Opinião

Ferida Social

Quando o sofrimento não encontra ouvido, o silêncio torna-se mecanismo de sobrevivência. Muitos aprendem a calar não por fraqueza, mas por medo: medo de represálias, de descrédito, de isolamento. O silêncio, nesses casos, não é escolha livre , é imposto por estruturas frágeis, por relações de poder desequilibradas e por uma cultura que, às vezes, prefere preservar aparências a enfrentar verdades incômodas.

Por outro lado, quando quem faz o mal se sente protegido, algo está profundamente errado. A impunidade cria a ilusão de força, mas na verdade revela a fragilidade da justiça e da consciência coletiva. Onde o erro não é confrontado, ele se repete. Onde o abuso não é denunciado, ele se normaliza. E quando isso acontece, toda a sociedade paga o preço.

São Tomé e Príncipe tem uma história de resiliência, dignidade e proximidade humana. Todos se conhecem, as relações são próximas e a vida social é marcada por laços familiares e de vizinhança fortes.  É justamente por isso que o silêncio dos que sofrem não pode ser naturalizado. Um país pequeno em território não pode ser pequeno em coragem moral. Proteger os vulneráveis, ouvir as vítimas e responsabilizar os culpados não divide a nação — fortalece-a.

Romper o silêncio é um ato de esperança. Construir instituições que funcionem, comunidades que acolham e lideranças que deem exemplo é um dever coletivo. O verdadeiro futuro de São Tomé e Príncipe não se constrói com medo nem com proteção ao erro, mas com verdade, justiça e compaixão.

Porque uma nação só amadurece quando quem sofre é ouvido e quando quem faz o mal deixa de se sentir seguro para continuar.

Osvaldo Neto – Imigrante em Angola

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