Opinião

Pensando Bem…

O isolamento domiciliar cria imensas oportunidades. Para além dos trabalhos que devemos executar temos algum tempo para estar connosco, bem sozinhos, sem ruídos e sem máscaras. São momentos de verdade, de confronto interior que nos podem ensinar muito sobre nós e sobre o mundo em que vivemos. Este tempo pode nos permitir, pensar e repensar e … partilhar.

Pensando Bem…
I – o Covid-19 é democrático É uma frase repetida e aceite sem grande contestação. Atinge a todos sem distinção dizem …! Pensando bem, isso é totalmente verdade? Vejamos:

– O vírus não é tão democrático assim. Ele afecta diferentes pessoas em diferentes países de maneira desigual. Na verdade ele afecta de modo brutal os mais fragilizados por outras doenças, os idosos, os incapacitados, os mais pobres, os indigentes.

– Em segundo lugar, se atentarmos ao método de prevenção consensual, praticar o distanciamento social e o isolamento domiciliário veremos que são os mais pobres que tem dificuldade em obedecer estas regras simples e que mais sofrem as consequências de ficar em casa.

Um geógrafo brasileiro utiliza dois conceitos para ilustrar essa dificuldade. O território como abrigo e o território como recurso.

A casa é o refúgio, o território – abrigo. Para os pobres este abrigo é precário por vários razões, a começar pelo facto de que o número de pessoas que compartilham o espaço-abrigo é numeroso (3 ,4, 5 pessoas) tornando difícil o distanciamento desejável. Por outro lado a precariedade estende-se as condições infra-estruturais básicas: água, energia e consumíveis de higiene.

O território como recurso obriga a deslocações constantes. Para ganhar pão de cada dia é preciso abandonar o território- abrigo em busca de trabalhos precários, muitas vezes sem o mínimo de condições de higiene, em contacto estreito com outros, para compras diárias de alimentos, utilizando transportes públicos e privados deficitários. Nestes territórios-recurso (mercados municipais e informais, ruas do centro da capital, bairros da periferia, etc.) juntam-se os desempregados estruturais e os novos desempregados vítimas da pandemia e todos aqueles que vão perdendo grande parte ou a totalidade dos seus rendimentos.

Quem tem mais posses pode garantir o isolamento domiciliário e o distanciamento social ( o território abrigo e território recurso coexistem ) mas para isso precisa dos trabalhadores informais, dos prestadores de vários serviços básicos, daqueles que não podem ficar em casa por vários dias porque a sobrevivência de cada dia depende do trabalho de todos os dias.

Não se trata aqui de qualquer postura política visando acentuar a luta de classes ou divisões na sociedade. Garantir um mínimo de rendimentos para todos, sobretudo para os segmentos mais frágeis da nossa população que vivem em situação de precariedade permanente e de indigência é um imperativo moral, económico e social urgente.

Na linha do poema de Alda do Espírito Santo, e citando o geógrafo brasileiro Rogério Haesbaert, a escolha é claramente simples: “ou nos solidarizamos com os mais frágeis e reconhecemos o nosso destino comum, ou pereceremos todos juntos, pois o barco (a canoa) é só um (uma) e está se afundando. Não há trincheira doméstica ou individual para nos proteger do naufrágio”. A opção não pode ser salvar-se do COVID-19 e morrer de fome ou outro mal qualquer. Juntos vamo-nos salvar. Todos.

II – Igualdade de Género e Trabalho Doméstico

É de bom-tom dizer que eu ajudo a minha mulher/esposa em tudo. É chique, é sinal de modernidade. Será mesmo assim? O que significa precisamente ajudar? Lavar a loiça depois do jantar? Limpar a loiça depois de lavada? Sair pra ir comprar o pão e depois fazer umas outras coisas?

O confinamento domiciliar obriga a reflectir sobre as nossas atitudes. O trabalho doméstico consome tempo, exige esforço repetido e vai muito além de lavagem de pratos ou coisa parecida. Desde o planeamento das refeições, dos ingredientes, da preparação, do seguimento do cozinhado, colocar a mesa, recolher a mesa, lavar a panela, (se houver água ou energia ou as duas) até limpar a cozinha, a casa, incluindo as casas de banho, higienizar o ambiente, tratar da roupa etc.; são horas de trabalho que passam rapidamente. Para casais que têm filhos menores o esforço adicional exige muita paciência e dedicação.

Há homens que ajudam e ainda bem. Mas prestem atenção: não é caso de fazer um mimo a mulher/esposa num dia especial. Esta rotina é diária. Semanal. Pluri-anual.

Talvez o COVID-19, ao obrigar os casais a passar mais tempo em casa e partilhar o trabalho diário, ajude a mudar a percepção sobre a imensidão das tarefas que muitas mulheres realizam todos os dias, anos a fio, além das suas actividades profissionais. Isto nem sempre é devidamente reconhecido e valorizado, mesmo para muitos homens “progressistas”.

Diz-se que as nossas vidas não serão as mesmas depois desta pandemia. Podemos começar por mudar a nossa participação nos trabalhos domésticos partilhando efectivamente as tarefas. Muitas delas têm efeitos positivos imediatos. Fazer a cama de manhã ajuda a começar o dia de maneira organizada. É o primeiro acto de organização que vai ajudar as outras tarefas durante o dia. Experimentem.

Joaquim Rafael Branco 

    16 comentários

16 comentários

  1. Nita

    11 de Maio de 2020 as 14:25

    Pensando bem, podia ter feito diferente qdo teve oportunidade, podia ter feito alguma coisa por este povo!

  2. Isaias Abraão

    11 de Maio de 2020 as 15:05

    Pensando bem deverias ficar calado!
    Onde estão os nossos dólares, os dolares do nosso mlstp vindos de Angola que cairam do teto falso do seu quarto?
    Vai pastar cabra que lhe fica muito melhor.

  3. Mepoçon

    11 de Maio de 2020 as 16:04

    Eu conheço este senhor bem de perto. Ele é pessoa de bom senso, humano, avaliador. Como costuma dizer: tudo ninguê cu cá tá fenu cá bila demonó, êlê manda. Foi desta que ele deve ter corrompido. Aasociou-se a estes bandos corruptos do MLSTP, o seu bom princípio afundou.

  4. Vanplega

    11 de Maio de 2020 as 18:40

    Pensando bem deveria ficar calado.

    Pensando melhor, deveria ter devolvido partes do que roubou este povo.

    Pensando bem, e melhor altura de o fazer

  5. Cidadao Filho da Terra

    11 de Maio de 2020 as 19:34

    Enfim!!!! Enfim!!!! Dr. Rafael Branco. Mais Enfim!!!! Deus lhe perdoa.

  6. Andorinha

    11 de Maio de 2020 as 19:49

    Este senhor pensando bem poderia esta calado pois em um país aserio ele deveria de estar atrás das grades pela delapidacao dos béns público foi Primeiro Ministro e só roubo como disse a outra “os camaradas comem tudo” e como comem tudo o país esta como esta.

  7. Helcio sousa Viegas

    11 de Maio de 2020 as 20:08

    Granda escrita. Continue a nos brindar com este nível literário.

  8. Pascoal Carvalho

    11 de Maio de 2020 as 20:51

    É um bom idealismo.
    Entretanto, é preciso rever e reavaliar os fatos assim como os contornos desse isolamento, num contexto ainda maior.

  9. Seabra

    12 de Maio de 2020 as 2:07

    PENSANDO BEM o senhor Rafaël Branco foi UM dos dirigentes políticos sãotomenses do mais OPORTUNISTA, aquele que mais oportunidade teve de fazer mudar…de fazer bem , de colaborar no desenvolvimento do país etc.Pensando bem, deve se retirar da política, e deixar o seu lugar aos mais jovens…Pensando bem , já é a hora da aposentação em tudo ( política, BOQUITAS etc). Pensando bem, não queremos mais ouvi-lo, nem lê-lo.
    Para terminer bem dou-lhe um BOM HAJA!

  10. Sotavento

    12 de Maio de 2020 as 6:09

    Pensando bem não há palavras para o sr.Rafael Branco…melhor boca calada…e assim vamos STP.
    STP é pacifico

  11. SANTOMÉ CU PLIXIMPE

    12 de Maio de 2020 as 7:45

    Sem comentários,, Só não sei se ajudar as nossas esposas irá ajudar na mudança de comportamentos delas,, Pois no passado o lar era sinónimo de amor, paz e mais,, Hoje acho que faz parte de curriculum Vitae,, e o aumento da violência doméstica é resultado da fraca capacidade de separação das nossas esposas,, Direito e Dever, nós sempre ajudamos, e vamos ajudar sempre………à aquela que merecer….

  12. profeta

    12 de Maio de 2020 as 9:18

    Oh menino “rafa” é muito cinismo da sua parte,..quanta cara de pau,…. pensando bem se calhar Deus está tocando no seu coração ou é simplesmente a fraqueza de consciência.
    vai-te enxaguar, larápio de meio tigela, Um dia Deus acertará as vossas contas…

  13. Jose Luis Cavalcante

    12 de Maio de 2020 as 10:55

    Devias ter pensado bem em nao delapidar a coisa publica como fizeste ao longo de anos a fio.

    Pensando bem, nao devias ter ido buscar os portugueses para reclamarem e tomarem todo o edificio da COSEMA e vendrem baratinho para ti.

    Pensando bem, nao devias ter sido tao avarento e ter tomado tantas rocas e bens do Estado. Os proprios bens dos pais da tua esposa mandas e desmandas e ela nem voz tem.

    Pensando bem, deverias parar de fumar e entopir os pulmoes como fazes.

    Pensando bem, deverias ter criterios serios a gerir a APCI e quando te mandam a missoes internacionais que vais la ganhar dinheiro e fechas o bico diante da corrupcao conforme foram as recentes eleicoes na Guine Bissau.

    Deixa/te la de palhacadas oh senhor. Voces os ladroes catedraticos de colarinho branco como o teu proprio apelido, o povo vos suporta, mas ja nao vos perdoa nem cai na vosa labia de bons samaritanos falsos. Hipocriita!!!

  14. Nita

    12 de Maio de 2020 as 12:38

    Pensando bem, o senhor pelos vistos ganhou muitos bens que não vieram do seu suor(Que Deus me perdoe se estiver enganada) .. No entanto pelos comentários aqui feitos também ganhou desprezo por parte do povo.
    Pensando bem o que vale mais!?!??

    • Como será

      14 de Maio de 2020 as 7:20

      Realmente o povo perdeu a consideração e respeito e o carinho, este senhor é um politico de refencia, nos meus tempos ele ja foi ministro de Educação, portanto conhece bem as lacunas do pais, poderia ter feito muito pelo pais quando ascendeu a pasta do primeiro Ministro, mas infelizmente foi na epoca da infecção chamada “CORRUPÇÃO” que tomou conta do MUNDO.É triste.

  15. Nada haver

    13 de Maio de 2020 as 16:47

    Pensando bem por tua causa e mas alguns dos seus elites o pais esta como esta, e as tuas mentiras já não nos convence esquece meu cota vai só já yha.

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