Opinião

O COVID 19: A Importância e o Futuro do Multilateralismo

A essa altura, não é novidade para ninguém que o ano 2020 será um ano muito difícil, em que será necessário que os países se ajudem uns aos outros e que os mais “fracos” serão o que mais precisarão dessa ajuda.

Covid 19, o famoso “inimigo invisível”, além de desencadear um problema de saúde para todos, tem impactado profundamente nas economias mundiais, alterando, de que maneira, os comportamentos dos Estados na esfera politico-internacional. 

Aqueles Estados e aquelas forças políticas, que antes dessa pandemia, vinham tendo um discurso nacionalista, unilaterista e contra o multilateralismo, se viram obrigados a se calarem ou a moderarem os seus discursos, pois deram-se conta que perante uma crise dessa dimensão, nenhum país, por si só, poderá sobreviver, por mais rico ou grande que seja.

Essa pandemia tem demonstrado a importância do multilateralismo, e que grandes problemas mundiais, como alteração climáticas, proliferação nuclear, terrorismo, crimes cibernéticos, epidemias e pandemias e todos outros problemas que atravessam as nossas fronteiras, não só devem, como só podem ser tratados multilateralmente.

Estou ciente das criticas que a OMS tem recebido por algumas decisões tomadas, algumas delas com algumas razões, e outras nem tanto, não passando de mera estratégia para culpabilizar a OMS pelo erro, negligencia, ou ate mesmo incompetência, que alguns dirigentes tiveram na hora de combater o vírus.

Apesar dos erros que a OMS, eventualmente, poderá ter cometido, não há duvidas de que a OMS, como uma organização multilateral, tem tido um papel preponderante nesse combate, coordenando a resposta sanitária internacional, principalmente nos países menos fortes. O que seria do mundo hoje, se não existisse uma organização como a OMS?

Não esquecendo também das outras organizações como a PNUD e FAO, que também têm ajudado imenso nessa luta, seja criando projetos de empreendedorismo direcionados ao combate ao vírus, seja criando projetos ligados a saúde alimentar, enfatizando a necessidade de se apostar na agricultura, incentivando o cultivo de alimentos nesse período.

Do ponto de vista económico, a importância do multilateralismo nessa crise pandémica, está refletida nas organizações como o Banco Mundial e a FMI, bem como outras organizações internacionais e regionais, que, desdobrando em esforços, têm procurado dar uma resposta global, coordenada e coerente às consequências socioeconómicas mais amplas da crise, em que uma das medidas, foi a moratória de serviços das dívidas até final do ano aos países mais “necessitados”.

Portanto, neste mundo globalizado em que nos encontramos todos, não deve haver espaços para nacionalismos exacerbados, conservadorismo e o unilateralismo, pois, só trarão maior desigualdade entre os Estados e, consequentemente, maior vulnerabilidade. Neste sentido, como referiu António Guterres, Secretário-geral da ONU, em 24 de abril, Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz, “…A pandemia do novo coronavírus é uma oportunidade de aprendizado sobre as lições de desigualdades e vulnerabilidades.”

Destarte, o Covid 19, não obstante do papel importante que as organizações multilaterais têm tido na luta contra essa pandemia, veio demonstrar ao mundo, a necessidade de reformarmos as nossas instituições multilaterais, de modo que a cooperação internacional possa adaptar-se aos novos tempos. Concordando com António Guterres, o multilateralismo deve passar a funcionar como uma rede, fortalecendo a coordenação entre todas as organizações multilaterais globais e as entidades regionais capazes de gerar contribuições vitais, e esse multilateralismo inclusivo, baseado na profunda interação com a sociedade civil, não deve deixar de lado a voz da juventude, pois é a nossa juventude a transição para o futuro, é a sua voz que moldará o nosso futuro. 

Por tudo dito, sou da opinião de que não restam dúvidas que o Covid 19 colocou em evidencia a importância do multilateralismo e, por conseguinte, todos os autores políticos internacionais, devem repensar uma nova forma de multilateralismo, no sentido de ser mais seguro, inclusivo, equitativo e sustentável, para que no futuro venhamos a ter um mundo mais seguro.

Nelson M. Nazaré

Diplomata de Carreira

Mestre em Direito (Ciências Jurídicas)

    1 comentário

1 comentário

  1. sem assunto

    7 de Maio de 2020 as 18:40

    Nós aqui a padecer mos e vem você com a tua diplomacia sabe se lá com que cargas de água ? Poupe nos a grande questão agora é sobrivier mos, entendes, o resto vem depois.

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