Em São Tomé e Príncipe, fala-se cada vez mais de liberdade: liberdade de expressão, de opinião, de escolha. E isso é positivo. Um povo sem liberdade vive sufocado. Mas há uma verdade que não podemos ignorar: liberdade sem respeito não constrói, apenas divide.
Hoje, muitos confundem liberdade com licença para ofender, humilhar ou desvalorizar o outro. Diz-se “é a minha opinião” como se isso justificasse ataques pessoais, discursos de ódio ou falta de consideração. Mas opinião que destrói a dignidade do próximo deixa de ser exercício de liberdade e passa a ser abuso dela.
Uma sociedade saudável precisa de vozes diferentes, sim, mas também precisa de limites éticos. Respeitar não significa concordar. Significa reconhecer que o outro é humano, que merece ser ouvido sem ser esmagado. Quando o respeito desaparece, o diálogo morre, e no lugar dele nascem o conflito, o ressentimento e o silêncio forçado.
Em STP, isso reflete-se na política, nas redes sociais, nas famílias e até nas comunidades. Critica-se muito, mas escuta-se pouco. Ataca-se rápido, mas compreende-se devagar. E assim, mesmo livres para falar, tornamo-nos incapazes de avançar juntos.
A verdadeira liberdade anda de mãos dadas com responsabilidade. Ela constrói quando é usada para propor, corrigir, alertar e unir, não para ferir. Um país não se desenvolve apenas com pessoas que falam alto, mas com pessoas que falam com consciência.
Se quisermos um São Tomé e Príncipe mais justo e mais forte, precisamos aprender que respeito não limita a liberdade, ele dá sentido a ela. Sem isso, continuaremos a falar muito alto e a construir pouco.
Liberdade é um direito.
Respeito é um dever.
E sem dever, nenhum direito constrói uma nação. Osvaldo Neto – imigrante em Angola