As Nações Unidas, mascarando uma parte da Humanidade a se proteger do sol com as mãos, institucionalizaram o dia dos Afrodescendentes, para 31 de agosto, celebrado no passado domingo e para que não restassem dúvidas, estabeleceram 2014-2024 com o mais radiante raio para o decénio, sem que a claridade ofuscasse os legados de escravidão, colonialismo e desprezo económico, financeiro e social das pessoas.
O secretário-geral da ONU, desde 1 de Janeiro de 2017, o português António Guterres, com o fim do decénio inaugural, despertou a consciência mundial para o segundo decénio, isto é, 2024-2034, que deve ser marcado por uma «ação para justiça, igualdade e dignidade» das Pessoas Afrodescecendentes. Um ano depois, o sol continua a perfurar entre os cartazes com as injustiças persistentes na clara demonstração de que os protagonistas devem assumir o comando das operações, invés do sono debaixo da sombra de luminosos panfletos.
Uma conferência internacional e anual dos Afrodescendentes, em cada país africano, sob os auspícios das Nações Unidas, apesar de contexto internacional, instável, paga por inteiro pelos poluidores e com as ações concretas de desenvolvimento empresarial com crédito bonificado, talvez possa dinamizar algum sinal à estratégia que nenhuma mensagem deixou às estatísticas internacionais, nem sequer a juventude, o maior alvo, se apercebeu da década inaugural, nem possui agenda para a atual.
Contrariamente, após os censuráveis insultos no anterior mandato e as atuais encenações do presidente Trump pelo fim de ajuda americana à África e da guerra comercial declarada ao mundo, cinco presidentes de países africanos, Brice Oligui Nguema, de Gabão, Umaro Sissoco Embaló, da Guiné-Bissau, Mohamed Ould Ghazouani, da Mauritânia, Joseph Boakai, da Libéria e Bassirou Diomaye Faye, do Senegal, curvaram-se na Casa Branca, no dia 9 de julho recente, para lhes ser oferecido, mais combustível aos incêndios continentais.
A proposta da compra de armamento dos EUA, em troca da riqueza continental, animou o assédio, apesar da agenda do encontro ter sido na perspetiva de combate à acelerada influência do seu rival económico, a China, no continente africano.
China, o centro das atenções internacionais, desta semana, devido o encontro de 25 líderes mundiais para o reforço das alianças contra a influência ocidental, como previsível, provocou cólera do presidente americano. O eixo triangular com a Rússia, do presidente Putin e Índia, do primeiro-ministro Narendra Modi, dentre os presentes, demonstrou um claro desafio de RIC a Trump. O pomposo desfile de ontem, em Pequim, da chamada força de paz, na parada militar comemorativa dos oitenta anos do fim da IIª Guerra mundial, no pacífico, com a rendição do Japão, em 1945, com mais uma presença mediática, a do presidente da Correia do Norte, Kim Jong-Un, traduziu em sinais evidentes do poderio da China na geopolítica internacional.
A maior democracia representativa do mundo -, o presidente Xi Jinping, foi eleito -, que de boas intenções, o inferno está cheio, sem armamento na equipagem, vem habilitando os africanos a pescar, como em São Tomé e Príncipe, pela primeira vez, um pequeno agricultor, expôs a sua produção de arroz. Sob a doutrina dos técnicos chineses, o produtor exigiu ao governo mais hectares de terras para dar empregos e abastecer o mercado desse produto, tornado a base da dieta alimentar da população, evitando despesas da débil economia nacional com a compra ou pondo fim as mãos estendidas às ajudas de Japão com esse alimento.
O presidente republicano, segundo a sua comédia ao quinteto africano, beneficiou de razões suficientes para a aposta nos países africanos, porque são «lugares dinâmicos com terras muito valiosas, grandes minerais, grandes reservas de petróleo e pessoas maravilhosas» sendo «um grande potencial económico na África, como em poucos outros lugares, em muitos aspetos» oferecendo a venda de armamento que só servirá para mais instabilidades e guerras no continente. Que contrassenso amistoso?
É impressionante, nenhum governante africano, cada um a navegar no desnorte aos anseios populares, sequer piar, nem a organização continental, a União Africana, através de um comunicado estrondoso, se manifestar duramente ou recusar a ajuda americana, completamente envenenada.
No final do encontro, não faltou a rotineira humilhação que se tornou na imagem de marca do presidente americano para com os homólogos. O presidente Volodymir Zelensky, da Ucrânia, inaugurou e resistiu a humilhação, tendo o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, sido submetido, no dia 21 de maio passado, ao similar cartão de visita americano com a desonesta exibição de imagens contra os brancos, na conferência dos dois líderes com a imprensa, apenas para vergar o presidente sul-africano, de nada diferente da entrevista final com os cinco chefes de Estados, em que ressaltou de alguns não falarem o inglês, e boquiaberto, com o influente linguístico exibido pelo presidente da Libéria.
Que tamanha ignorância, o presidente dos Estados Unidos da América declarar o desconhecimento total pela História do seu país!? Os liberianos são o resultado de antigos escravos americanos, enviados no século XIX dos EUA para evitar afronta territorial com a sua libertação, que formaram uma colónia na África, batizada de Libéria, país, o primeiro africano que proclamou a independência das potências imperiais, em 1847.
Mais um vexame da travessia atlântica se repete aos olhos da civilização. No final do mês, quinta feira, 28 de agosto, deixou de ser ruído e foi notícia de Ruanda, país africano com o pior historial da época moderna no genocídio da população -, transferido a Israel no genocídio contra os palestinos – por ironia, ter recebido o primeiro carregamento da mercadoria, com a chegada de sete prisioneiros, dos 250 acordados e não identificados, por motivos de segurança, enviados pelos EUA, em troca de migalhas, também não divulgadas pela desumanização da política do presidente Trump.
Ruanda, não é a única ditadura africana, mascarada, a receber o lixo americano. Uganda, Sudão do Sul e o reino de Eswatini, todos países de disfarçada democracia, com instabilidades e constantes anúncios de violação de Direitos Humanos, também se socorreram da sujeira americana para não perderem as ajudas e já receberam os prisioneiros expulsos, alguns criminosos, perigosos e cadastrados, segundo os interesses americanos.
Depois do atual governo trabalhista do Reino Unido, sobre pressão social e judicial, travar o acordo assinado, em 2022, com Ruanda, que visava expulsar os imigrantes ilegais, incluindo os requerentes de asilo, sem ler contexto, nem fisionomia continental, para o país africano, em troca de milhões de libras, em famosa ajuda para o desenvolvimento, não é compreensível a África tornar-se de novo, na lixeira ocidental.
Não há duas, sem três. Inseridos num mundo global, um olhar à França, o segundo motor da economia europeia, país que um ano após as eleições, regressa à crise política com a possível instabilidade do mercado financeiro e económico no horizonte, derivada de cabeçada mal calculada, sob o risco de suicídio político de François Bayrou. No passado dia 26 de agosto, o primeiro-ministro propôs aos parlamentares, o voto de confiança a ser debatido na próxima segunda-feira, como antecedência à cólera social, a ser manifestada no país mais reivindicador do mundo, anteriormente anunciada para o próximo dia 10 de setembro, quarta-feira.
O parlamento resultante de três blocos, esquerda, centro e direita, apesar do governante centrista reclamar a dependência da dívida francesa excessiva para a necessária política, a oposição maioritária, promete exibir o troféu da democracia, estando ao lado dos franceses. Mais de oitenta por cento do país, está descontente com o orçamento de austeridade em perspetiva para 2026 que promete assaltar muito mais os bolsos dos trabalhadores, aumentar a carga fiscal e despesas públicas e a supressão de dois feriados no calendário nacional.
Toda a batalha do primeiro-ministro, convidando a oposição para o diálogo, desta semana, não tem passado de encontros de cortesia e despedida, restando ao presidente Emmanuel Macron, sem base parlamentar, que no ano passado correu o alto risco, quando dissolveu o parlamento e conduziu os franceses às eleições, um rosto fresco para o palácio de Matignon. Após os testes, desde 2017, de Édouard Phillippe, Jean Castex, Élisabeth Borne (atual ministra de Estado e da Educação), Gabriel Attal (o mais jovem PM), Michel Barnier e o atual, François Bayrou, aguarda-se de Elysée, alguém para conduzir o novo governo do país que perdeu o controlo de saque das matérias-primas africanas em Níger, Burkina Faso e Mali.
A oposição, no contexto da Quinta República, inaugurada em 1958, leva mais velocidade. Exige a devolução de palavra aos franceses com a imediata dissolução do parlamento para a convocação de escrutínio antecipado, de forma a clarificar o xadrez político disputado entre a direita, esquerda e os radicais, deixando fragilizados os centristas do presidente Macron.
Ainda assim, no contexto de globalidade, França espelha uma democracia que não falta escola à política das ilhas. Na realidade, Élisabeth Borne, não é a única figura francesa, a descer do palanque de primeira-ministra com a maior da naturalidade democrática. Manuel Valls, o antigo primeiro-ministro do presidente François Hollande -, atualmente deputado na cadeira parlamentar, com presença assídua e intervenção influente -, é também um importante membro do atual governo francês, como ministro do Estado e Ultramar.
De pés em casa, São Tomé e Príncipe, apesar da fuga de mãos de obra nacional em contraste com o interesse de investimento estrangeiro, não terá a necessidade de concorrer ao pacto americano dos prisioneiros expulsos dos EUA para ocuparem as antigas instalações de retransmissão da Rádio Voz da América, nem passa pelo Estado deixar o espaço às ambições individuais ou de grupos.
Daí, uma dica ao ministro da Saúde, Celso Matos, quem através de intercâmbio científico sul-sul, aproveitou da relação com Moçambique, país da sua formação médica ortopédica, levou para São Tomé e Príncipe, materiais e primeira equipa médica de quatro colegas médicos, especialistas moçambicanos nas áreas de ortopedia, ginecologia, otorrinolaringologia e cirurgia geral, algumas sem um só quadro nas ilhas, com destaque para o otorrinolaringologista, Pedro Machava -, continua no país – atenderam, trataram e salvaram, através de cirurgias, as centenas de pacientes de patologias afetas, razão de salva de palmas e agradecimentos.
Em boa hora e para o uso público da antiga instalação da Voz da América, em Pinheira -, olhos desconhecem – a dois passos da capital, com as condições que dispõe, não ficaria mais barato, a requalificação da infraestrutura para o propalado hospital de referência?
Ainda que construido, por lá, um novo edifício de reforço e instalada a energia limpa, não restam as mínimas dúvidas de que do orçamento e projeto ambicioso, pouparia-se valores confortáveis, através da já existente habitação, acessibilidade, água, autonomia elétrica e até a linda praia, protegida de assalto à areia e destruição humana.
Renascer São Tomé e Príncipe!
José Maria Cardoso

Gato das botas
4 de Setembro de 2025 at 16:32
Comecei a ler sem saber quem “escrevia”. No fim da primeira frase vim saber do autor. Claro. Tinha que ser. Como pode este homem continuar a ocupar espaço neste site????
É horrível a forma como escreve. É impossível de se entender na sua ilusão de chorrilho de fanfarronices. Parem com isto.
Jorge L Marques
5 de Setembro de 2025 at 16:55
Os santomenses vão para a Rússia ou para a China a pedir emprego e assistência Médica?. Mas a que chama lixeira Ocidental, tem que suportar os caloteiros, governos corruptos e vendedores da banha da cobra – STP solicita apoio de Portugal para aceder a fundo europeu destinado aos parlamentos