A expressão “ou vai, ou racha”, aplicada a São Tomé e Príncipe, não é exagero nem dramatização. É um diagnóstico histórico. STP vive há décadas num ponto de equilíbrio instável, onde o país nem colapsa totalmente, nem avança de forma consistente. Isso cria a ilusão de estabilidade, mas na verdade é estagnação sofisticada.
A grande pergunta já não é apenas “para onde STP vai?”, mas sim: Quem está disposto a pagar o preço de fazer STP ir?Porque avançar exige ruptura com hábitos antigos, e discursos gramatical-político.
O país não falhou, foi mantido num “quase”, STP não é um país sem potencial. Pelo contrário: localização estratégica, riqueza humana e cultural, e dimensão que permitiria governação eficiente. O problema é que o país foi mantido num estado de sobrevivência permanente: ajuda externa que resolve o hoje, mas adia o amanhã, políticas que gerem dependência, não autonomia, elites confortáveis com o “mínimo funcional” e o “quase” tornou-se o normal: quase desenvolvimento, quase estabilidade, quase mudança.
Cada geração empurra o país mas nem sempre para frente, as gerações anteriores empurraram STP para fora da opressão colonial, mas deixaram um Estado frágil. As gerações seguintes empurraram para a democracia, mas sem consolidar instituições fortes, e a atual geração empurra, mas está dividida, uma parte quer ir embora, outra adapta-se ao sistema e a outra fala de mudança, mas teme perder privilégios. Assim, os empurrões anulam-se.
STP dificilmente vai “rachar” de forma espetacular. Porque, o maior perigo é normalização da mediocridade, fuga silenciosa dos jovens, descrença total na governaçāo e sociedade cansada, mas resignada ou conformada .
“Ou vai” para “ir” exige decisões impopulares. Avançar não depende apenas de mais dinheiro ou mais parceiros. Depende de: instituições mais fortes que pessoas, mérito acima de lealdade, educação ligada à realidade do país, combate real (não retórico) à corrupção e menos dependência externa e mais produção interna. Tudo isso custa votos, amizades e conforto. Por isso poucos querem assumir “ir e prefere “rachar”
Talvez a pergunta mais honesta seja: STP quer mesmo ir, ou apenas quer sobreviver com dignidade mínima? Porque “ir” implica conflito, escolhas duras e responsabilidade coletiva. “Não rachar” é mais fácil, basta continuar como está. “Ou vai, ou racha” não é ameaça, é alerta! Ou o país decide avançar com seriedade, ou continuará preso ao mesmo ciclo de promessas, dependência e frustração. “Ou vai, ou racha” é um espelho da realidade de STP. Ele não acusa apenas os governantes, mas a sociedade inteira. “Coisa esta rijo, tipo cabo dassú.”
Osvaldo Neto – Imigrante em Angola
Pascoal Carvalho
12 de Janeiro de 2026 at 23:16
Pois é, infelizmente é.
A questão é a seguinte, com tantas fendas e fissuras, será que ainda racha?