Opinião

“Nós Acreditamos” em São Tomé e Príncipe  e no contraditório

Finalmente, São Tomé e Príncipe, de arquitetura em arquitetura, acende a tocha de internacionalização da auto-estrada de relacionamento entre as ilhas e a sua diáspora, parceira essencial de desenvolvimento, com que juntos possam reinventar o novo caminho num país de mãos estendidas, ainda assim, o valioso tesouro para projetos de desenvolvimento, lacrado nos bancos, segundo o Jorge Amado, evapora-se sem a responsabilização dos seus comparsas, larápios de fato e gravata.

Duas ilhas fundadas, a partir dos vários povos vindos do mundo com Portugal ao leme das caravelas – levou de melhor na disputa com os franceses e holandeses – também é de fora para dentro que a rota de soberania ganhou forma, a democracia inspirou a liberdade de pensamento e tudo transpira, que a diáspora no proveito da era digital lidere a refundação da Nação, todos ganhadores e bem, numa evidência inabalável.

Foi assim erguido “Nós Acreditamos” na avaliação e no aprofundamento do rumo do país, a volta de aturadas três horas, com a primazia de explorar as várias alternativas, temáticas e expor os candidatos presidenciais à triagem democrática como baluarte de entrarem todos pela porta grande de recomendável teste digital.

Há mais iniciativas nesse semblante, a “RSTP” de Solange Salvaterra, Josimar Afonso e analistas (entrevista em 2020 ao primeiro-ministro, Jorge Bom Jesus), é a marca fiel, mas na verdade, o Leoter Viegas e os comentadores conseguiram colocar a velocidade superior às outras, diferentes e de elegância, se recuarmos ao ano de 2014, em que uma “TV” digital, no chão europeu, serviu apenas e de estilo não recomendável a uma candidatura, embora o esforço em mascarar o sustento partidário.

O mais caricato foi, na altura, ter escutado do seu apresentador, em desespero público e frenético às criticas ao modelo populista, de que só tinha lugar na cadeira perfumada, os convidados da sua conveniência, com um certo perfil que lhe dava jeito, num mimetismo aquelas “palaiês”, a afastar os clientes da Feira de Ponto, sem manifesto de embarcarem no pescado. Num sopapo díspar “Nós Acreditamos” e a concorrência no uso do rendimento da plataforma digital, sem censura, na separação da desinformação e serventia educacional de mudança de mentalidades correm, dia e noite, na cativação de pluralidade, Santos e Pecadores, para o enriquecimento do contraditório democrático.

A comunicação social convencional, esbanjada pelos governos da república, com o manifesto de tique autoritário, fechada em si mesma e num atraso considerável, vê-se ultrapassada pela liberdade da era digital e “Nós Acreditamos”, a confluir na estrela polar, ainda é razoável as vozes autorizadas dos antigos chefes do Estado, Pinto da Costa, Miguel Trovoada e Fradique Menezes, também a do atual, Evaristo Carvalho, darem um açoite à banalização daquilo que os povos habituaram a considerar o mais prestigiado cargo das Repúblicas.

Com o olhar para lá da pequenez, em tempos, assobiei na “Voz de São Tomé e Príncipe” do Danilo Salvaterra, pioneiro que se esforça na mesma maré digital, de que a democracia são-tomense remendaria uns pontos, caso trouxesse ao seu painel os antigos presidentes da república, todos com o exercício democrático, para partilharem, no mínimo, o mapa rasgado com que orientaram os respetivos mandatos.

Sustentei-me, na altura, num jornalista da francofonia, Alain Koka, camaronês, que para refletir a África, em 2019, dispôs descontraído a conversar na cidade de Dakar, em meia-lua, com um respeitável quarteto, Macky Sall, presidente do Senegal, Alassane Ouattara, presidente da Costa do Marfim, Kristalina Georgieva, diretora-geral do FMI e Jean-Hervé Lorenzi, presidente do Círculo dos Economistas Franceses.

As universidades são-tomenses e os liceus, no leve-leve, têm perdido oportunidades para lá de conhecimentos e investigação académica de substanciar a ciência de mudança de paradigma no suporte à Reconciliação Nacional e dignificação presidencial no rumo do país virar as pernas à fuga do túnel.

Todavia, um dos momentos aguardados nestes meses de rebolisse eleitoral, inicialmente, sem medidas sanitárias de Covid 19 nos ajuntamentos e nas festas e passeatas – Deus tem-nos protegido com a batina – veio da imprensa a noticiar de que o Acórdão 5/2021 do Tribunal Constitucional emitido no dia 8 de Junho, para o resmungão nacional, não pedia a purificação da alma dos pretendentes ao escrutínio eleitoral. Deixou o “Acordam eleitoral” ao povo.

Aos pré-candidatos Roberto Garrido, Olinto das Neves, Moisés Viegas, Maria das Neves, Jorge Amado e Carlos Neves, o Tribunal Eleitoral dava 48 horas para transitar em julgado os trâmites de candidatura ao palácio cor-de-rosa, empreitada cumprida e confirmada no Acórdão 8/2021, pelos candidatos (em 2011 dos 14 pré-candidatos, 11 ficaram aprovados) ao escrutínio de 18 de Julho próximo.

Victor Monteiro, Roberto Garrido, Olinto Neves, Moisés Viegas, Miques  Bonfim, Maria das Neves, Manuel do Rosário, Júlio Silva, Jorge Amado, Guilherme Posser, Eugénio Tiny, Elsa Garrido, Elsa Pinto, Delfim Neves, Carlos Vila Nova, Carlos Stock, Carlos Neves, Aurélio Martins e Abel Bom Jesus, são 19, os concorrentes do palco recreativo da “gravana” eleitoral.

Não se mede o homem para a guerra, mas tudo ilustra de que a Primeira Temporada do painel, aberto com Carlos Neves, foi encerrado por Carlos Vila Nova, no último fim-de-semana, beneficiando de suporte partidário que pela expetativa de disseminação de candidaturas, venha a decidir, sem reservas, a passagem à segunda volta. Quem ficou para trás, a ensaiar o heroísmo de subir ao palco, resta-lhe muito pouca margem de manobra para convencer os eleitores digitais.

A diplomacia, uma das fraquezas da política nacional com os embaixadores sem-pasta e entregues ao destino, num olhar de “mulher ou homem di banga” para a chefia dos estados e governos, por vezes, vê-se ameaçada pela reação dos considerados mais fracos e impulsiona a esticar a narrativa para lá do quiosque da Marginal 12 de Julho espatifada pelas promessas de um qualquer vidente.

O presidente do governo do reino de Espanha, esperado em Maio passado, na Cimeira de Paris para a Transformação de África no embate dos impactos de Covid-19 que juntou alguns dirigentes africanos aos gigantes do mundo político, financeiro, do petróleo árabe e, não só, a última hora, Pedro Sánchez, ficou em terra e de mãos na cabeça pela inesperada invasão migratória dos africanos em fuga à excessiva riqueza continental.

O chefe do governo espanhol não esteve na discussão dos ricos à desproporcional pobreza africana, porque o reino de Marrocos, entendeu usar o explosível balão de oxigénio do deserto de Saara e do mar Mediterrâneo, o maior cemitério do mundo, que tinha em acordo com a Europa. Em represália ao tratamento médico espanhol do líder independentista dos saarauís da Frente Polisário, Brahim Ghali, Presidente da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), em luta contra a Covid-19, Rabat não vislumbrou outra opção diplomática, porque estava em causa “uma questão de confiança e de respeito mútuo”.

Marrocos, escapado por cima ao vendaval da Primavera Árabe de 2011, mas a viver problemas económicos e de violação dos Direitos Humanos, é acusado de ter enviado os migrantes da África branca e negra – quase 10 mil pessoas em 48 horas – incluindo mulheres e crianças, numa avalanche, a nado, a pé e a trepar o muro e invadir o enclave espanhol de Ceuta e Melilla, a fronteira terrestre da União Europeia com a África. O reforço policial e militar espanhol para defender o seu território da invasão inimiga e devolução imediata, exibiu o uso excessivo de força ignorada pela Comissão Europeia que alertou das fronteiras europeias merecerem, ao ferro e fogo, a devida proteção sem que a União Africana desse um só pio.

Já São Tomé e Príncipe, apanhado no mesmo flash magrebino, mudou de tabuleiro do Tratado de Autodeterminação do povo Saraui, rasgando, uma vez mais, a Carta Internacional, não pelo estímulo de um antigo chefe do Estado, em 1997, no diferendo China-Taiwan. Bastou o zelo de Elsa Pinto, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros, candidata presidencial e “ratificação” recente de Delfim Neves, o atual presidente do Parlamento, outro candidato presidencial, segundo a oposição parlamentar, às escondidas, sem a credencial governamental e nem o parecer do chefe do Estado, numa bandalha de que há muita brasa a arder na fumaça do Magrebe e disponível a assar o povo são-tomense.Nenhum dos convidados da linha da frente, caso venha ganhar as presidenciais, prometeu apagar a fogueira.

Maio, o mês de Mãe, Marrocos, não só foi de “Maka” diplomática, ao mais alto nível, devido a Sara Ocidental, o território de tamanho triplo de Portugal, sob a jurisdição das Nações Unidas e ocupado ilegalmente pelos marroquinos, após ao abandono da Espanha, em 1975, mas de lá chegou a internacionalização no campo científico.

A Maliana Halima Cissé, de 25 anos de idade, transferida no final de Março do seu país para um hospital especializado em Marrocos e que esperava pelo nascimento de sete bebés, foi brindada na primeira semana de Maio pela chegada de cinco meninas e quatro rapazes, todos sobreviventes para o desespero demográfico da África – tanto jeito daria aos chineses, que a partir do Primeiro de Junho, cada casal já pode ter três filhos – tornando-se no primeiro caso de sucesso e registo mundial.

Num outro ângulo, a não despistar o alcance da objetiva presidencial, a intolerância humana, uma das heranças do “Homo Sapiens”, levou sempre os mais fortes ao uso desmedido da violência, ao ponto do extermínio da parte mais fraca ou indefesa, algo neste período eleitoral, espelhado nos discursos de abate ao adversário e perpetrados pela deriva dos apoiantes desavindos em terreno de guerra, ao invés do palco de ideias e concretizações delineadas de dar curso ao país exemplarmente em exibição digital, porque “Nós Acreditamos”.

O jovem candidato presidencial e redinamizador da agricultura nacional, Abel Bom Jesus, assassinado pelo Caim, nem precisa mais de inimigos. As palavras obscenas que “san” Mosa partiria aos filhos, netos de branco português, todos os dentes, tornaram chá de cortar febres e de exibir qualquer nervosismo público até de beliscar a razão no espalhafato contra os governantes e as suas incertezas democráticas de desenvolvimento.

O Dia 25 de Maio deste ano deve ser reescrito no contexto académico e histórico da África com a proeminência das figuras que dirigem os estados. No quadro do mês continental, o presidente Emmanuel Macron foi à Ruanda responsabilizar França pelo genocídio, em Abril de 1994, de mais de 800 mil de minoria Tutsis e Hutus moderados, em apenas 100 dias. A Chanceler alemã, Angela Merkel, foi mais misericordiosa.

Após anos de discussão entre os dois países, pela voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, a Alemanha que ocupou o território da Namíbia, 1884 e 1915, pediu perdão aos namibianos pelo primeiro genocídio do século XX (1904-1907) em que os alemães exterminaram perto de 65 mil Hereros de uma população de 80 mil e mais 10 mil dos 20 mil de gente Nama.

O ministro alemão com a promessa de chuviscar em 30 anos, um milhar de euros de indemnização à Namíbia, garantiu que “A partir de agora vamos designar oficialmente estes eventos como aquilo que foram, tendo em conta a perspectiva do presente: um genocídio” de dar boleia internacional, no contexto do Massacre de Batepá, ao próximo presidente da república das ilhas de São Tomé e Príncipe.

Não só de Europa ouviu-se a reparação histórica. O presidente João Lourenço, de Angola, em abraços com o escândalo financeiro de desvio em malas e caixas a ser enviadas, eventualmente à Europa ou a qualquer paraíso da desgraça africana, 18 milhões de dólares e 3 milhões de euros por oficiais da proteção pessoal e segurança presidencial, em contraste com a pobreza endémica dos angolanos, pediu perdão aos familiares das vítimas de 27 de Maio de 1977 (a Amnistia Internacional relata mais de 30 mil mortos) e vai, finalmente, devolver-lhes as ossadas e certidões de óbitos.

A remar na ótica caseira, a recente notícia no STP Press, “Editor do Jornal K morre em São Tomé” não cativa indiferença. O falecimento do português Octávio Ribeiro, que eventualmente tirava um pé de “rumba” com os são-tomenses de A a Z, de fugirem da iliteracia, elevando a cultura de leitura, merece aqui a apresentação de condolências aos entes queridos do jornalista. Por outro lado, aos familiares de Maria de Lurdes Pereira, assassinada de forma hedionda pelo ex-companheiro, no último fim-de-semana, em Boa-Entrada – um grito de condenação – e muito em especial, ao irmão da vítima, António Pereira, as sentidas e profundas condolências.

Noutro prisma de animar a internacionalização de garras e luta do “tchilôli”, mais um são-tomense de ouro e pela segunda vez, o judoca do Sporting, de 28 anos de idade, pescado pelo desporto português na fronteira da marginalidade lisboeta, depois Tóquio-Japão, em 2019, o “presidente” após ultrapassar os vários concorrentes, com o golpe-de-mestre, calou todo-o-mundo e subiu a tribuna de Budapeste-Hungria como Campeão Mundial. Parabéns Jorge Fonseca! Frente, é o caminho!

Situando os pés no painelpresidencial, num país de cabeça vergada, as mulheres mantêm a prudência em medir os pés na selva masculina, destacando do universo, apenas três competidoras, Maria das Neves, Elsa Pinto e Elsa Garrido. Todas inconformadas na batalha e a ver os candidatos do pelotão da frente, a rejeitar o fim das forças armadas – Carlos Vila Nova jamais viu tropa ruandesa no território nacional – mas, foi comum, a necessidade de adaptação urgente da logística militar potencializada para a defesa do território marítimo evigiada riqueza marinha.

Os dois intelectuais dentre os que se apresentaram na Primeira Temperada, Carlos Neves da MDFM-UDD (o brando) e Carlos Vila Nova da ADI (o sereno), de carácter, seriedade e génese partidária muito próximos, o primeiro com apetite de liderança política e o segundo com sucesso empresarial, este bateu o martelo na mesa, a devolver ao mando presidencial a tão necessária dinâmica de despartidarização, pacificação, brilhantismo e responsabilização, as apostas valerão a pena.

Entre as duas fronteiras, incomodamente, assistiu-se um pleito suportado pelos diferentes partidos e animado por Delfim Neves do PCD (o animal político) de garras e sem qualquer pose presidencial, Elsa Garrido dos Verdes (a presidente camarária) bastante virgem para o estatuto mais alto, Guilherme Posser do MLSTP (o comunicador) e homem do Estado, também bateu martelo na mesa e Jorge Amado (o estrelado) sem prudência inspiradora à chefia da Nação.

O excesso voluntarismo proporcionou a zombaria de Jorge Amado – sem cativar um só voto dos cibernautas ávidos de fantasmas – por ter exposto na praça presidencial, sem dó nem piedade, a promiscuidade entre a justiça, a política e os agentes económicos, permitindo festejos e fogos de artifícios dos ativistas desabituados ao contraditório, distraindo-se do essencial, mas o candidato que foi embaixador sem ocupação, em Taipé, ao seu jeito, esteve bem e caiu de costas devido a proposta do orçamento de 4 milhões, em divisa ocidental, para sustentar-lhe a campanha presidencial.

Seria de bom tom que os ademais adversários fossem também corajosos em avançar com a mesma perspetiva para de uma vez por todas, depois de Carlos Graça que em 1996, após a derrota impaciente, mas com conta saldada, a empresa portuguesa responsável pelo show eleitoral, “roubou-lhe” mais uma avultada soma financeira, os são-tomenses conhecerem os orçamentos apresentados pelas gestoras do banho, muitas requisitadas no estrangeiro.

Em França, o antigo presidente francês, entre as várias idas à justiça e com os pés na porta da cela, por favorecimento, inclusive de milhões de dólares de um africano, o presidente Kadhafi, assassinado em 2011 pelo ocidente, Sarkozy, nesta semana, regressou ao Tribunal Correcional de Paris para ajustar as contas com as ilegalidades financeiras e excessiva despesa da campanha presidencial de 2012.

Passado os trinta anos da Democracia, tudo na mesma, mas “Nós Acreditamos” no futuro promissor com Unidade, Disciplina e Trabalho. Ainda assim, os candidatos da Primeira Temporada, vacilaram-se na continuação do semi-presidencialismo, bastante pesado ao erário público, sem a responsabilização individual, devido aos vários chefes ou a via alternativa, o presidencialismo, como um dos ingredientes possíveis de estancar a banalização do mais alto cargo da Nação.

José Maria Cardoso

17.06.21

    1 comentário

1 comentário

  1. jfernandes

    27 de Junho de 2021 as 22:47

    Nos acreditamos na hepocresia
    e 0s ciganos Da Nova Maioria

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