Opinião

Eleições presidenciais 2026 – O jogo está embaralhado

No meu último artigo de 24 de maio de 2026 dizia que teríamos que esperar com paciência até o último dia da formalização das candidaturas para as Eleições Presidenciais de 19 de julho de 2026, porque pode ser que surjam surpresas.

Ora, a formalização na última hora da candidatura de Jorge Bom Jesus para concorrer nestas eleições, foi para muitos uma surpresa porque não havia indicação evidente neste sentido. Até porque, corre rumores que o MLSTP onde é oriundo o ex-Primeiro Ministro, a direção do Partido manifestou por diversas vezes apoiar a recandidatura de Carlos Vila Nova, atual Presidente da República.

A razão pela qual, até ao momento, não houve da parte da direção do MLSTP um apoio explicito em relação a candidatura de Jorge Bom Jesus, seu militante de vulto, será analisado num próximo artigo para se tentar perceber esta situação.

Neste momento temos formalizadas 5 pré-candidaturas a saber: Mique João, candidato independente e que não se sabe até agora com que apoio vai contar; Nito Viegas, candidato indicado por Patrice Trovoada, atual Presidente do ADI. Este candidato conta com o apoio dos seguidores de Patrice Trovoada; Carlos Vila Nova, candidato que deve contar com o apoio da ala dissidente do ADI, embora não houvesse ainda um pronunciamento claro, porque provavelmente estão à espera da realização do Congresso. Quanto ao novo Partido Nossa Terra, que integram alguns dissidentes do ADI, também ainda não se conhece o seu posicionamento publico em relação a esta candidatura. A única certeza que se tem até agora é do Partido MDFM que já declarou publicamente o seu apoio ao candidato; Nino Monteiro, candidato apoiado pelo seu Partido MCI-PUM; e por último, Jorge Bom Jesus, que se apresenta como candidato independente e, disse que solicitou apoios a todos os partidos políticos são-tomenses, incluído o seu MLSTP, onde foi Presidente durante muitos anos.

Agradou-me e ficou muito bem a forma como Jorge Bom Jesus formalizou a sua candidatura, apresentando-se pessoalmente no Tribunal Constitucional, com a bandeira nacional no ombro. Teve um pronunciamento claro da forma como vê a função do Presidente da Republica e como pretende exercer o seu mandato, caso venha a ser eleito. Prometeu dentro de dias apresentar publicamente a sua candidatura bem como o lançamento do seu projeto de sociedade.

Dai que a candidatura de Jorge Bom Jesus veio embaralhar tudo, levando alguns apoiantes de diversas candidaturas a dar sinais de nervosismo, desorientação e desespero nas redes sociais. Muitos em vez apresentar ao publico os programas das candidaturas que apoiam, preferem proferir insultos, lançar boatos e mentiras em relação aos adversários.

Seja como for, Jorge Bom Jesus é uma figura política notável e incontornável no ambiente político são-tomense, tendo em conta a seu largo percurso político e experiência em diversos domínios. Foi Presidente do MLSTP muitos anos, exerceu cargos a nível governamental como o de Ministro da Educação e Primeiro-Ministro. Na qualidade de Primeiro Ministro, dirigiu um Governo de Coligação de vários partidos, num contexto político e sanitário extremamente difícil com o surgimento da pandemia COVID e coabitou com dois Presidentes do República, ambos que não eram da sua cor política. Ainda assim, conseguiu cumprir os 4 anos de mandato de legislatura previstos na Lei, facto que não acontece há muitos anos aqui no Pais.

Neste sentido, o último mau exemplo que ocorreu em São Tomé e Príncipe foi o de ADI que teve uma maioria absoluta nas últimas eleições legislativas de 2022, tendo sido formado um Governo chefiado pelo seu Presidente e, apesar disso, não conseguiu cumprir a legislatura devido divergências insanáveis com o Presidente da República que por sinal é da sua cor política.

Nunca é demais fazer a comparação desses dois casos recentes na nossa política interna para se avaliar a qualidade e o desempenho dos nossos líderes. Por isso digo sempre que as boas qualidades de alguns devem ser enaltecidas e não meter todos no mesmo saco com habitualmente fazemos aqui no Pais, de forma injusta.

Portanto, acho que Jorge Bom Jesus tem todos atributos e capacidade de vir ser um grande Presidente da República, pacificador e conciliador, de modo a tirar o pais do coval onde se encontra há algum tempo a essa parte, estimulado por falsos líderes políticos que aproveitam a política para se enriquecer a custa deste martirizado povo, que eles enganam constantemente e de forma impiedosa.

São Tomé, 5 de junho de 2026

Fernando Simão    

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