Opinião

Monção de Censura premiou o governo com a queda da presidente do parlamento

O alerta vermelho temível por outras latitudes devido os efeitos desastrosos, mas de pouca atividade na região continental e, sobretudo, pela crença no leve-leve, nunca foi levado a sério. A Monção de Janeiro, decorrente e censurável pelos peritos entendidos na matéria das agitações climáticas, foi antecipada muito antes, os finais de 2022. As réplicas permanentes, no último ano, alertaram que São Tomé e Príncipe, pela geografia humana, não estava fora de trajetória da instabilidade.

A alta temperatura na sede do partido do governo combinada com a massa de ar frio, fronteiriça à sede do próprio executivo, o XIX Governo, liderado por Américo Ramos, este fustigado pelas nuvens cinzentas provindas de todo o país com os fortes relâmpagos, animaram o contexto propício à trovoada e às fortes rajadas de vento e chuva no parlamento.

De proveniência anterior e da depressão Vila Maria, inimaginável, nesta, o temporal Santo António, também longe de se adivinhar e com o epicentro na Quinta académica, quase destruiu a casa parlamentar, proporcionando a inédita e o vexame tombo da presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, a figura afável, lúcida e convicta – a quem desta tribuna de pensamento crítico e contraditório democrático, fica a partilha da afetiva solidariedade pessoal e da Trindade, em geral.

Por culpa própria – apenas ela descortina –, a professora não interpretou o tempo instável para politicamente antecipar a deterioração meteorológica, batendo martelo forte na mesa e saindo pela porta grande. A Monção de Censura e os vários episódios deixaram escancarada a instabilidade do país, vítima de ventos fortes, ameaça da queda de granizo e eventual derrocada na sede do partido entregue à bandalha. O impacto do general, em desprestigiante, rotineira e teimosa ausência prolongada do ambiente tropical, desde 2012 (depressões Levy e Abnilde, na época, em atividade), e sob o risco de lamaçal e assalto, a líder do parlamento – ilustre casa da democracia e do povo – fez fé na sua tranquilidade e no civismo dos homens-machos. Impulsionada pela aparência feminina de esposa, mãe e conselheira, vagueou pelas decisões hesitantes à resistência e provável inundação da capital pelo novo muro de vedação a impedir o curso de água-mato ao Atlântico.

O mau tempo de janeiro, alimentado por anteriores e sucessivas depressões, Messias (baixa frequência), Varela, Tesla, José António, Abnilde, Elísio, Vasth (feminina) e outras de menor intensidade, consequentes neste mês de fevereiro; apenas a terra sagrada, evitou o registo da queda de árvores; o tombo de postes da energia elétrica, sem energia; os danos nas condutas de água, sem água potável; a destruição de residências e os estragos na fraca produção agrícola.

Assim, o pior que se temia perante a fúria descontrolada no ambiente parlamentar, graças a Deus, não se confirmou qualquer perda de vida humana. Nada que evitasse os desperdícios de última hora. No início da semana, sem previsão meteorológica e sob o efeito da tempestade anterior, estimulada de cruzamento da massa de ar tropical e do vento polar de Lisboa, o país foi surpreendido pela nova depressão. As pedras desgovernadas, mas que nos momentos de anúncio de novos tempos, os executivos aproveitam o abençoado clima para lançar, a torto e a direito, infelizmente, na segunda-feira, surpreenderam a todo mundo, derivado da alta tensão da depressão de figurino feminino.

Pelas imagens divulgadas do epicentro, isto é, na Quinta de Santo António, a fúria da depressão Ana, teria sido ocasionada pela instantânea encruzilhada da depressão Danilo, de fraca frequência e no jogo de cabra-cega. Uma pedra do insólito temporal feminino, só encontrou parapeito na testa do anterior presidente da Assembleia Nacional, cessante em 2022, Delfim Neves, o candidato às próximas eleições presidenciais. Intencional ou não, Delfim Neves (santo-pecador), despreocupado com o galo exposto ao público, anos atrás, já foi vitimado por outra tempestade. Por um fio, saiu em pleno da depressão Militar de Novembro de 2022, em que na alta maré, foi lançado à boca de tubarões famintos de sangue humano.

O sol tropical, generoso, quase que impugnando o mau tempo, surgiu sorridente. O segundo vice-presidente parlamentar, Arlindo Barbosa, no gozo das funções, foi enérgico a transferir à acalmia ambiental ao 1º vice, Abnilde d’Oliveira, recentemente auto batizado de independente. O novo manda-chuva do parlamento, a consolidar nos dez dias subsequentes pela maioria parlamentar, há muito que ensaiava romance. Jamais se inibiu do piscar de olhos à superior, a presidente Celmira Sacramento, agora destituída do cargo, da viatura e indecorosamente desprotegida de seguranças, – saiu pela porta traseira, mas o quadro já está no salão nobre do palácio da democracia -, militantes do mesmo partido do poder executivo e do círculo temporal, isto é, o distrito de Mé-Zóchi.

Sem êxito ao tempo invasor, que se foi atenuando com as depressões em linha, Ana, Elísio e Beatriz, confinadas ao zumbido e alto da vedação pública, o cenário desolador, potencializado pela cabeça perdida de sapiência política, selou e legalizou a depressão parlamentar, deslocada da sede da democracia insular. As nuvens nebulosas decorrentes e que confundiam o céu, como era o cenário previsível, não provocaram uma, nem duas enxurradas. Não somente a presidente do parlamento se viu despida do mais prestigiado poder legislativo, controlo da ação executiva e de segunda figura do Estado. O presidente do Tribunal Constitucional, Roberto Raposo e a sua banda interpretativa, desconectados da clareza democrática e dos preceitos normativos da Constituição da República, foram escorraçados pela dinâmica política das enxurradas da semana.

Apanhado por um país fustigado pelas sucessivas tempestades, do inesperado, uma nova depressão, a Alexandre. Os eleitores do distrito de Mé-Zóchi, apesar de estragos presumíveis, haviam temido o mau tempo no passado. Era o mais expectável aquando da depressão Militar, no sangrento dia 25 de Novembro de 2022, que assassinou quatro civis e anestesiou o país. Inoportuna, trovão em falso e como que possuída por mãos fantasmas, num vendaval ruidoso e tardio, a tempestade tentou empoeirar a Nação com o lixo de Penha. A democracia, há muito em coma, foi atingida de golpe de morte, segundo o abanão cego e barulhento da depressão Alexandre.

Mudam-se os tempos, trocam-se voltas às vontades. Por estes dias de depressões consecutivas, sem antever ilusões, até o mítico hino ante colonial «Gandu ê, bô alê d’omali» revitalizado pelo músico Tonecas Prazeres, foi dançado além fronteiras e com frete à bajulação da comunidade continental. De um eventual naufrágio, o alarido da vítima e dos correligionários do parlamento das redes sociais, rogava socorro pelas mãos dos inimigos da oposição parlamentar, antes ostracizados pela autocracia do XVIII Governo.

Só por desespero, os jornalistas nacionais, sempre na linha da frente da livre informação, mas constantemente banalizados e lançados à fogueira por governantes, foram confiados à missão de salvar a democracia. Há muito esquartejada pela salvaguarda de interesses pessoais e grupos que rasgaram a Constituição da República e apedrejaram o Estado democrático do Direito, até as divindades das ilhas, São Tomé e Santo António, se estremeceram perante as constantes depressões.

Ao contrário de Moçambique e Portugal – solidariedade pessoal aos milhares de afetados pela destruição de habitações, comércio, instituições públicas, eletricidade, água, campos agrícolas, estradas, viaturas; sem telefone e com mortes – este último, já aguarda pela quinta depressão, consecutiva; São Tomé e Príncipe, anda perdida de números de depressões. O carnaval extemporâneo e os sobressaltos derivados, na visão otimista, tornam adulta a democracia.

Ainda assim, sem garantias de eficácia e equilíbrio para o ano eleitoral, há que chamar nome aos autores das mais recentes depressões com agitação marítima e pluviosidade excessiva. Arruaceiros, deselegantes, gananciosos e voluntários disponíveis ao uso da estratégia política do líder do partido – a bala saiu pela culatra -, mas, falharam em todas as frentes, oferecendo de bandeja o poder parlamentar à oposição que, pela maturidade política, rejeitou e bem o bolo envenenado. 

Daí que, a atmosfera ambiental permanece no campo presidencial que não deve abdicar da sua responsabilidade política e constitucional de estabilidade nacional. Deve exigir de todo que se evite a queda de neve, mesmo nas regiões montanhosas com efeitos catastróficos de cheias, inundações e possíveis baixas. A temperatura ambiental convida o Chefe do Estado, o presidente Carlos Vila Nova, a sentar à mesa do contraditório democrático com os autores políticos e a sociedade civil, exigindo a harmonia, o bom senso e a elevação institucional, culminando e no ilustre palanque do parlamento, com a mensagem convicta de compromisso do mais alto Magistrado à Nação.

Está em causa a luta pelo controlo do poder, mas com os escrutínios à porta, os são-tomenses devem evitar a explosão do barril de pólvora. Tudo não deve ficar como está bem feio e mascarado de boas vontades. Mantendo resignado e ignorando a via de diálogo, no ambiente democrático, a qual das partes em contingência política, os são-tomenses enviarão a exorbitante fatura?

José Maria Cardoso

05.02.2026

1 Comment

1 Comment

  1. Justino

    7 de Fevereiro de 2026 at 14:35

    Mais um lixo de um texto que não se consegue ler. Cheio de convencimento e de erros de toda a ordem. Mas este senhor continua aqui a escrever. Mesmo que ninguém o leia porque isso é impossível de se fazer.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

To Top