Opinião

*O Paga-Uê (Ephorbia drupifera) no  PIB 

(Crónica de um país à busca do milagre verde)

Por favor, não tomem nada do que aqui é dito por sério, é pura comédia.

O que já foi, já era — o café e o cacau, os nobres pilares da economia luso-tropical, renderam o seu tempo. Hoje dão mais trabalho do que lucro, e já quase não há quem os queira trabalhar. Andar de saco às costas, de machim e gancho, cansa, o sol, a chuva, ainda que miúda, e a humidade tropical castigam, e o país, pragmático, prefere sonhar com culturas menos exigentes e mais generosas.

O petróleo, já era, revelou-se um flop moribundo, um projeto cansado que ainda sonha em jorrar antes de ser definitivamente enterrado. É, por assim dizer, a esperança fóssil de um futuro que não deixou descendência.

Mas a natureza, caprichosa e irónica, parece ter guardado um trunfo verde no baralho da sobrevivência nacional: o margoso-paga-uê.

Sim, senhor leitor, o paga-uê. Essa planta humilde, de aparência modesta e efeitos… digamos, inflamáveis, pode muito bem ser o novo motor de crescimento económico. Não precisa de rega, não exige adubo, resiste a pragas e cresce com a obstinação de quem nasceu para vingar — um verdadeiro canto do cisne.

Com o devido apoio científico da nossa curandeira-mor, professora doutora Maria do Céu Madureira, já se  poderia vislumbrar um futuro promissor: contentores frigoríficos repletos de paga-uê cruzando os mares rumo às grandes capitais cosméticas do mundo. Paris, Nova Iorque, Tóquio — preparem-se, o inchaço forro-tropical vem aí!

Dizem que o paga-uê tem a rara virtude de inflamar e inchar as mucosas — especialmente as labiais. Uma bênção natural para a indústria da beleza, sempre ávida por novos métodos de “volume instantâneo”. E se, por acaso, também ajudar nas hemorroidas ou reparar o uso indevido da zona anal, tanto melhor: abre-se um mercado médico-estético sem fronteiras.

Imaginem só o título nas revistas internacionais:

> “São Tomé e Príncipe exporta o segredo da inflamação glamorosa.”

Enquanto o mundo discute energias verdes e carros elétricos, nós poderíamos inaugurar o Ciclo do Margoso-Paga-Uê — um ciclo preguiçoso, sem necessidade de esforço ou investimento, perfeitamente adaptado ao espírito nacional de “trabalhar quando o sol e a chuva deixam”.

E há já quem defenda, com fervor patriótico, uma revisão da bandeira nacional. Afinal, se o margoso-paga-uê vai projetar-nos para o futuro,  mais justo será colocá-lo no centro do nosso símbolo pátrio.

As estrelas negras poderiam, com o devido respeito histórico, dar lugar a duas folhas de margoso bem viçosas, as novas estrelas vegetais a apontarem  o norte magnético do progresso são-tomense.

As cores, naturalmente, também se atualizariam: o verde ganharia um tom mais ardente — o verde-margoso; o amarelo, um brilho cosmético do novo ouro forro-tropical; e o vermelho permaneceria, para simbolizar o ardor do leite do margoso quando em contacto com os olhos da pobre vítima. Um vermelho de patriotismo inflamado, literal e comovente.

Seria uma bandeira viva, reativa e economicamente promissora — um estandarte que arderia com orgulho nas cerimónias oficiais e nos corações do povo.

Eis, pois, o nosso destino possível: tornar-nos milionários por obra e graça da natureza e ajuda do Espirito Santo, com o margoso como bandeira, símbolo e milagre à moda da terra.

Quem diria?  Se, se imaginasse o futuro  escondido numa folha carnuda de crescimento abundante.

“Cola Manga-Bassu”

6 de novembro do ano da Graça de 2025.

“A tecer humor sem pretender ferir os símbolos da rés pública e o coração sagrado do nacionalismo santo-principense. Quem diria que um povo cego encontraria salvação numa planta que cega.”

*Advertência verdadeiramente séria do autor:

Não use o margoso-paga-uê (Euphorbia drupifera) em nenhuma das funções de cura ou em substituição do botox; o efeito é catastrófico e suscetível de causar danos irreversíveis.

O texto é satírico e usa a planta (paga-uê ou margoso) como metáfora.

Copiada abaixo, a opinião científica de quem a estudou ao detalhe.

Nota científica com assinatura de quem pesquisou profundamente sobre a matéria:

É preciso bastante cuidado com o látex. Noutros países há registos do seu uso: “O látex é normalmente usado externamente por causa do seu efeito tóxico; no entanto, em algumas áreas, é dissolvido em água e depois bebido, ou é comido em papa de mandioca, ou num pedaço de cana-de-açúcar, como purgativo.

É comummente aplicado externamente para tratar impingem, picadas de cobra, picadas de insetos e picadas de escorpião para aliviar a dor. É aplicado em verrugas por causa dos seus efeitos cáusticos. Também é aplicado nas gengivas para tratar dores de dentes.

A palavra “cáustico” resume bem o que pode acontecer, e os labios são zonas muito sensiveis e a entrada da mucosa bucal…ou “outra”

Opinião autorizada de Maria do Céu Madureira (PHD)

Genito Pereira

1 Comment

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  1. Colomicha

    7 de Novembro de 2025 at 11:19

    Somente uma nota, contra explícito, achar que café, cacau, coco, e outros productos agrícolas está fora da equação económica que inverdade,…

    O mal é vender o os productos em brutos, sem nenhuma transformação e embalagem, designação de origem controlada, selos codigos de barra,etc…esta falta de visão nacional, tecnologias maquinarias, processos de transformação , comercio, exportação, apesar da restriçãodo mercado, o paga úê também entraria na equação…

    Somente para desmistificar o descrito assima, no caso de café o negócio que continua a dar milhões no ocidente, no oriente, e ultimamente na Ásia, cápsulas de café, café moído, basta ver a quantidade de pessoas(milhões se contabilizadas)que há pela manhã nos cafés/bar/restaurantes a beber minúscula chefan de café por preço de 80 centimos a um euro, ou um euro e vinte centimos, quando este valor pode ser mais difereciado de país para país na Europa, na América do Norte, America do sul, no Oriente, e recentemente na Ásia, enquanto o produtor local, neste caso por exemplo em São Tomé e Príncipe recebe talvez trinta centimos, por um saco de cinquenta quilos, parafraseando talvez toneladas,…cacau igual, coco igual, por aí em diante, querem pagar pouco por aquilo não trabalham, somente transformam e vendem, obtêm fabulosos lucros, isto é que os Africanos têm que entender, por há tanta obstrução a disponibilização aquisição de tecnologias a estes paises, nestes caso São Tomé e Príncipe, para fazer transformar os seus productos, juntamente com a falta de visão da sociedadr, dos ministérios, se prefere comprar ja feito, para vender mais caro a uma população que ja de se detem rendimentos

    Jamais a paises territórios, populações pobre, a falta de visão, organização, boa administração,…bom ordenamento do território.

    Quanto a bandeira seria mesmo realista para complementar o descrito acima três cores, azul do mar, branco do céu, verde a exuberância natural florestal, sem estrelas, somente um simbolo, de dois montes no meuo com o do conhecimento, …sendo que o azul significa a oportunidade que temos do mar e jamais temos sabido aproveitar as potencialidades do mar, portos, na alimentação, no comercio, no turismo, na apoio a navegação, reparação de embarcações, estaleiros, abastecimento de combustíveis a embarcações, a defesa e segurança, o desporto náutico, a cosmética, a gastronomia, produção de alimentos, conservação, serviços aduaneiros etc,…fontes de emprego e rendimentos poupanças a famílias, retenção de jovens no país

    Azul do céu oportunidade, bom aeroporto, ligações ao exterior, desenvolvimeto interno, quebra de dupla insularidade, quebra de isolamento, sair da periferia,..para isso investigamentos infraestruturas, boa companhia de viagem de preferência de bandeira nacional, possibilidade de universo, defesa e segurança, comércio, etc….

    O conhecimento, instrução, educação, formação, escolas de referência, universidades de referências, preparação saber, e sabee fazer…culrura, a lingua, os dialectos nacionais, …

    Os dois montes as ilhas maravilhosas

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