Opinião

Carta ao Regino Inglês Xavier (Principe)

Aquele que diz e faz o que lhe dá na gana porque é “o País é nosso”.

Por Cola Manga-Bassu

Caro Regino,

Li atentamente a sua publicação, diretos e, confesso, por momentos julguei estar perante um manifesto político redigido entre um café frio e uma vaga de indignação moral. Depois percebi: tratava-se apenas de mais uma daquelas reflexões de “salvador da pátria” — onde todos os males do mundo se resolvem se o “outro” deixar de existir.

Vamos por partes, porque convém pôr ordem nas ideias antes que elas continuem a correr soltas pelas redes sociais.

1. “O Príncipe pertence aos seus filhos”, diz o Regino.

Pois claro. E entre esses filhos está também a HBD, que há mais de uma década investe, cria emprego, paga impostos e assegura o sustento de uma parte significativa da população do Príncipe. Não é pouca coisa.

Talvez valha a pena recordar que as praias, os caminhos e os acessos que tanto gosta de percorrer — sem pagar um tostão — foram reabilitados com dinheiro privado, de uma empresa que se limitou a cuidar daquilo que o poder público abandonou há anos. É curioso que reclame “direitos” sobre o que só existe porque alguém teve a coragem (e o bolso) de cuidar.

2. “Os direitos dos trabalhadores devem ser respeitados.”

Plenamente de acordo! Mas seria bom lembrar que há uma diferença entre direito laboral e direito ao abuso de discurso. Defender trabalhadores não implica atirar pedras a quem lhes dá emprego. É como reclamar da chuva enquanto se segura um guarda-chuva emprestado.

3. “O Príncipe deve ser de todos.”

Bonito, poético/patético até. Mas o problema começa quando o “de todos” se traduz em “ninguém cuida, ninguém paga e todos exigem”.

A terra é, sim, de todos — no sentido em que todos temos o dever de preservá-la, respeitá-la e contribuir para a sua sustentabilidade. Isso inclui pagar STN 25,00 (que, sejamos honestos, é menos do que um refrigerante) para aceder a uma praia limpa, segura e ambientalmente protegida. Se o Regino acha isso um atentado à liberdade, talvez valha a pena explicar o conceito de bem comum.

4. “A Constituição deve ser respeitada.”

Naturalmente. Mas seria interessante que, antes de brandir a Constituição como espada, o Regino a lesse até ao fim — especialmente a parte que fala sobre propriedade privada, concessões, uso responsável dos recursos e dever cívico.

Porque o direito de um termina exatamente onde começa o direito do outro. E a cancela que tanto o incomoda não é um símbolo de opressão — é apenas o limite físico do bom senso.

5. “Diálogo aberto e transparente.”

Concordo plenamente. Mas diálogo não é sinónimo de monólogo nas redes sociais, muito menos quando se faz rodeado de aplausos virtuais de quem nunca viu o Príncipe ao vivo.

Diálogo é sentar, ouvir, argumentar, propor. Não é escrever sermões digitais para conquistar likes efémeros.

Caro Regino,

não se trata de negar-lhe o direito à opinião — trata-se apenas de pedir-lhe um pouco de coerência.

A educação que ostenta, os títulos que exibe e o discurso que empunha deveriam servir para construir pontes, não para incendiar muros.

Enquanto a HBD continua a empregar, investir e limpar praias, o Regino continua a redigir manifestos sobre o “direito de todos” — à custa do trabalho dos outros.

Ganhe juízo, como diria o povo.

E antes de levantar mais bandeiras, verifique se está mesmo a lutar pela causa certa — ou apenas contra o bom senso.

Com estima,

“Cola Manga-Bassu”

Aquele que também tem direito à terra — a mesma que o Regino acredita ser sua.

Lembre-se, Regino: a terra não é sua, nem minha. Ela é nossa. E serve um propósito coletivo que tanto o Regino quanto eu temos o dever de respeitar.

22outubro2025

“Cola Manga-Bassu”

7 Comments

7 Comments

  1. Adelino Silva

    23 de Outubro de 2025 at 10:33

    Humm…. Curto e Grosso. Parabéns Genito.

  2. Acacio Santos

    23 de Outubro de 2025 at 15:20

    Muito assertivo

  3. Rodrigo Cassandra

    23 de Outubro de 2025 at 18:25

    Um grande texto para quem sabe ler fazer as pontuações para perceber a essência do texto, quando vamos a praia levamos ,grades de sumo, de cerveja, garrafas de vinho fazemos um custo grande e exobirtante, deixamos todo o lixo lá até restos de comidas espinhas de peixe entre outros há até quem faz grelhados para tal leva carvão para comer o grelhado quente , saímos e todo lixo fica ,agora pergunto quem vai limpar,, assim é que tudo é nosso, enfim um bem haja a São Tomé e Príncipe e ao Príncipe

  4. Juizo

    24 de Outubro de 2025 at 5:57

    Este rapaz anda a submestimar os jovens do príncipe e agora é lider do basta e disse que vai ganhar os 5 deputados

    • Eugenio Pereira

      31 de Outubro de 2025 at 13:47

      Caro Rodrigo,
      Melhor caracterizado n̈ão poderia ser.
      Precismaos de sair da retórica das narrativas que nos poupam. O nosso povo, cada um de nós, precisa de se melhorar.
      Abraço

    • Eugenio Pereira

      31 de Outubro de 2025 at 13:50

      É preciso que os jovens, os do Príncipe e de São Tomé, ouçam e leiam mais do que os falsos profetas cuja a ambição e o ego deformado é maior do que um oceano inteiro.

  5. j.dias@hotmail.com

    1 de Novembro de 2025 at 7:52

    Apenas, peço encarecidamente ao Genito que não dê mais tempo de antena a esse miúdo semianalfabeto que já se crê um grande ator social.

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