os outros era preciso parar com as mortes a todo o custo. Eu vejo essas mortes como a morte dos são-tomenses que falecem com assistência insuficiente ou muito deficiente nos hospitais, em acidentes nas estradas deterioradas, alunos que saem de escolas com mau nível de ensino para estudar no estrangeiro… tudo isso num país onde o dinheiro anda a rodo em mãos de pessoas que somente aumentam a dívida do país e enriquecem a custa da miséria e morte dos seus irmãos.
      Pergunto:
      Esperamos pela legalidade ou fazemos qualquer asneira legal ou social para dizer basta?
      Penso que o melhor é deixar o governo punir todos os que estejam ao seu alcance e tenham cometido crimes económicos contra o país, ainda que estes sejam só os da oposição. Depois, o povo estará alertado e poderá ser este a exigir que a justiça seja feita também aos justiceiros. Bem ou mal, penso que é necessário começar.”
      Nelson Mandela disse que a democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia…
      Para quando quereremos encher a nossa concha?
      Não é aguardando pela consciencialização e boa vontade dos políticos porque como não estes que estão em sofrimento e, pelo contrário estão em vantagem com o mal do povo, eles não quererão mudar. Terá que ser iniciativa do povo unido a exigir mudança aos políticos. Não na urna, porque isto é uma falsa questão. Sim, durante o exercício das suas funções.

  2. José Frota Soares de Barros

    20 de Maio de 2019 as 23:45

    Boa noite.
    Nunca compribueutes , para nada. arrongância,corupção.

    Sempre para banalidade.
    És uum dos compribuintes para a desgraça.
    Até amahnã.
    Seu palerma
    ~

  3. Militar descalço

    21 de Maio de 2019 as 7:09

    Estão a matar o nosso país aos poucos, é pois importante unir todas as cabeças para se debater a (in)justiça em São Tomé, neste momento é importante os mais velhos como Dr Manuel Pinto da Costa, Miguel Trovoada e Fradique de Meneses vir dar a cara e aconselhar os mais novos para que eles percebam o perigo que se esta a instalar no País com uma (in)justiça partidária e vingativa. É preciso a sociedade civil fazer o papel que o nome lhe da, fazer esse papel de forma cívica e sem partidarismos.
    Por fim meus irmãos Santomenses, vamos pensar e debater o país sem paixões partidárias pois isto esta a acabar conosco.

    • STP Terra linda e gente boa

      21 de Maio de 2019 as 14:45

      Militar Descalço, nem um nem outro tem exemplo a dar. Têm todos mancha e rabo na estrada. Foram outros corruptos.

      • Militar descalço

        22 de Maio de 2019 as 8:25

        Por mais mancha que um mais velho tenha, ele terá sempre bons conselhos a dar aos mais novos. Sera que em São Tomé e Príncipe não tem ninguém que possa unir a família Santomense?
        nguê tamé sa dêçu mundu.

  4. Windows 11

    21 de Maio de 2019 as 7:39

    Este governo do MLSTP comandado por Jorge bom Jesus com a sua sede de vingança esta a destruir a justiça e politizar a justiça para sua vingança.
    Até os jornais de prestígio internacional como Agência Lusa jornal Jornal A Bola estão a notíciar que o governo de Jorge bom Jesus na pessoa de Ministro das finanças enviou uma carta a embaixada da China a pedir ajuda para desbloquear os 20 milhões em falta quer dizer o governo sabe que o Américo Ramos não comeu dinheiro nenhum porquê tanta vingança.

    • Vedé

      21 de Maio de 2019 as 13:38

      Assim dizes que o dinheiro não foi comido. Para ele lá estar é porque algo fez de errado. Porquê que o Windows não foi preso? Não defendas os outros, mas sim defenda a si.

  5. Carlos Santos

    21 de Maio de 2019 as 8:03

    Senhor Doutor,

    Deixe de ser hipocrita e de fazer discursos comuns de homens comuns. O Sr. sabe bem quem são os responsáveis pelo estado em que país e a justiça em particular chegou.

    O Sr. coopera e corrobora com essa justiça e com essas pessoas. Quem anda com bandido, santo não é. O Sr. ajudou o Silva Cravid a cometer várias ilegalidades, desde não reconhecer o excelente trabalho que foi realizado pelos anteriores juizes conselheiros até a injustiça que fizeram com o Nelson.
    Onde é que já se viu um grupo de pessoas o qual o Sr. faz parte, ignorar as regras da administração pública?

    Não venha dizer que não foi decisão sua, o Sr. estava lá e no limite punha o cargo ou função à disposição. Ou então é um NADA igual a muitos outros.

    Portanto não basta dizer que é probo ….
    Um grande homem teria feito a diferença.

  6. Carlos Santos

    21 de Maio de 2019 as 8:12

    Já agora, a Senhora Maria que desde os seus 12 anos trabalhou duro e nunca teve nada, não tem a mesma responsabilidade no estado do país, como terá oTrovoada’s, Pinto, Tiny’s e muitos outros.

    Portanto, não somos todos responsáveis …coisa alguma. Nunca tive um carro, uma casa de alvenaria, uma empregada. O Sr. não sabe o que é andar kms todos os dias para ir trabalhar.

    Não desrespeite o povo. Todos sabemos onde estão o dinheiro do país e não é na casa dos pobres de certeza.

  7. Original

    21 de Maio de 2019 as 8:15

    Este tema encaixa bem no perfil da Dra. Celísa e os demais.

    Verdade ou mentira?

  8. luisó

    21 de Maio de 2019 as 8:34

    Um bom artigo sobre um assunto muito importante.
    Mas Dr Tiny , a justiça no País é como tudo o resto no País.
    Ninguém quer saber, quem lá está julga-se o dono, nomeia quem quer e de preferência familiar ou primo, quando entra queixa-se que não há dinheiro e quando saiu leva tudo e normalmente deixa o País pior do que encontrou. Depois disto multiplique isto pelos anos de independência (?????) e já se sabe o resultado.
    O País e os vários governantes políticos ao longo dos anos nunca tiveram uma visão estratégica para o futuro e sempre se dedicaram a usar e mal os dinheiros que iam entrando por parte dos doadores.
    Não se fez uma única infraestrutura básica grande no País. As ruas são as mesmas, os esgotos, as casas, o porto, o aeroporto, o hospital, etc. Não se fez uma única ETAR, a lixeira é o que é e tudo vai dar ao mar através dos canais e rios e depois é ver o lixo a boiar nas praias e não só.
    Já não falo, porque está á vista, o roubo descarado e do conhecimento das autoridades, da areia nas praias e na sua ultima versão, já em terra firme junto de habitações.
    Sinceramente o nosso futuro está seriamente ameaçado e não vislumbro nada nem alguém que vá por cobro a isto.
    Enfim……

  9. Jose Rocha

    21 de Maio de 2019 as 8:37

    Nem mais, Dr Calos Tiny, falou bem. Infelizmente, pessoas aparentemente bem esclarecidas quando chegam ao poder grampeadas por interesses inconfessaveis ficam cegas, perdem o tino e passam a cometer erros de palmatoria, como nunca, antes, se tinha sido visto em STP.

    Essas pessoas enquanto estao fora dos Centro de decisao e poder contam de galo, mas quando tem oportunidade para mostrarem o que Valem puxando dos galardoes e a fizerem a diferenca, fazem pior do que aqueles que lhe antecederam. Perdem o bom censo vao em busca de interesses inconfessaveis, chegam a fazer muito pior do que aqueles que ja todos conhecemos.

    Vejamos o que tem feito o PM JBJ, prometeu fazer melhor que os outros e so tem acumulado asneiras nao acertando em nenhuma.

  10. Pavor

    21 de Maio de 2019 as 8:44

    O Primeiro-ministro não tem noção nenhuma do que é a Justiça nem autoridade do estado, infelizmente. Está convencido que está a governar quando está a criar condições para afundar o país. Triste gente!!! Sempre que este partido vai para o governo o país regride vários anos. É a nossa sina…

  11. Carlos Santos

    21 de Maio de 2019 as 9:45

    Caro Dr.,

    Tenho que admitir que cometi um erro, pois não foi o Sr. que andou a participar das injustiças do S. Cravid … mas sim o Eugénio Tiny

  12. Gentino Plama

    21 de Maio de 2019 as 14:57

    Como o filho da terra e, um bom filho, deixei de vos dar confiança.
    Por tudo que falam e, o que pensam, já não me preocupa. Copiou-se a quem tínhamos que copiar mas, o que se copiou nada tinha a ver com a nossa realidade.
    Admito o plágio para dizer: Terá que haver a separação de poderes.
    Não permitir que o presidente da república, primeiro-ministro e, ou elementos investido de função politica, seja chamado a pronunciar a cerca de assunto referente os tribunais.
    Há que sancionar criminalmente o prevaricador já que, este não sabe qual é o limite da sua área da acção.

  13. Alda Barros

    24 de Maio de 2019 as 22:19

    O belissimo artigo do Dr. Tiny chega ao publico num momento mais do que pertinente da Naçao, embora, com imensa pena, por razões obvias nao chegara e nem atingira o grupo social a que se destina – os “fazedores da Justiça, ha muito ferida de ineficácia e “doente” de diversas formas.

    O que mais me admira é que num país onde ja se prevê que no próximo século todos seremos “doutores”, nao exista justiça para todos e a injustiça tornou-se o pão nosso de todos os dias!

    O nosso belo país tendo tudo para dar certo, tem tido a má sorte de ser sucessivamente governado ou melhor, desgovernado por dirigentes despidos de moral e nem de conhecimento para tal e cuja arrogancia, sendo essa a principal caracteristica dos saotomenses em geral, recusam-se a recorrer a quem entenda melhor do assunto para se aconselhar da mesma forma e celeridade com que recorrem aos amigos da vizinhança para extorquir ajudas financeiras que nunca chegam aos cofres do Edtado, deveriam faze-lo para actualizar “o trabalho de casa” em termos governativos e salvar o país de males maiores eja que nao acredito que quaisquer quermesses salvem o país de resvalar para o precipicio para o qual caminhamos.

    Deus nos ajude!

    Tenho dito!

  14. artur maneca

    27 de Maio de 2019 as 9:54

    pois é correram com juizes honestos para colocarem os que toda gente sabe que qualidade têm para agora virem chorar…O Dr. Carlos Tiny o mlstp é o culpado por aquilo que está a passar no tribunal constitucional e supremo tribunal com as mudanças no ano passado………No supremo estão a fazer muita festa entre os familiares…o dinheiro até nem chega para pagar salário porque o festança é demais…..tudo com o suporte do governo e primeiro ministro Bom Jesus…
    Essas lágrimas são de crocodilo.

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