Para o mês de fecho do ano, como que fosse a sorte grande, o aguardado cheque do Fundo Monetário Internacional, com a aprovação de 24 milhões de dólares – soa pouco no patamar das transações ocidentais para guerras – válidos por 40 meses, mas bastante útil para o apoio às reformas económicas e estruturais do país e, essencialmente, a credibilização de quebrar os cadeados financeiros internacionais, chegou em parcela aos cofres do XVIII Governo, após os incríveis dois anos de sufoco, tertúlias, viagens e champanhes, coincidindo com o salto de graduação de São Tomé e Príncipe a País de Rendimento Médio.
Nenhum dos dois fogos de artifícios, talvez por ter rebentado dias antes da meia-noite de 31 de dezembro, não iluminou o céu, nem teve impacto que consciencializasse o debate público, com cereja ou veneno às mesas mais vulneráveis, na medida de que, sem dúvidas, os são-tomenses tornaram-se reféns de, não notícias. As informações em amor-pedaço (o vestido da avozinha, costurado de retalhos), constituíram o cardápio das primeiras páginas.
O presidente da República e o primeiro-ministro, ao invés de resguardarem-se para, na verdade, serem notícias que deveriam dar pistas de dinamizar a economia no rumo de estruturação estratégica do desenvolvimento e, não menos, os protagonistas de ações que, tornados autónomos e mais adultos, afinal, os são-tomenses, amanhã, retirando ou não, a sujeira do Ano Velho nas praias remendadas, colocarão os dois pés num especial calendário, os 50 anos, isto é, o meio século de existência soberana, orientados por motivantes debates e iluminados pela Chama da Pátria que, mobilizada a percorrer a Região Autónoma de Príncipe, ao longo de Janeiro, por todas as aglomerações populacionais, para que de mês em mês e distrito por distrito, até que em Julho próximo, o presidente da Câmara de Mé-Zóchi, recebido a luz em Junho, confiará ao homólogo de Água-Grande, dizia, as altas figuras do Estado, fizeram toda cabulice para não serem notícias.
O chefe do executivo, no ilusionismo retratado na peregrinação anterior, – o menino problemático que preenche a agenda dos pais com “vugu-vugus” (pedradas) constantes – receoso do açoite, e regressado de longa passeata, de mais de um mês, fortemente protegido pelos militares, visitou os avôs, em Caué, com a nova promessa de estrada asfaltada. Esteve com os outros avós, em Cantagalo e garantiu que a água potável com o projeto iniciado, há mais de seis anos, vai ser realidade nas torneiras. Visitou os tios por outras paragens com garantias renovadas de novos tapetes. Foi dar olhos cabisbaixos, em mais uma imagem da corrupção, a desgraça da marginal, na capital, vezes reclamadas, retirado que foi o projeto de construção à engenharia chinesa para confiar, de forma obscura, à desconstrução e possíveis remendos de outra empresa.
Correu ao hospital central Ayres de Menezes, velhinho, uns 100 anos de idade, calejado e ossos partidos, não com o carregamento de medicamentos e consumíveis de Saúde, supostamente, transportados pelo jato particular com que dá as mil voltas ao mundo, em angariação de fotografias de líderes, sem validade económica e financeira às ilhas, ou com o antigo cheque do Fundo de Koweit para a reabilitação da principal unidade sanitária, não prestou a mínima satisfação à degradante saúde da menina Elizabete, “candrezada” (desgraçada) pelo país, mas um pouco mais luxuoso, cortou fita à inaugural informatização dos serviços hospitalares.
Para que os laços familiares, à sua sorte na ilha do Príncipe, carentes de tudo e mais nada, não reclamassem de discriminação insular e lhe atrapalhassem no cálculo de contornar a surra e granjear simpatias, apesar de período não eleitoral, carregou a equipa calada e disciplinada e, por lá, sem solução, renovaram palmas às velhas promessas.
O chefe do Estado, por seu turno, num cenário desafiante, árduo e pensativo, mais de um mês depois, da incursão das turbulentas ondas da taxa turca (MLSTP infeliz, distraí-se no golpe ao turismo e o encarecimento da vida nacional) e de traição replicada à lealdade institucional, entendeu invadir, uma vez mais, a parada militar sanguinária, a geografia do 1º ministro, que se queixou, recentemente, das indesejáveis visitas presidenciais, sem a prévia comunicação aos ministros das pastas, para colher sensibilidade, na demonstração da autoridade suprema, sem voltas a dar ao açoite, em pé, de vir a qualquer hora “cascar pele” ao filho. Lá no quintal, a minha mãe poetizava, “corpo não dói você, mão não me cansa!”
Na realidade, o presidente da República, a não se desertar de Acção Democrática (In)Dependente, testemunhado no seu gabinete de assessoria e demais aberrações públicas, tornou-se cúmplice do feitiço de vingar-se de “mazelas” infringidas pela Velha Maioria, o que lhe impediu de retirar a maldita máscara, aquando da “inventona” militar. Em sequência, assinou por baixo, a criação do Tribunal (in)Constitucional de ADI, seguido da Lei Interpretativa da Rosema, a produtora da embriaguez da nação que retirou o comando ao mais alto magistrado, a ponto de se submeter, de semblante vexatório, ao capricho inconstitucional do 1º ministro, líder do partido e reeleito no congresso ante-democrático, deste ano, por unanimidade erguida ao ar da militância, em gemidos.
Daí, por razão e tempo, que só o engenheiro Carlos Vila Nova, sabe gerir, lamentavelmente, por mais que seja oposto à objetiva constitucional e até, vezes repetidas de costas avessas à sensibilidade humana, não utilizarei as palavras propícias – libertação de azia – ao reconhecimento, só agora, da mancha que as Forças Armadas carregam na honra, derivada de execução sumária de quatro civis, desarmados, no dia 25 de novembro de 2022.
Não é compreensível que, já lá vão dois anos, o chefe do Estado, parece dar sinais de ação – na política, não são as palavras que contam, mas sim, muito mais, são os atos de evitar o enfraquecimento de instituições democráticas – a querer desafiar fantasmas da inércia, engravidadas pelo mesmo, e pior que isso, são as tristes sombras de validade nacional e internacional, confortarem-se com a boleia da declaração extemporânea do comandante supremo, no recente banquete de Natal com os militares.
Por ingenuidade pessoal que pareça e ainda que inconformado, a opinião pública aguardou por uma Carta Aberta de mentes iluminadas, no país e na diáspora, dirigida ao chefe do Estado para que o “presidente de todos os são-tomenses”, sentisse alguma almofada ou luz de libertar-se da escuridão, em que se voluntariou a dar voz à mentira, consubstanciada na flagrante violação dos direitos humanos, expondo-se ao caricato de que as vítimas da hedionda encenação, não teriam ido buscar rebuçados no quartel, daí que, quarenta e oito horas, no rescaldo da presidência do Conselho da Defesa Nacional, condecorou as chefias militares que lhe salvaram a vida e, por medida, assassinaram os meliantes, na cumplicidade do chefe do executivo que na entrevista matinal, na sexta-feira sanguinária, usurpando a cadeira, foi explícito em liderar toda a operação maquiavélica, assumindo em vários momentos, “nós fizemos, nós e nós”.
Nesse cenário desolador, é de rever na coragem, persistência e no rigor do jornalista Abel Veiga, exibidos naquele cinzento contexto de abate do Estado de Direito democrático, de assassinato dos oponentes políticos e silenciamento da liberdade do pensamento, apesar da justiça sequestrada pelo poder político, permitindo e através do jornal digital, o Téla Nón, a publicação de um artigo, oportuno, para a memória futura e que convido à Sua Excelência Vila Nova, a rever-se ao espelho, Delfim Neves, Presidente parlamentar cessante, vítima de “INTENTONA” golpista e replicado por um outro clarão de opinião aos leitores, Redes sociais divulgam, leve-leve, tortura e mãos de sangue da parada militar.
Será que o cristão Carlos Vila Nova, chefe do Estado são-tomense, passados os dois anos da “inventona”, já esticou as mãos, trocou palavras e ofereceu solidariedade institucional ao antigo presidente da Assembleia Nacional, Arzemiro dos Prazeres “Bano”, tentado à prisão pelo esquadrão militar, assim como o candidato derrotado nas presidências de 2021, o também, na altura presidente cessante do parlamento, Delfim Neves, quem esteve longas horas no corredor de morte, no quartel das Forças Armadas, como sinal de auto-estima aos adversários políticos, elevação do espaço democrático e harmonia nacional?
Chegados aqui, embora a matéria em jogo, a taxa turca, produzida pela Resolução governamental 36/2024, desde 1º de dezembro, em vigor e vazia de verificação da constitucionalidade, os conselheiros fiéis aos búzios, apesar de estarem a ganhar tempo, dispõe de trabalho para compensar o luxo e as regalias e, no fim, decidirem por um dos parceiros da maldição do feitiço contra o feiticeiro, figuras negativas no balanço do ano.
Com o país, que já vinha a meio-gás, desde 21 de dezembro, fechado pelo Conselho de Ministros, isto é, de hoje, 31 de dezembro de 2024 ao dia 5 de janeiro de 2025, não fosse a cegueira e obediência abnegadas aos interesses pessoais, os quadros intelectuais de ADI, deveriam retirar o proveito do banho-maria nacional com as diligências necessárias, identificando o senhor ou a senhora, que se seguirá, na chefia da agenda executiva, até 2026.
Jorge Amado, o ministro da Defesa, Célsio Junqueira, o ministro do Trabalho, Célia Pósser, a assessora jurídica do chefe do executivo e Aurélio Martins, o embaixador em Cabo Verde, são soluções, invejáveis, a não serem descartadas ao lixo para que o chefe do Estado, indeciso e tristonho, não venha a carregar o desgosto do amigo, desprovido de imunidade pública e inocente até prova em contrário, sentado no banco da justiça para a clareza ou a responsabilização moral e material dos hediondos acontecimentos de 25 de novembro de 2022.
Hoje, nem o apoio financeiro do presidente da República, em assumir o bilhete de passagem de evacuação da querida Elizabete, – por quem clamo esperança e toda sorte do mundo na melhoria e recuperação da sua saúde, desde ontem, aos cuidados dos especialistas, em Portugal – a adolescente de 15 anos, violada e violentada por assassinos à solta e sacrificada, em coma, numa cama hospitalar por equipa médica são-tomense e ministra da Saúde, Ângela Costa, por mais de seis meses, até ser devolvida, quase sem fôlego, ao humilde aconchego da mãe, (Parabéns Pindó, Sara e toda a sociedade civil nacional e estrangeira!) – confesso de que, não consigo vislumbrar a nobre missão de Carlos Vila Nova, quem prefere manter a militância obscura e submissa ao 1º ministro (fora de prazos pelo processo-crime 759/2024) mas, por inerência imposta, o chefe disto tudo, sem que a onda azul, cúmplice da maldade, fosse capaz, menos mal, de realizar o intento do presidencialismo, ao líder partidário.
Um especial, abençoado e maravilhoso 2025!
José Maria Cardoso
31.12.2024

Utilizador
2 de Janeiro de 2025 at 5:37
Por favor, um português mais simplificado, se o objectivo realmente for com que as massas entendam!
gato das botas
6 de Janeiro de 2025 at 15:14
Inacreditável a forma como este indivíduo “escreve” e continua a ter palco neste site. É uma vergonha. Mas venho dizendo isso há meses. Por uns tempos andou desaparecido e o que se lia por aqui era bem mais sadio. Voltou. Voltou a confusão, a vaidade, a cagança de quem não sabe escrever mas acha que sim!
Lucas
2 de Janeiro de 2025 at 17:12
Esta criança Elisabet foi acompanhada por um tal Wilson Pereira que se intitulava médico interno da especialidade de cirurgia cardiotoracica o que é falso.Este senhor que não passa de um charlatão aproveitou-se do ambiente de compaixão gerado à volta da criança e viajou a acompanhar a infeliz. Foi descoberto e como outros estando em Lisboa acaba nas obras.Mas o problema é muito maior.O hospital central está cheio desta gente falsa A mim,numa situação melindrosa com uma filha uma suposta medica mandou-me rezar.Azar pois sou ateu agnóstico .Solução foi conseguir meios e viajar até Portugal. Hoje é uma jovem feliz.Obrigado Portugal