Nito, não, Genito. Se é Viegas de Abreu, ainda chega a ser meu parente.
Não o conheço; dou-lhe o benefício da dúvida. Essa coisa da santomensidade poderia ser melhor explorada em benefício de todos, não fosse o mau fundo que todos cultivamos na pequena nação que teimamos em ser.
Primo, desculpa, tanto mais porque ainda posso ter de o tratar por Presidente. Já muitos terão visto o meu retrato na outra candidatura; o rótulo não tarda a aparecer em panfletos com a intenção de me sujar o fato que só não vesti para a cerimónia, por um lapso protocolar, mea culpa.
A luz da EMAE faltou em São João ontem e voltou vinte e três horas depois. Nunca se investiu tanto dinheiro num problema sem o conseguir resolver. Temos um problema; aliás, temos problemas que não equacionamos nem resolvemos. A luz da EMAE é um dos maiores. São João, na Marginal, acordou às escuras no dia em que a maior poeta que ali morava se despediu.
Fica a memória do que Conceição Lima nos legou: as palavras que deixou escritas, a alegria com que brindou os amigos e, sobretudo, o sofrimento e a mágoa que foi obrigada a carregar por ser diferente e ter opinião.
Hoje é moda ser-se do povo pequeno, trabalhar para o povo pequeno, beber e dançar com o povo pequeno, deixando-o pequeno, burro, usado e descartado. O Nito quer ser pequeno; contudo, carrega o peso de um apelido de ancestrais esclavagistas e uma educação que, acredito, o poderia levar mais longe.
Primo, sugiro que se liberte das amarras e se junte ao Genito por um São Tomé e Príncipe que pode ser grande, se deixarmos de pensar pequeno. O título é enganador: não luto contra o Nito; luto para que o Nito se junte ao Genito por São Tomé e Príncipe.
Não sinto vergonha por ter trabalhado, pago impostos, contribuído para a Segurança Social e ser hoje, velho, dependente dessa mesma Segurança Social, que pretendo forte e com as contas equilibradas. O mesmo desejo para o país inteiro, que tem tudo por fazer enquanto nos matamos entre a escolha do verde e o azul que a todos nos arrastaram para a lama da miséria.
Perguntará então o Nito o porquê da minha foto na outra candidatura. Por um São Tomé e Príncipe o menos dividido possível, para que, a partir daí, se possa fazer alguma coisa que inclua todos: o Nito e os que o escolheram.
“Cola Manga-Bassu” a colocar a mão por debaixo de São Tomé e Principe porque estamos aquém de nós próprios.
São João (São Tomé) 15 de maio de 2026
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